Compositor, cantor, dirigente cultural e uma das figuras marcantes do Carnaval curitibano, Nelson Santos celebra 92 anos de vida nesta sexta-feira, 11 de setembro
Curitiba – 11 de setembro de 2026. Hoje é dia de celebrar a vida e a trajetória de um homem que ajudou a escrever importantes páginas da cultura popular de Curitiba. Nelson Santos, nascido em 11 de setembro de 1934, completa 92 anos, carregando uma história construída entre o samba, a música, a cultura e as amizades que cultivou ao longo de décadas.
Compositor, cantor, dirigente e homem de Carnaval, Nelson Santos tornou-se um dos personagens conhecidos dos bastidores e das avenidas onde o samba curitibano ganhou voz, cores e identidade. Sua trajetória está ligada a diferentes momentos da história carnavalesca da capital paranaense, especialmente entre as décadas de 1970, 1980 e 1990.
Os primeiros passos e a paixão pelo samba
Desde jovem, Nelson Santos aproximou-se da música e do Carnaval. Ao longo dos anos, passou a atuar não apenas como compositor, mas também como alguém envolvido diretamente na organização e no desenvolvimento das manifestações culturais da cidade.
Sua produção como compositor deixou marcas em diversas escolas de samba. Registros da imprensa da época mostram seu nome associado a sambas-enredo de agremiações tradicionais de Curitiba.
Em 1985, por exemplo, a imprensa registrava que a Mocidade Azul levaria para a avenida um enredo sobre a história de Curitiba com música composta por Nelson Santos.
Dois anos depois, em 1987, seu nome voltava a aparecer entre os compositores do Carnaval curitibano. O samba-enredo “Sonhar (Direito Popular)”, da D. Pedro II, foi composto por Nelson Santos e seria interpretado por Orminda Rosa.
Esses registros ajudam a dimensionar a presença do compositor em uma época em que os sambas-enredo eram parte fundamental da identidade das escolas.
Um homem que viveu o Carnaval por dentro
Nelson Santos não ficou restrito à criação musical. Sua atuação também se estendeu à organização do Carnaval.
Em 1989, o jornalista Aramis Millarch registrou Nelson Santos entre os personagens importantes daquele Carnaval curitibano, destacando sua longa experiência e sua participação na produção dos sambas-enredo. O nome de Nelson aparece associado às atividades administrativas e à organização da festa naquele período.
Era um tempo em que o Carnaval de Curitiba mobilizava escolas, blocos, músicos, dirigentes, artistas e comunidades inteiras. Nelson Santos estava entre aqueles que ajudavam a fazer essa engrenagem funcionar.
A cultura para além do Carnaval
A história de Nelson Santos, entretanto, não se resume ao samba.
Entre 1980 e 1982, ele foi coordenador do Circo da Cidade, importante projeto cultural de Curitiba. Documentos preservados pela Fundação Cultural de Curitiba registram sua participação naquele período e reproduzem depoimento concedido pelo próprio Nelson em 2016.
O Circo da Cidade percorria diferentes bairros, levando espetáculos, música, teatro, atividades recreativas, oficinas e outras manifestações culturais para comunidades curitibanas. Nelson acompanhou esse processo e ajudou a ampliar a diversidade de atrações oferecidas à população.
Essa passagem revela outra dimensão de sua personalidade: a de um produtor e articulador cultural preocupado em levar a arte para além dos espaços tradicionais.
Nelson Santos e Cláudio Ribeiro: uma amizade construída na cultura
Entre as relações que fazem parte da trajetória de Nelson Santos está sua amizade e parceria com Cláudio Ribeiro.
Mais do que uma simples convivência, essa relação representa também um encontro de pessoas ligadas à cultura, à música, ao Carnaval e à vida artística de Curitiba.
Ao longo dos anos, amizades como essa ajudaram a construir uma rede de colaboração que manteve vivas histórias, personagens e tradições que muitas vezes não aparecem nos grandes livros, mas permanecem na memória daqueles que viveram o Carnaval curitibano.
Nelson e Cláudio fazem parte dessa memória afetiva de uma Curitiba que tinha no samba, nas escolas e nos encontros culturais importantes espaços de convivência e expressão popular.
Uma trajetória marcada pela criação
Quando se olha para a trajetória de Nelson Santos, chama atenção a variedade de funções que exerceu.
Ele foi compositor, cantor, dirigente, coordenador e articulador cultural. Mas, acima de qualquer título, permaneceu ligado à cultura popular.
Seu nome aparece em diferentes momentos dos registros históricos do Carnaval de Curitiba. Sambas de sua autoria foram levados para a avenida por escolas tradicionais, enquanto sua atuação administrativa o colocou também entre os responsáveis pela organização da festa.
Em 2016, já aos 81 anos, Nelson ainda contribuiu para a preservação da memória cultural da cidade ao prestar depoimento para pesquisadores responsáveis pelo levantamento histórico do Circo da Cidade.
uma cronologia de Nelson Santos
- 11 de setembro de 1934 — Nasce Nelson Santos.
- Décadas de 1950 e 1960 — Aproxima-se da música, do samba e das manifestações culturais que marcariam sua trajetória.
- Décadas de 1970 e 1980 — Consolida sua atuação como compositor e participante ativo do Carnaval de Curitiba.
- 1980 a 1982 — Atua como coordenador do Circo da Cidade, projeto cultural itinerante de Curitiba.
- 1985 — Tem samba de sua autoria levado pela Mocidade Azul para o Carnaval de Curitiba.
- 1986 — Seu trabalho continua presente no Carnaval curitibano, com referências à sua produção musical para as escolas.
- 87 — Compõe o samba-enredo “Sonhar (Direito Popular)”, da D. Pedro II.
- 1989 — É citado nos registros de Aramis Millarch como um dos personagens ligados à organização e aos sambas-enredo do Carnaval curitibano.
- Década de 1990 — Continua ligado ao Carnaval e à cultura popular de Curitiba.
- 2016 — Presta depoimento à pesquisa histórica sobre o Circo da Cidade, contribuindo para preservar a memória cultural de Curitiba.
- 11 de setembro de 2026 — Nelson Santos completa 92 anos.
92 anos de uma história que merece ser lembrada
A história de Nelson Santos é também parte da história cultural de Curitiba.
Sua contribuição atravessa gerações e reúne música, Carnaval, cultura popular, organização comunitária e amizade. É a história de alguém que não ficou apenas assistindo à cultura acontecer: participou dela, ajudou a organizá-la e colocou sua criatividade a serviço dela.
Neste 11 de setembro, aos 92 anos, Nelson Santos merece o reconhecimento daqueles que conhecem sua trajetória e daqueles que ainda estão descobrindo os personagens que ajudaram a construir o Carnaval e a cultura de Curitiba.
E entre as muitas lembranças dessa caminhada está também a amizade e parceria com Cláudio Ribeiro, companheiro de uma trajetória feita de música, encontros, histórias e paixão pela cultura.
Parabéns, Nelson Santos, pelos 92 anos.
Que a memória do samba continue contando a história daqueles que ajudaram a construir sua história.
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