Obra reúne 170 mil palavras da língua portuguesa usadas na Idade Média

A Fundação Casa de Rui Barbosa lançou um vocabulário listando palavras da língua portuguesa usadas na Idade Média e as relacionando com suas correspondentes atuais. O Vocabulário do Português Medieval demorou 35 anos para ser preparado e publicado. Utilizada em Portugal e na região espanhola da Galícia, entre os séculos 13 e 15, a obra conta com 170 mil verbetes.
O trabalho começou em 1979, com o lexicógrafo Antônio Geraldo da Cunha, do Setor de Filologia da Casa de Rui Barbosa, instituição vinculada ao Ministério da Cultura. “Ele arrebanhou uma quantidade de manuscritos de uma língua falada entre a Galícia e Portugal. Com esse repertório, é possível retratar o processo de consolidação da língua portuguesa”, disse o diretor do Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa, José Almino de Alencar. “Entre o latim romano e o português, a língua atravessou uma grande história. É um dos momentos dessa história desconhecida que está retratado no vocabulário.”
Além do desafio de recolher os vocábulos em documentos antigos, trabalho que levou alguns anos, os pesquisadores tiveram dificuldade para levá-lo ao público. A primeira tentativa foi em 1984, quando os pesquisadores, tentando conseguir patrocínio, publicaram um fascículo-amostra. Sem sucesso, houve uma adaptação da obra, publicada, em partes, entre 1986 e 1994.
Em 1999, todo acervo de pesquisa foi digitalizado, o que possibilitou a publicação do material no ano seguinte, como um CD-ROM (disco multimídia usado em computadores). Uma atualização, ainda em CD-ROM, foi publicada em 2007. Somente sete anos foi publicado o vocabulário, em dois volumes e mil exemplares.
O material será distribuído a bibliotecas e universidades do Brasil, Portugal, Espanha, França, Alemanha e Estados Unidos. “Não tínhamos nada publicado com essa densidade [sobre a origem da nossa língua]. Esperamos que a obra seja um ponto de demarcação para estudiosos da nossa língua e também de inspiração para outros países se debruçarem sobre suas próprias”, ressazltou a ministra da Cultura, Marta Suplicy, presente à solenidade.

Compartilhar:

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*