Cheiro de e-book

Livro DigitalComo se empresta um livro virtual? Se o dono de um leitor digital morrer, quem herda sua biblioteca? O que acontece com as editoras regionais se uma grande editora estrangeira traduzir obras para outras línguas e as vender pela internet? Como fica o direito autoral na rede? Caso um e-book seja roubado ou se quebre, o acervo estará perdido? As livrarias físicas vão fechar como vem ocorrendo com as lojas de CD? Haverá vários padrões de livros digitais ou apenas um formato vai prevalecer? O livro em papel vai acabar? São muitas as perguntas e poucas as respostas trazidas pelo avanço dos e-books. Mas há a certeza de que a forma como se produz, comercializa e lê livros está mudando. As alterações se intensificaram com a chegada do Kindle, leitor digital da megastore Amazon, a mais de cem países no último dia 19. Antes restrito apenas aos EUA, o Kindle representa para os livros mais ou menos o que o iPod significa para a música: um aparelho que rapidamente virou objeto de desejo no mundo.

Além dele, outros leitores virtuais, como o Sony Reader e o recém-anunciado Nook, este lançado pela livraria americana Barnes & Noble, ajudam a aumentar a sensação de que o livro físico pode ser superado pelo virtual em breve.

– Faz tempo que o mercado brasileiro conversa sobre isso. Todos os editores tinham seu leitor digital, mas quase ninguém se aventurava em editar e-books porque não havia como vendê-los aqui. O lançamento do Kindle no Brasil, então, explodiu na nossa frente – diz a agente literária Lúcia Riff. – A sensação que eu tenho é que todos vão bater cabeça para saber o que fazer. E vão surgir duas editoras dentro de uma só: uma para o livro físico e outra para o virtual. Uma das graças do e-book é poder trazer conteúdo exclusivo, como um áudio do autor ou um vídeo acoplado.

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