Mesmo sob tempo instável, escolas de samba, blocos e artistas lotam as Ruínas de São Francisco em ato contra projeto que pretende barrar recursos públicos para a festa mais popular do país
Curitiba viveu neste domingo (26) uma poderosa demonstração de resistência cultural. Mesmo debaixo de chuva e com atraso no início da programação, centenas de pessoas — entre sambistas, artistas, integrantes de escolas de samba, blocos carnavalescos e apoiadores — ocuparam as Ruínas de São Francisco, no Centro Histórico, em um grande ato público em defesa do Carnaval curitibano e do samba local.
A mobilização foi convocada pela Frente Parlamentar do Samba, do Carnaval e das Políticas Culturais e ganhou força após um encontro realizado na quarta-feira (1º), na Câmara Municipal de Curitiba. A reunião reuniu vereadores, produtores culturais, representantes de blocos, escolas de samba e sambistas da cidade. Durante o debate, o jornalista e compositor Cláudio Ribeiro lançou a proposta de ocupar as ruas em defesa da cultura popular — ideia que rapidamente se transformou em manifestação.
Nem mesmo o mau tempo afastou o público. Com bandeiras, instrumentos e palavras de ordem, os participantes reforçaram a importância histórica, social e econômica do Carnaval para a capital paranaense. Para muitos presentes, a festa vai além da folia: representa geração de renda, turismo, inclusão social e valorização das tradições populares.
O protesto foi motivado pela tramitação de um projeto de lei na Câmara Municipal, de autoria do vereador Eder Borges (PL), que propõe proibir o uso de recursos públicos em qualquer atividade ligada ao Carnaval em Curitiba.
A proposta prevê restrições amplas: desde eventos de pré-Carnaval, ensaios e desfiles até financiamento de escolas de samba, compra de materiais, equipamentos, divulgação e pagamento de profissionais envolvidos nas apresentações. O texto também responsabiliza organizadores por eventuais danos ao patrimônio público e a terceiros em eventos realizados em ruas, praças e parques, além de prever fiscalização e penalidades por parte do município.
Defensores do projeto argumentam que os recursos públicos devem ser destinados prioritariamente a áreas essenciais, como saúde, educação e segurança. Já os manifestantes contestam a medida e afirmam que o Carnaval movimenta a economia criativa, fortalece comunidades e preserva expressões culturais históricas da cidade.
O projeto segue em tramitação e ainda deverá passar por novas discussões antes de uma eventual votação. Enquanto isso, nas ruas de Curitiba, o recado foi dado em alto e bom som: o samba segue vivo e disposto a lutar por seu espaço.
Postado por Léo Fé – Presidente do Bloco Boca Negra
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