Milton Cunha leva o samba à abertura do Festival de Curitiba

Aula-show une cultura popular, crítica social e espetáculo na Pedreira Paulo Leminski

A abertura do 34º Festival de Curitiba, realizada no fim de março de 2026, teve como um de seus grandes destaques a presença do carnavalesco e pesquisador Milton Cunha. Com sua já conhecida mistura de erudição e entusiasmo, ele comandou a aula-show “Samba: as escolas e suas narrativas”, transformando o palco da Pedreira Paulo Leminski em um verdadeiro desfile de cultura popular brasileira.

A apresentação reuniu dezenas de artistas ligados ao universo do carnaval, incluindo ritmistas, passistas e representantes tradicionais das escolas de samba. Mais do que um espetáculo musical, o evento se estruturou como uma experiência didática, em que Milton explicou ao público como o desfile das escolas funciona como uma sofisticada forma de narrativa — comparável a grandes tradições teatrais e literárias.

Durante sua participação, Milton Cunha destacou o papel político da escolha do festival em abrir espaço para o samba e suas raízes. Segundo ele, valorizar a cultura popular brasileira é também enfrentar desigualdades históricas e reconhecer a centralidade da herança negra na formação do país. A fala reforçou o tom crítico do evento, que não se limitou ao entretenimento, mas buscou provocar reflexão.

A proposta dialoga diretamente com a trajetória acadêmica do artista, que há anos se dedica a estudar o carnaval como linguagem artística e fenômeno cultural. Em Curitiba, essa pesquisa ganhou forma no palco, conectando teoria e prática em uma apresentação dinâmica e acessível.

A abertura com Milton Cunha marca uma edição do Festival de Curitiba que aposta na diversidade de linguagens e na ampliação do conceito de cultura. Ao levar o samba para um dos maiores eventos de artes cênicas do país, o festival reafirma seu compromisso com a pluralidade e com a valorização de expressões historicamente marginalizadas.

O resultado foi uma noite em que espetáculo e reflexão caminharam juntos, mostrando que o samba, além de festa, é também conhecimento, memória e identidade.

Fotos do encontro que aconteceu dos Mestres de Bateria das escolas de Curitiba com o Milton Cunha e o Mestre Ciça

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