Samba resiste e reage a ataques políticos em Curitiba

 

Audiência pública na Câmara expõe disputa cultural e mobiliza frente em defesa do carnaval

 

 

O encontro, realizado na noite de quarta-feira (1º) na Câmara Municipal, foi convocado pelo vereador Angelo Vanhoni e reuniu parlamentares, produtores culturais, sambistas e representantes de blocos e escolas de samba da cidade. Foi um momento marcante na reunião que reuniu sambistas, representantes das escolas, músicos e agentes culturais, promovendo um diálogo essencial sobre o fortalecimento do samba, do carnaval e das políticas culturais em nossa cidade.

 

⚖️ Pressão política e disputa de narrativas

 

A audiência foi motivada por uma sequência de episódios recentes que acenderam o alerta no setor cultural. Entre eles, destaca-se a retomada da proposta do vereador Eder Borges, de perfil alinhado à extrema direita, que prevê a retirada de recursos públicos destinados ao carnaval — medida considerada inconstitucional por membros da própria Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Os vereadores Camila Gonda e Lorens Nogueira, integrantes da comissão, já se manifestaram favoravelmente ao arquivamento da proposta, posicionamento que ganha força com a atuação firme de Giorgia Prates (Mandata Preta) e da Professora Angela.

 

Além disso, outro episódio gerou forte reação: uma audiência realizada na Assembleia Legislativa, organizada pelo deputado Tito, que promoveu o “carnaval rock” em contraposição ao carnaval de samba. Para os participantes da reunião na Câmara, a iniciativa representa uma tentativa de deslegitimar manifestações tradicionais da cultura popular.

 

🗣️ Cultura popular em defesa

 

Durante a audiência, vereadores presentes, representantes da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) — incluindo Jaciel — e integrantes de blocos e escolas de samba relataram dificuldades históricas enfrentadas pelo setor, agravadas pelo atual cenário político.

 

A audiência pública foi marcada por uma presença expressiva e combativa de valorosos companheiros e companheiras que fizeram uso da palavra com firmeza e consciência histórica. Entre as vozes que ecoaram em defesa da cultura popular estiveram Alexandre Vieira, Jay Ferreira, Vlad Urban, Jefferson Pires — presidente da Liga das Escolas de Samba de Curitiba —, Léo Fé, presidente do Bloco Boca Negra, e Adriano Esturilho, presidente do SATED/PR, entre tantos outros que reafirmaram, com orgulho, seu compromisso com o samba e as tradições carnavalescas da cidade.

Em um momento de tensionamento político e cultural, suas falas não apenas denunciaram as tentativas de desvalorização e retirada de recursos do carnaval de rua, mas também reforçaram a importância dessa manifestação como patrimônio vivo, espaço de resistência e expressão legítima do povo curitibano. Foi uma demonstração clara de unidade, coragem e amor à cultura popular, evidenciando que o samba segue pulsando forte e organizado, pronto para defender seu lugar no coração e nas ruas de Curitiba.

 

 

As falas destacaram um ponto em comum: a percepção de uma tentativa recorrente de apagamento da cultura popular, especialmente do samba, por meio de discursos que questionam seu valor cultural e social.

 

O espaço também foi aberto ao público, reforçando o caráter coletivo da mobilização.

 

📜 Encaminhamentos: reação organizada

 

Como resposta, foram definidos encaminhamentos concretos:

 

Elaboração de uma carta-manifesto por cada entidade presente, destacando a importância do carnaval e denunciando tentativas de apagamento cultural

Repúdio formal à proposta de Eder Borges e à sua continuidade na CCJ

Organização de um evento de batucada, reunindo blocos e escolas de samba como forma de ocupação cultural e resistência

🎶 Um sambódromo para Curitiba?

 

 

A reunião também foi marcada por um momento de forte emoção protagonizado pelo jornalista e compositor Cláudio Ribeiro, que retomou uma proposta defendida há anos por ele: a construção de um sambódromo em Curitiba.

 

A ideia prevê a criação de um complexo cultural permanente, possivelmente na região da Vila Capanema, atrás do estádio do Paraná Clube. O projeto vai além dos desfiles e inclui:

 

Espaços para ensaios e oficinas

Auditórios e áreas de formação cultural

Um museu dedicado ao carnaval curitibano

 

A proposta também sugere homenagear o espaço com o nome de “Sambódromo Ismael Cordeiro – Mestre Maé”, referência histórica do samba local.

 

🏙️ Entre custo e investimento cultural

 

Embora a construção de um sambódromo envolva altos custos, participantes da audiência defenderam que o debate precisa ser reposicionado: não como gasto, mas como investimento estratégico.

 

A ausência histórica de infraestrutura adequada para o carnaval em Curitiba foi apontada como um dos principais entraves para o crescimento da festa. Sem espaço fixo, escolas e blocos enfrentam dificuldades logísticas e financeiras que limitam seu desenvolvimento.

 

Experiências em outras cidades mostram que equipamentos culturais desse tipo podem impulsionar:

 

Turismo

Economia criativa

Geração de emprego e renda

📍 O caminho possível

 

Entre os participantes, há consenso de que a construção de um sambódromo deve seguir etapas:

 

Reconhecimento do carnaval como política pública permanente

Criação de um centro cultural do samba em menor escala

Expansão futura para um sambódromo completo

✊ Direito à cultura em disputa

 

Mais do que um embate pontual, a audiência evidenciou uma disputa mais ampla: o reconhecimento do samba e do carnaval como parte legítima da identidade curitibana.

 

Ao levar o tema ao Legislativo, a Frente Parlamentar do Samba, do Carnaval e das Políticas Culturais transforma reivindicações históricas em pauta institucional — e sinaliza que, diante dos ataques, o setor está disposto a responder com organização, presença e tambor.

 

Porque, em Curitiba, o samba não recua — ele resiste.

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