Quando o samba incomoda: Prefeitura de Curitiba mira a cultura popular e poupa a desordem

 

Enquanto bares funcionam livremente pela cidade, espaço que promove samba gratuito, artistas locais e convivência comunitária é multado e ameaçado de perder o alvará

 

Em Curitiba, a régua da fiscalização parece não medir todos com o mesmo critério. Enquanto inúmeros bares espalhados pela cidade abrem suas portas, ocupam calçadas e operam sem maiores incômodos do poder público, um espaço dedicado à preservação da cultura brasileira vem sendo sistematicamente perseguido. O alvo da vez é o Brasileirinho, conhecido por promover rodas de samba gratuitas, com artistas locais e forte participação da comunidade.

Fiscais da Prefeitura estiveram no local e aplicaram multa. Mais grave ainda: uma das notificações recebidas menciona a possibilidade de cassação do alvará de funcionamento, uma medida extrema que coloca em risco não apenas um estabelecimento, mas toda uma rede cultural construída ao longo do tempo.

O caso ultrapassa a discussão burocrática sobre mesas na calçada ou ocupação do espaço público. Trata-se de um embate direto sobre qual cultura é aceita e qual é combatida na cidade. O Brasileirinho sempre atuou de forma aberta, popular e acessível, oferecendo samba gratuito, respeitando o público, os músicos e o entorno. Ainda assim, enfrenta obstáculos que parecem não se aplicar a outros empreendimentos.

A tentativa de impedir a colocação de mesas na rua atinge o coração da cultura popular brasileira. A rua, historicamente, é espaço de encontro, de roda, de música e de convivência. Samba não nasce isolado entre quatro paredes — ele vive da proximidade, da troca, do corpo coletivo e da comunidade.

Não é apenas um bar que está sob ameaça. É a ideia de cidade viva, onde a cultura não é mercadoria exclusiva nem privilégio de poucos. Ao agir dessa forma, a Prefeitura de Curitiba reforça uma política que, na prática, inviabiliza a cultura popular, silencia manifestações tradicionais e enfraquece os espaços que mantêm viva a identidade brasileira.

Defender o Brasileirinho é defender o direito à cidade, à cultura e ao encontro. Porque quando o samba é tratado como problema, o que realmente está sendo combatido é o povo.

Se esse é o recado, o nosso também está dado: guerra declarada.
Não vamos nos calar nem abaixar a cabeça.

Quem puder, participe agora: comente na materia do Portal Brasil Cultura  e marque a Prefeitura. Um comentário isolado parece pouco, mas juntos têm um impacto enorme.

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