O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) participou do 26º Festival da Quitanda, nos dias 16 e 17 de maio de 2026, em Congonhas (MG). O ofício das quitandeiras está na fase processo de instrução técnica do processo de reconhecimento como patrimônio cultural imaterial brasileiro, conduzido em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).
No dia 16 de maio, das 15h às 16h, o Iphan integrou o painel temático “O processo de reconhecimento do patrimônio cultural imaterial no Brasil”, com a participação da representante do Departamento do Patrimônio Imaterial (DPI) Marina Lacerda e da superintendente do Iphan em Minas Gerais, Tainah Leite. O debate reuniu ainda representantes da Prefeitura de Congonhas e busca promover reflexões qualificadas sobre a importância da salvaguarda dos modos de fazer tradicionais, ampliando o diálogo entre poder público, comunidade detentora e instituições de preservação.
O processo de registro de um patrimônio cultural imaterial no Iphan divide-se nas seguintes etapas:
- Abertura do processo: envio de um pedido formal, datado e assinado para o Instituto;
- Análise técnica preliminar: verificação da documentação exigida;
- Fase de instrução técnica: uma equipe especializada realiza a pesquisa etnográfica para produzir o dossiê do registro e materiais audiovisuais da manifestação cultural;
- Análise técnica: elaboração de parecer técnico; elaboração do parecer jurídico; e, por fim, parecer do conselheiro relator;
- Decisão final: os produtos da fase anterior são enviados ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, o qual votará o deferimento do pedido de registro; e
- Reavaliação decenal: etapa que ocorre a cada dez anos para verificar a permanência dos valores que justificaram o registro.
Além do painel, o festival contou com ações formativas — incluindo rodas de conversa, quitandas show e outros painéis temáticos —, reforçando a dimensão educativa e patrimonial do evento.
Saberes que se passam adiante
Antes de chegar à mesa, a quitanda mineira passa pelas mãos de mulheres que aprenderam a fazer biscoitos, broas, bolos e rosquinhas da mesma forma que aprenderam a falar: ouvindo, observando, repetindo. As receitas não estão só em livros — estão na memória, no gesto, na conversa ao pé do fogão entre mãe e filha, avó e neta.
A própria palavra “quitanda” carrega uma história de travessias. Derivada de kitanda, do quimbundo — língua falada em Angola —, o termo significa “tabuleiro”, “feira” ou “mercado”. Em Minas Gerais, ganhou sentido próprio: passou a designar tudo aquilo que se serve com o café — roscas, sequilhos, broas de milho e o cubu, quitanda típica preparada com fubá, açúcar, erva-doce e cravo, assada sobre folha de bananeira. São as quitandeiras as guardiãs desse saber, referências vivas da cultura alimentar mineira e protagonistas do festival.
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