Novo velho prêmio para a literatura brasileira

 

 

 

 

 

Em 1997, o Prêmio Nestlé de Literatura foi responsável pela mais alta soma já paga a escritores no país: R$ 270 mil. Aquela sua sétima edição, no entanto, que entre outros autores premiou o poeta Manoel de Barros com seu “Livro sobre nada”, foi também a última. Para alegria de autores consagrados e estreantes, porém, uma nova versão do Nestlé será lançada hoje à noite, em cerimônia realizada no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, no Rio.

 

O Nestlé está voltando com uma série de mudanças, a começar pelo valor menor do prêmio, que agora vai também contemplar um único livro. E, diferentemente das edições anteriores, que premiavam textos inéditos, desta vez poderão ser inscritas somente obras publicadas em 2004.

 

Projeto pedagógico de fomento à leitura

Além de receber R$ 55 mil, o autor do melhor romance publicado no ano passado terá sua obra divulgada no projeto educativo Viagem Nestlé pela Literatura 2006. Isso significa que o romance será editado numa tiragem de pelo menos 30 mil exemplares e distribuído para as escolas inscritas no projeto.

 

— A volta do Prêmio Nestlé de Literatura vem fechar um ciclo que nós começamos na década de 80. Com isso, resolvemos também uma inquietação que tínhamos com relação à tiragem do livro — explica Francisco Garcia, diretor da Fundação Nestlé de Cultura. — Estávamos ansiosos para voltar. É muito importante fechar esse ciclo.

 

O concurso Viagem Nestlé de Literatura foi criado em 1999, após a constatação que as obras vencedoras do prêmio literário — que, além da recompensa financeira, também eram publicadas — vinham tendo um número pequeno de vendas, e de leitores. Os títulos começaram sendo editados numa tiragem de cinco mil exemplares, passaram para três mil e depois para mil. O prêmio foi suspenso por um período e os esforços da fundação foram direcionados para o lançamento do projeto pedagógico de fomento à leitura. O Viagem Nestlé pela Literatura é dirigido a estudantes do ensino médio e da oitava série do ensino fundamental, de escolas públicas e particulares.

 

Um dos autores já contemplados com o Nestlé foi Marçal Aquino, vencedor, na categoria contos, com “As fomes de setembro”, em 1991. O escritor, que vinha tentando publicar sua obra há anos, conta que o prêmio foi fundamental para a sua literatura.

 

— Ele foi importante porque atribuía um valor considerável, e a grana é bacana, como se sabe, mas principalmente porque garantiu a publicação do livro. E a Nestlé comprava metade da primeira edição para distribuição a bibliotecas — diz Marçal. — O prêmio em si tinha muito prestígio, é bom não esquecer. O júri de contos que me premiou tinha João Antônio, Loyola, Moacyr Scliar, Bella Jozef. Que escritor não ficaria feliz?

 

Este ano o livro premiado será um romance, mas a idéia é abranger outros gêneros nas próximas edições. Apenas um autor será escolhido a cada edição do prêmio, que não tem sua periodicidade definida. Sua coordenadora, Adriana Ribeiro, explica que se ele tivesse tantas categorias quanto em 97, quando foram prestigiados seis autores, o prêmio acabaria inviabilizando o projeto educativo:

 

— Com o desenvolvimento do Viagem Nestlé pela Literatura estamos num outro patamar. Estamos no momento de fomentar a formação do leitor através desse incentivo à produção literária.

 

As inscrições para o prêmio vão de hoje até o dia 30 de setembro e o regulamento está disponível no site www.nestle.com.br/literatura.

 

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