Uma Análise Política e Religiosa – Artigo de Cláudio Ribeiro

 

A Complexa Relação entre o Evangelicalismo Brasileiro e Israel: Reflexões sobre a Vontade de Deus

O persistente conflito entre Israel e o grupo Hamas, agora ultrapassando os 100 dias, levanta questões profundas sobre o apoio fervoroso de certos setores evangélicos conservadores e fundamentalistas no Brasil, em meio a mais de 25 mil mortes na Faixa de Gaza. Este artigo explora a peculiar conexão entre o protestantismo, especialmente o pentecostal, e o Estado judeu, frequentemente justificado como “seguir a vontade de Deus”.

O apoio evangélico a Israel, apesar de sua distância geográfica, é notável no Brasil, principalmente entre as igrejas pentecostais e neopentecostais. A presença de símbolos judaicos e a adoção de rituais do Antigo Testamento são comuns, levantando a questão de se esta prática é recente ou se mantém desde sempre. Este artigo busca entender essa relação e suas implicações, especialmente no contexto do conflito em Gaza.

Nas igrejas protestantes históricas, a incorporação de elementos judaicos é menos disseminada. Contudo, nas pentecostais e neopentecostais, essa prática assemelha-se a um modelo sacerdotal hierarquizado descrito no Velho Testamento. A análise das lideranças políticas e religiosas revela uma interpretação específica do Velho Testamento que favorece estruturas de poder autoritárias e hierarquizadas. Isso não tem nada ver com o Novo Testamento, parte fundamental do Cristianismo.

Um exemplo notável é a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo Bispo Macedo. A construção do Templo de Salomão em 2014, associado a símbolos judaicos, representa uma estratégia política impressionante. Ao ancorar-se em tradições que remontam a milênios antes de Cristo, a igreja busca legitimidade e reconhecimento, desafiando críticas anteriores.

A aliança com Israel, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, proporciona notoriedade e apoio político. No entanto, questiona-se a verdadeira motivação por trás dessas associações. A análise crítica dessas conexões é crucial para compreender se estão realmente alinhadas com princípios mais elevados ou servem a interesses específicos.

A relação entre o evangelicalismo brasileiro e Israel, permeada por símbolos e rituais judaicos, revela nuances complexas. O uso político (veja a questão do Bolsonaro e sua família) desses elementos, como visto no caso da Igreja Universal,  e outras neopentencostais, suscita questionamentos sobre as reais intenções por trás do apoio a Israel. Este artigo busca estimular uma reflexão crítica sobre as implicações dessa conexão, enquanto é lamentável observar que há mais templos pentecostais e neopentecostais no Brasil do que escolas e estabelecimentos de saúde juntos. Afinal, será essa a verdadeira vontade de Deus?

Cláudio Ribeiro

Jornalista – Compositor

Formação em Direito

Pós-graduação em História do Brasil e

Ciências Políticas 

 

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