Livro aborda a educação musical não formal como ferramenta de inclusão, autonomia e qualidade de vida para pessoas idosas
A educação musical vai muito além do aprendizado de ritmos, melodias e instrumentos. Ela pode se tornar um importante espaço de convivência, troca de experiências e fortalecimento dos vínculos sociais, especialmente entre pessoas idosas. Essa é a principal reflexão apresentada no livro Educação Musical Não Formal e as Interações Sociais de Pessoas Idosas: Um Olhar Bioecológico, de autoria de Lydio Roberto Silva, Valdomiro de Oliveira e Gislaine Cristina Vagetti, com organização de Luís Filippe Serpe e Juliana Moletta.
A obra analisa as interações sociais de indivíduos com 60 anos ou mais que participam de atividades de educação musical em ambientes não formais, adotando uma perspectiva sistêmica que considera a influência dos aspectos históricos, sociais e culturais no desenvolvimento humano.
O estudo fundamenta-se na Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano, proposta pelo psicólogo Urie Bronfenbrenner, que compreende o desenvolvimento como um processo contínuo e dinâmico. Segundo essa abordagem, a evolução das pessoas ocorre por meio da interação entre características individuais, relações cotidianas, ambientes sociais e o contexto temporal em que vivem.
Para compreender esse universo, o livro apresenta capítulos dedicados à caracterização da pessoa idosa e da educação não formal, às atividades musicais desenvolvidas nesses espaços, às interações sociais promovidas pela música, além de discutir o modelo bioecológico de Bronfenbrenner e o pensamento sistêmico. A publicação também traz uma pesquisa de campo que permite observar, na prática, como essas experiências impactam a vida dos participantes.
A temática ganha relevância diante do envelhecimento populacional e da necessidade de ampliar o olhar sobre a velhice. Os autores destacam a importância de reconhecer a pessoa idosa como protagonista de sua própria trajetória, capaz de aprender, produzir, criar e manter autonomia ao longo da vida.
Embora o tema seja atual e cada vez mais presente nos debates sobre educação e envelhecimento, ainda são escassos os estudos que integrem perspectivas educacionais e gerontológicas. Nesse contexto, a obra contribui para ampliar a discussão sobre o papel da educação musical não formal como instrumento de desenvolvimento humano, inclusão social e promoção do bem-estar na terceira idade.
Ao evidenciar a música como espaço de encontro e construção de relações significativas, o livro reforça que o envelhecimento pode ser vivido de forma ativa, participativa e enriquecedora, valorizando as potencialidades e experiências acumuladas ao longo da vida.
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