O Papel Social dos Cassinos – História

 

 In: Diário Carioca, 30/04/1946

 

Proibição do jogo e fechamento dos cassinos 

 

 

O Diário Carioca, em artigo publicado no dia 30/04/1946, posiciona-se, claramente, contra a extinção dos jogos no Brasil. Diante da falta de lugares de entretenimento para a família, o redator considera que os cassinos eram o único reduto de “diversão e cultura” da Capital Federal. Considera também que os cassinos contribuíam muito para a economia local, pois com o fechamento dos que funcionavam em Copacabana, o volume de negócios do bairro teria sido reduzido em 20%.

Durante o Estado Novo (1937-1945), os cassinos funcionavam livremente. Pelos salões do famoso Cassino da Urca, situado no bairro de mesmo nome, na Capital Federal, desfilavam, todas as noites, embaixadores, ministros, parlamentares, militares de altas patentes, além dos mais celebrados artistas, homens de negócios, intelectuais e turistas. Enfim, por ali passava o “grand monde”, a elite em busca de distração e os aventureiros de todas as nacionalidades, viciados ou não em jogos de azar. Joaquim Rolla, empresário do ramo e considerado o grande magnata da era do jogo, prosperou em estreita ligação com o regime. Dona Darcy Vargas, a primeira-dama, foi a maior patrocinadora de eventos e festas no Cassino da Urca, estabelecimento que, no ano em que foi fechado, atingia o faturamento diário de 800 mil cruzeiros, o que, a preços de época, correspondia ao valor de quase 30 automóveis importados! A Capital Federal chegou a ter em torno de 1.200 casas de jogos; e, em todo o Brasil, eram famosos os grandes cassinos, como o do Copacaban Palace, o de Niterói, o do Hotel Quitandinha, em Petrópolis, o de Belo Horizonte e o de Caxambu, em Minas Gerais, além de muitos outros. Em 30/04/1946, o Presidente Gaspar Dutra assinou o decreto que tornava o jogo ilegal. Os cassinos foram fechados e encerrada a era das grandes produções de espetáculos exibidos ali.

 

Bibliografia 

NORONHA, Luiz.

 

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