“Feito Pipa” é escolhido para representar o Brasil no Oscar 2027

 

Longa de Allan Deberton, ambientado no sertão cearense, foi selecionado entre 15 inscritos e estreia no país em 5 de novembro

O cinema brasileiro volta a disputar uma vaga no Oscar. “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, foi escolhido nesta quarta-feira (16) pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país na disputa por uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027. O longa foi selecionado entre 15 filmes inscritos e chegou à etapa final ao lado de outras cinco produções.

A escolha coloca o filme na primeira etapa do processo que poderá levá-lo à premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. A seleção brasileira, porém, não representa uma indicação ao Oscar. A relação de concorrentes será anunciada em 21 de janeiro de 2027, enquanto a cerimônia está prevista para 14 de março.

“Feito Pipa” estreia nos cinemas brasileiros em 5 de novembro.

Filme é ambientado no sertão do Ceará

Ambientado em Quixadá, no sertão cearense, “Feito Pipa” acompanha Gugu, personagem interpretado por Yuri Gomes, um menino de 12 anos que gosta de futebol e dança e vive com a avó, Dilma, interpretada por Teca Pereira.

A trama se desenvolve a partir da fragilização da saúde da avó e da possibilidade de Gugu deixar a casa onde cresceu para morar com o pai, Batista, vivido por Lázaro Ramos.

O roteiro é assinado por Allan Deberton e André Araújo e parte de memórias de infância dos dois autores no interior do Ceará. A produção utiliza como cenário a cidade de Quixadá e tem entre seus temas, segundo a divulgação do filme, relações familiares, infância, identidade e pertencimento.

Gugu é apresentado como uma criança que transita entre interesses como futebol, dança e maquiagem. A história acompanha sua relação com a família e as circunstâncias que podem provocar uma mudança em sua vida.

Relação entre avó e neto conduz a trama

A relação entre Gugu e Dilma ocupa lugar central na história. Com o agravamento da saúde da avó, o garoto procura preservar a rotina dos dois e evitar a possibilidade de separação.

O conflito familiar envolve também Batista, pai de Gugu, que passa a integrar de maneira mais direta a vida do filho diante da nova situação.

Segundo a presidente da comissão responsável pela escolha brasileira, Clélia Bessa, a produção reúne uma história que considera sensível e universal e, ao mesmo tempo, mantém uma identidade vinculada ao interior do Ceará.

A comissão avaliadora foi responsável por analisar os 15 filmes inscritos e definir o representante brasileiro na disputa internacional.

Carreira começou antes da escolha brasileira

“Feito Pipa” já havia participado de festivais internacionais antes de ser escolhido pela Academia Brasileira de Cinema.

A estreia mundial ocorreu em fevereiro, no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Na mostra Generation Kplus, o longa recebeu o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional.

No Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias, Yuri Gomes recebeu o prêmio de Melhor Interpretação na mostra Cine de los Barrios. Em Guadalajara, no México, o filme conquistou o Prêmio Maguey de Melhor Filme, enquanto Teca Pereira e Yuri Gomes também receberam reconhecimentos por suas atuações.

No Brasil, “Feito Pipa” participou da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, onde recebeu quatro Kikitos: Melhor Direção, para Allan Deberton; Melhor Atriz, para Teca Pereira; Melhor Ator Coadjuvante, para Lázaro Ramos; e Melhor Filme pelo Júri Popular. Yuri Gomes recebeu ainda uma Menção Honrosa.

O que está em jogo no Oscar

A indicação brasileira inicia agora uma segunda etapa, que depende da avaliação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Filmes escolhidos por seus respectivos países passam por um processo internacional de seleção até a definição dos indicados à categoria de Melhor Filme Internacional.

Para “Feito Pipa”, a trajetória em festivais e os prêmios obtidos anteriormente passam a integrar o histórico da produção na campanha internacional, mas não garantem sua presença entre os indicados.

Brasil chega à disputa após dois anos de destaque

A escolha acontece depois de duas participações recentes de destaque do cinema brasileiro no Oscar.

Em 2025, “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, tornou-se o primeiro filme brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional. No Oscar 2026, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, voltou a representar o país na categoria.

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