ESPEDITO ROCHA é internado.

espeditpO dirigente comunista e artista plástico Espedito Rocha foi internado no último sábado no Centro Médico Nossa Saúde, na Rua Alcides Munhoz, esquina com Manoel Ribas, Curitiba, onde permanece até o dia de hoje, para tratar de complicações decorrentes do câncer pulmonar contra o qual vem lutando por mais de um ano.
O seu estado de saúde é grave e inspira cuidados, permanece consciente e recebendo visitas dos amigos.

Espedito Rocha começou a fazer esculturas na infância. O caçula de nove irmãos, acompanhava os pais Caetano e dona Maria Rosa na lavoura, e foi lá, na macaxeira, que as primeiras formas foram esculpidas. Ele não queria ser lavrador, então saiu à procura de outra profissão. Com 12 anos, Espedito já era sapateiro. Nesta época descobriu sua afinidade pela madeira consertando santos quebrados na sapataria do santeiro Mané Imaginaro. A técnica Espedito foi construindo de forma autodidata e sua alfabetização foi no mundo. Ele estudou até a quarta série.

Da infância guarda lembranças que o marcaram profundamente. O garoto, que viu o pai sair para votar, estranhou a apreensão da família, lá em Pernambuco nos anos 30. “O pai vai votar e quem vota contra o governo, eles matam” contou a tia. O garoto só sossegou depois que o pai voltou para casa. “Foi aí que me tornei um homem político, contra tudo o que é poderoso”, explica Espedito que se filiou ao Partido Comunista em 1938 e se tornou dirigente do partido em 1967. Preso e torturado, após 100 dias de prisão foi internado em um hospital, de onde fugiu.

O partido abrigou Espedito em São Paulo, na casa de um casal de professores que foi estudar no exterior. Sindival Rodrigues Martins, o dono, fazia esculturas de madeira que ficavam inacabadas. Espedito, resolveu terminar as esculturas do jeito dele e quando Martins voltou de viagem, espantado com o talento do hóspede, não perdeu tempo e o apresentou a Pietro Maria Bardi que foi organizador e autor do texto da primeira exposição de Espedito Rocha, que aconteceu em 1980 no SESC do Carmo na capital paulista.

“Espedito Oliveira da Rocha é um desses homens que desafiam as injunções próprias de quem é ligado ao mundo do trabalho. Na cartilha mais difícil, aprendeu a vida por ela própria. Transformou em poema de aroeira, peroba e cedro tudo o que viu e viveu”, relata Pietro Maria Bardi em 1980.

Seis anos depois, foi convidado oficial do governo Gorbatchev para ir, na época, à União Soviética. “Eu nem imaginava o prestigio que tinha”, lembra. Em vez do discurso político, usou a arte para expor a revolta contra o que considera injusto. Esculturas como “Boia-fria em Curitiba” e “Retirantes” demonstram o cansaço pelo trabalho pesado e pela vida difícil. Ele se afastou da política, mas ainda recebe muitas visitas de políticos. “Converso mas não dou opinião. Chega uma idade em que a gente não tem o direito de errar porque não dá tempo de recuperar o erro”, comenta.

Espedito completou 88 anos e dá à exposição no Palacete dos Leões – Espaço Cultural BRDE o nome de sua neta mais nova, Luisa Morena. Uma de suas obras – Amigos – faz parte do acervo do BRDE. Uma das poucas obras com título. “Se eu der nome às esculturas a tendência é que o público tenha a mesma visão que eu. Cada um deve estar livre para imaginar e entender o que quiser de acordo com a sua vivência”, analisa.

As esculturas são “leves”, segundo o artista. A técnica de retirar o miolo nasceu por acaso. “Um dia fui expor na Biblioteca Pública e vi os artistas com o trabalho embaixo do braço. Eu tive que levar em uma Kombi. Depois disso resolvi fazer escultura leve”, diz. Espedito tem grande apego por suas obras. “Algumas eu faço e dou de presente, mas aquelas que eu mais gosto são as que eu coloco o preço mais alto, justamente para que ninguém compre”, conta em meio a risos.

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