Uniforme resgata a identidade de Curitiba, incorpora elementos da obra do artista e utiliza expressão eternizada no hino do clube
O Coritiba apresentou nesta terça-feira (18) seu novo terceiro uniforme, uma camisa que presta homenagem a um dos maiores nomes das artes visuais do Paraná: Poty Lazzarotto. A peça, produzida pela Diadora, integra a coleção “Pelo Mundo Vai Brilhar” e aproxima dois elementos profundamente ligados à identidade curitibana: a arte e o futebol.
Mais uma vez, o clube recorre a uma expressão presente no hino oficial do Coritiba, de autoria de Cláudio Ribeiro e Homero Réboli. A frase “Palco de Artistas” serve de ponto de partida para a nova criação, que une a trajetória de Poty à história e à identidade do clube.
A relação de Cláudio Ribeiro com o Coritiba, porém, vai além da autoria do hino. Seu pai, [Ribeiro], foi atleta profissional do clube e integrou o time bicampeão paranaense de 1951 e 1952, reforçando a ligação da família com a história coxa-branca.
Segundo o clube, a nova camisa busca traduzir visualmente a relação do artista com Curitiba e com a própria torcida coxa-branca. O uniforme faz referência especialmente ao painel de Poty localizado na Praça 19 de Dezembro, no Centro da capital.
Estreia contra o Corinthians
A Camisa Poty fará sua estreia em campo no domingo (23), quando o Coritiba enfrenta o Corinthians, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida está marcada para as 19h30, no Couto Pereira.
O novo uniforme já está disponível nas lojas Coxa Store do Couto Pereira e do Shopping Palladium.
Preços:
- Masculina: R$ 439,99
- Feminina: R$ 429,99
- Infantil e juvenil: R$ 408,99
- Adulta de manga longa: R$ 489,99
Uma camisa inspirada em Curitiba
A escolha de Poty Lazzarotto para a terceira camisa não é apenas uma homenagem a um artista de projeção nacional. Nascido em Curitiba em 29 de março de 1924, Poty transformou a cidade em uma das principais referências de sua produção artística.
Seu nome de batismo era Napoleon Potyguara Lazzarotto. Filho de uma família de origem italiana, passou a infância e a adolescência na região do Capanema, próxima à estrada de ferro onde seu pai trabalhava como ferroviário.
Foi nesse ambiente que surgiu seu interesse pelo desenho. Ainda criança, Poty conviveu com o movimento do chamado Vagão do Armistício, restaurante que funcionava no terreno da família e recebia políticos, intelectuais e artistas.
O talento precoce abriu portas para sua formação. Em 1942, recebeu uma bolsa para estudar na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde também se aproximou da gravura. Quatro anos depois, foi para Paris com uma bolsa do governo francês e estudou litografia na École Supérieure des Beaux-Arts.
Ao retornar ao Brasil, construiu uma trajetória que passou pelo desenho, pela gravura, pela ilustração, pelo ensino e pelos grandes murais.
Um artista que ajudou a contar a história do Paraná
Poty ganhou reconhecimento nacional principalmente por suas gravuras e ilustrações. Seu traço forte e sintético tornou-se facilmente identificável e marcou livros, jornais e publicações de diferentes períodos.
O artista ilustrou obras de escritores como Guimarães Rosa, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha e Dalton Trevisan. Ao lado de Dalton Trevisan, também participou da Revista Joaquim, publicação que circulou em Curitiba entre 1946 e 1948 e teve papel importante na renovação cultural paranaense.
A presença de trabalhadores, ferroviários, imigrantes e personagens populares é uma das características de sua produção. Muitas dessas imagens nasceram das próprias experiências do artista e das lembranças da Curitiba que conheceu durante a infância.
A partir dos anos 1950, Poty ampliou sua atuação como muralista e passou a produzir obras no Brasil e no exterior. Entre os trabalhos estão painéis realizados em Paris e no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Poty morreu em 8 de maio de 1998, aos 74 anos.
Curitiba transformada em arte
A ligação entre Poty e Curitiba permaneceu presente durante toda a sua carreira. A cidade não foi apenas cenário para o artista, mas uma fonte constante de inspiração.
As lembranças dos ferroviários, dos imigrantes, das carroças, do Largo da Ordem e das mudanças urbanas foram incorporadas a desenhos, gravuras e painéis que hoje integram a paisagem da capital.
Entre suas obras mais conhecidas estão o painel da Praça 19 de Dezembro, produzido em 1953; “Teatro, a Música e a Dança”, instalado na fachada do Teatro Guaíra em 1988; o mural em azulejos “O Largo da Ordem”, de 1993; e “Imagens da Cidade”, de 1996, um mural cerâmico de 490 m² localizado na Travessa Nestor de Castro.
Dos 35 murais e painéis de Poty tombados como patrimônio histórico estadual no Paraná, 29 estão em Curitiba. A dimensão dessa presença ajuda a explicar por que sua obra se tornou parte da identidade visual da cidade.
Mais do que retratar Curitiba, Poty ajudou a construir uma forma de representar visualmente a história e os personagens da capital.
Detalhes da Camisa Poty
A nova camisa traz o azul como cor predominante, em tons inspirados no painel de Poty da Praça 19 de Dezembro. O local também tem uma relação especial com o Coritiba e com sua torcida, que já celebrou ali conquistas importantes, entre elas o título do Campeonato Brasileiro de 1985.
O uniforme de linha será utilizado com calção e meiões azuis, desenvolvidos especialmente para compor o terceiro fardamento.
Outro destaque está na parte traseira da camisa. Os nomes e números dos jogadores utilizam uma tipografia especial, criada para remeter aos traços característicos de Poty, como se fossem desenhados pelo próprio artista.
A homenagem também alcança os patrocinadores. A marca da JFK Investimentos, posicionada dentro dos números das camisas de jogo, recebe uma adaptação inspirada na tipografia característica da assinatura de Poty.
Versão para os goleiros
A homenagem também ganhou uma versão específica para os arqueiros. A camisa dos goleiros aparece em um tom mais escuro de cinza e mantém o padrão de jacquard presente no projeto.
O modelo conta ainda com detalhes em cinza e escudo em verde. Calção e meiões acompanham a mesma paleta.
Do museu ao estádio
Para o gerente de marketing e comunicação do Coritiba, Beto Matta, a nova camisa foi pensada para representar a ligação histórica entre o clube, Curitiba e sua produção cultural.
“Estamos muito felizes. A Camisa Poty é especial em cada detalhe. Nada nela é por acaso”, afirmou.
Segundo o dirigente, o projeto foi desenvolvido com atenção desde a concepção até a produção da peça, em parceria com a Diadora.
A homenagem, assim, ultrapassa a ideia de um novo uniforme. Ao levar para o campo referências de um artista que ajudou a construir a identidade visual de Curitiba, o Coritiba transforma a camisa em uma espécie de encontro entre memória, arte e futebol.
Da arte para o futebol. De Curitiba para o mundo.


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