Entre homenagens, encontros e batucadas, o Coicca consagra o samba e o carnaval como forças vivas da cultura brasileira
Uma noite de reconhecimento, celebração e profunda emoção tomou conta do Teatro Paiol, em Curitiba, marcando o encerramento do 1º Congresso Interdisciplinar da Cultura do Samba e do Carnaval (Coicca), nesta quarta-feira, 15 de abril. Mais do que um evento acadêmico, o congresso se firmou como um verdadeiro território de encontro entre sambistas, pesquisadores e apaixonados pela cultura popular brasileira.
Promovido pela Universidade Federal do Paraná, o Coicca destacou o samba e o carnaval não apenas como manifestações artísticas, mas como expressões potentes de identidade, memória e resistência. Ao longo da programação, debates, apresentações culturais e trocas de saberes revelaram a riqueza pulsante do samba em suas múltiplas formas — do terreiro à universidade, da rua ao palco.
A proposta interdisciplinar foi um dos grandes trunfos do congresso: aproximar o pensamento acadêmico das vivências reais dos artistas, criando um diálogo fértil entre teoria e prática, pesquisa e experiência, tradição e reinvenção.
O encerramento, iniciado às 19h, foi marcado por uma cerimônia de homenagens carregada de simbolismo e afeto. A “Homenagem Maé da Cuíca” celebrou trajetórias fundamentais para a valorização do samba, do carnaval e da cultura popular. Entre os homenageados, nomes que ecoam na história cultural: o jornalista e compositor Cláudio Ribeiro, o vereador Angelo Vanhoni, o escritor e cuiqueiro João Carlos de Freitas e a eterna rainha do carnaval Marcinha.
O nome do congresso carrega em si uma reverência: inspirado na cuíca, presta homenagem a Maé da Cuíca, figura essencial na história do samba paranaense e fundador da primeira escola de samba de Curitiba, a Colorado — símbolo de resistência e pioneirismo no estado.
O Coicca nasceu de um esforço coletivo, reunindo diferentes vozes e trajetórias: o artista Leo Fé; a artista, liderança, ativista e pesquisadora Jay de Oyá; e a professora e pesquisadora Juliana dos Santos Barbosa. A coordenação ficou a cargo do Departamento de Comunicação da UFPR, em parceria com o Movimento de Assessoria Jurídica Universitária Popular Isabel da Silva, com apoio da Fundação da Universidade Federal do Paraná.
Ao final, o que ficou não foi apenas a memória de um congresso, mas a certeza de que o samba segue vivo — como expressão de luta, alegria e pertencimento — ecoando em cada tambor, em cada verso e em cada história compartilhada.

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