HOMERO LUIZ RÉBOLI (1947 – 2018)

Homero Luiz Réboli nasceu em 19 de setembro de 1947, em Curitiba, no bairro do Juvevê. Filho de Nair Pereira dos Santos Réboli e de Luiz Regino Réboli, ambos funcionários públicos federais. Seu pai, entre as décadas de 30 e 40, atuou como jogador oficial do Coritiba Foot Ball Club com o nome de Hygino.

Precocemente, Homero se envolveu com a arquitetura através de livros.
Ainda criança, pesquisava sobre a Grécia Antiga, apaixonado pelos monumentos e obras greco romanos. Assim, surgiu sua admiração pela arquitetura, levando-o a ingressar no Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná, no ano de 1968. Enquanto estudava arquitetura, em 1970, casou-se com a professora e museóloga Eliana Moro, com quem teve três filhos: Alessandro, Cristiano e Giuliano. Em 1973, concluiu o curso superior iniciando seus passos como arquiteto, exercendo a profissão até o fim dos seus dias.

Na arquitetura, Homero desenvolveu mais de mil projetos para clientes em Curitiba e Região Metropolitana, além de outros em cidades no estado do Paraná e de Santa Catarina, destacando-se uma gama de projetos residenciais e comerciais, como restaurantes, hotéis, escolas, praças públicas, hospitais, edifícios corporativos, farmácias, e igrejas.

Paralelamente, a música se fez presente na sua vida. Ainda jovem, na década de 60, participou de programas de calouros em rádios e tvs locais. Formou a banda “The Marvels” para tocar em bailes e festinhas para jovens daquela época. Foi com a banda que Homero participou da apresentação do Rei Roberto Carlos e sua Jovem Guarda no Teatro Guaíra ainda em construção.

Na antiga Escola Técnica, CEFET, hoje Universidade Tecnológica do Paraná, exerceu por 30 anos sua outra grande paixão, o magistério. Atuou nessa entidade de ensino como professor do curso técnico de Edificações de 1968 até 1998, criando ali grande empatia com alunos de muitas gerações. Além das aulas ministradas, realizou shows e palestras sobre Música, História da Arte e da Civilização, e o Poder da Criação, para auditórios lotados de alunos e seguidores.

Curiosamente, foi na antiga Escola Técnica, na década de 80, que Homero descobriu o aluno Reinaldo de Carvalho, o “Bola”, incentivando-o a se tornar Rei Momo do carnaval curitibano. Tempos depois, o aluno “Bola” prosseguiu por nove anos sua carreira promissora de Rei Momo no badalado Carnaval do Rio de Janeiro.

Em 1974, Homero Réboli conheceu seu grande parceiro musical, o poeta, jornalista e comunicador Cláudio Ribeiro. Juntos compuseram centenas de músicas, formando um público fiel que os acompanhou em toda sua trajetória. Foi por intermédio do jornalista e crítico de arte, Aramis Millarch, que a dupla foi apresentada a artistas renomados da MPB, dentre eles Elis Regina, Beth Carvalho, Gonzaguinha, Fafá de Belém, Lecy Brandão, Lúcio Alves, Joel do Bandolim, além de ícones da velha guarda do samba nacional, como Claudionor Cruz e o grande mestre Cartola, que se impressionaram com a qualidade de produção musical dos compositores expoentes. Em parceria com Cartola, A dupla compôs o samba “Um Perdão Para Mim “.

Em 1977, junto com o parceiro Cláudio, Homero participou do Concurso de Samba Enredo na quadra da Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro, de onde saíram vencedores. Foram recebidos honrosamente pela diretoria da escola que os convidou para participar da sua Ala de Compositores em desfile na Sapucaí.

Em Curitiba, a participação de Homero Luiz Réboli nos carnavais oficiais da cidade foi marcante desde a década de 70. Destacou-se como um grande carnavalesco local, contribuindo com autoria de sambas enredos das principais escolas de samba de Curitiba, como a Colorado, Sapolândia, Não Agite e Embaixadores da Alegria, dos saudosos Delci e Edison D’Ávila. Nesses sambas, realizou parcerias com Maé da Cuíca, Julinho, Glauco Souza Lobo, e outros carnavalescos importantes da cidade. Nessa trajetória de sambista, foi presidente da escola de samba Sapolândia. Atuou ainda como “puxador de samba” em desfiles, e jurado na avenida. Da mesma forma, participou de escolas de samba do carnaval de Antonina.

Com uma carreira musical intensa, realizando diversas apresentações locais, Homero gravou seu primeiro disco em vinil, de título “Água santa “. Mais tarde gravou o segundo álbum em CD, o “Ilha Azul”, com as principais composições da carreira. Foram mais de 50 anos como músico e incentivador da MPB no cenário artístico paranaense.

“Coxa-branca” apaixonado, Homero nunca deixou de lado seu grande amor pelo clube de coração, o Coritiba Foot Ball Club. Em 1999, em parceria com o amigo Claudio Ribeiro, participou do concurso para escolha do Hino Oficial do clube. Concorrendo com mais de 120 composições, sendo que, após a classificação em três fases eliminatórias, se sagraram vencedores. Atualmente, a canção oficial é ovacionada pela torcida coxa-branca. No Museu do Futebol em São Paulo, o hino encontra-se exposto entre os principais hinos de clubes do futebol brasileiro.

Para Homero, a relação entre a música, a arquitetura e o magistério ia de encontro aos elementos de criação, sensibilidade e teoria, em uma triangulação artística, com um requintes de imensa espiritualidade, mas com certa percepção de racionalidade, que se fez presente em toda a sua vida. Quem conhecia Homero Réboli, enxergava nele a perfeita harmonia e o entrelaçamento destas áreas, às quais se dedicava a amar e respeitar e, pode afirmar com convicção, que ele viveu para a Arte.

Homero Luiz Réboli faleceu subitamente em Curitiba, no dia 6 de junho de 2018, aos 70 anos, deixando um grande legado criativo para o estado do Paraná.

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