Exposição de obras de Frida Kahlo na Espanha causa polêmica no México

 

Movimentos culturais questionam saída dos quadros do país, ainda que temporariamente. Presidente Claudia Sheinbaum defendeu o acordo e afirmou que os trâmites são legais

A estadia de parte das obras da artista plástica Frida Kahlo na Espanha gerou reação negativa de movimentos culturais do México. Prevista para julho, a saída dos quadros é parte de um acordo entre a família proprietária e o Banco Santander, para expô-las fora do país até 2028.

A notícia foi publicada há poucos dias pelo jornal The New York Times. As obras são de propriedade de uma rica família de industriais locais, a Zambrano.

Segundo a publicação, “o acordo de transferência do acervo, originalmente reunido por Jacques e Natasha Gelman, casal glamoroso de imigrantes da Europa Oriental, irritou a elite cultural local, que afirma que a decisão privará os mexicanos de um tesouro artístico e viola as regras de patrimônio cultural que proíbem que obras importantes deixem o país por longos períodos”.

Uma carta assinada por 380 acadêmicos, artistas e outros nomes do meio cultural pediu explicações ao governo da presidente Claudia Sheinbaum. “Toda uma geração no México foi privada da presença pública permanente que os proprietários originais idealizaram para esta coleção”, afirma o grupo em um dos textos divulgados na plataforma e-flux.

Na semana passada, a presidente defendeu o acordo e afirmou que os trâmites seguem dentro da legalidade. Além disso, autoridades do governo lembraram que a transferência do acervo tem caráter temporário.

Nascida em 1907 e falecida em 1954, Frida Kahlo é um dos maiores nomes da arte mexicana e mundial. Com uma visão aguda sobre suas próprias dores — resultantes de um grave acidente de ônibus que sofreu aos 18 anos —, militante de esquerda e feminista, Frida se tornou símbolo da luta das mulheres por liberdade e igualdade.

Foi casada com Diego Rivera, muralista mexicano com quem teve um relacionamento conturbado, e viveu um breve romance com Leon Trótski, durante exílio do russo no país.

Entre algumas de suas obras mais emblemáticas estão “As Duas Fridas”, “A Coluna Partida” e “Viva a Vida”, sua última obras.

Em reportagem publicada pela BBC Brasil, a professora da Universidad Autónoma Metropolitana de Xochimilco, Eli Bartra, autora de Frida Kahlo. Mujer, ideología, arte, destacou que “Kahlo reúne em uma só pessoa e obra vários elementos que contribuíram para que sua imagem se tornasse um mito: o exótico, o mundo subdesenvolvido como pano de fundo e o ser mulher, além de um talento plástico inegável e original”.

Com agências

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