Indústria audiovisual injeta R$ 70 bi na economia e supera setores tradicionais

 

Estudo da Oxford Economics mostra que o audiovisual respondeu por 0,7% do PIB em 2024, gerou mais de 600 mil empregos e impulsionou exportações e turismo

A indústria audiovisual brasileira consolidou-se como um dos setores mais dinâmicos da economia em 2024, deixando de ser apenas um vetor cultural. Segundo estudo da Oxford Economics encomendado pela Motion Picture Association, o setor movimentou R$ 70,2 bilhões no ano, o equivalente a cerca de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). O desempenho já supera o de segmentos tradicionais, como os setores têxtil, extrativista e farmacêutico, e chega a ser seis vezes maior, em geração de empregos, do que a indústria automobilística.

O relatório aponta que festivais de cinema, produções nacionais e programas de capacitação são apontados como vetores de impulsionamento do setor ao promover talentos e reforçar a presença do Brasil no circuito mundial. Programas voltados à juventude como “Fazendo Meu Primeiro Filme”, o apoio da Lei Paulo Gustavo e do Fundo Setorial do Audiovisual, contribuem para uma indústria capaz de se destacar globalmente.

Empregos e salários acima da média
O relatório aponta que o audiovisual foi responsável por 608.970 postos de trabalho em 2024 — número seis vezes superior ao total de postos de trabalho da indústria automobilística no mesmo período.

Apenas a atividade direta — que inclui produção, distribuição, exibição, TV aberta, TV por assinatura e streaming — respondeu por 121.840 empregos e por uma contribuição de R$ 31,6 bilhões ao PIB. Um dos destaques é a remuneração: os salários médios do setor ficaram 84% acima da média nacional, com remuneração de cerca de R$ 6.800 mensais. Os efeitos multiplicadores também são expressivos — cada real gerado diretamente movimenta 2,2 vezes o PIB e cada emprego direto sustenta outros cinco na economia.

 

Além disso, sua participação no PIB (0,6%) já ultrapassa a de setores historicamente relevantes, como os ramos têxtil, extrativista e farmacêutico. O impacto fiscal também é expressivo: o setor arrecadou R$ 9,9 bilhões em impostos ao longo do ano.

Streaming lidera crescimento; cinema nacional dispara

Entre os segmentos, a TV aberta permanece como o maior contribuinte direto ao PIB (R$ 14,9 bi), mas é o vídeo sob demanda (VOD) — impulsionado por plataformas como Netflix, Globoplay, Prime Video e Disney+ — que apresenta o crescimento mais acelerado, com projeção de aumento médio anual de 10,2% até 2028.

Já o cinema vive um renascimento histórico com o crescimento recente da produção brasileira se refletindo nas salas, indicando recuperação do público e maior presença do conteúdo brasileiro no mercado interno. Entre maio de 2024 e maio de 2025, a bilheteria de filmes brasileiros cresceu 197%, saltando de R$ 84 milhões para R$ 251 milhões. A participação dos longas nacionais no mercado doméstico subiu de 3% para mais de 10% no mesmo período, impulsionada por produções como Ainda Estou Aqui, longa-metragem vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional.

O estudo considera toda a cadeia produtiva, incluindo produção, distribuição, exibição cinematográfica, televisão aberta e por assinatura, além de streaming e vídeo sob demanda.

Exportações culturais fortalecem soft power e turismo

Além do mercado doméstico, o audiovisual brasileiro ampliou sua presença internacional. O Brasil registra superávit comercial em serviços audiovisuais desde 2017, com crescimento médio anual de 19% nas exportações. Em 2023, esse saldo positivo adicionou R$ 2,7 bilhões ao PIB — valor equivalente a mais de um terço do PIB gerado pelas exportações de aeronaves.

 

Esse sucesso internacional também impulsiona o turismo: 53% dos viajantes internacionais pesquisam ou reservam destinos após vê-los em filmes ou séries. Em 2024, o Brasil recebeu 6,8 milhões de turistas internacionais. Parcerias como a da Netflix com a Embratur e o fenômeno turístico gerado por Ainda Estou Aqui — cuja casa de filmagem será transformada em museu no Rio — ilustram esse “turismo de tela”.

O relatório ressalta que esse desempenho reforça o papel estratégico do audiovisual como vetor de inserção do Brasil na economia criativa global.

Festivais e capacitação ampliam inclusão e visibilidade global

Festivais de cinema, produções nacionais e programas de capacitação são apontados como fatores-chave para fortalecer a força de trabalho do setor e ampliar a visibilidade do país no exterior.

Eventos como a Mostra de São Paulo, o Festival do Rio e o Fantaspoa atraíram juntos quase 1 milhão de espectadores em 2024 e 2025, promovendo talentos locais e reforçando a presença do Brasil no circuito cinematográfico mundial.

Paralelamente, programas como “Fazendo Meu Primeiro Filme”, voltado a jovens de comunidades periféricas, combinam formação técnica, acesso a festivais e encaminhamento profissional. Apoiados por iniciativas como a Lei Paulo Gustavo e o Fundo Setorial do Audiovisual, esses projetos ajudam a construir uma indústria mais diversa, qualificada e competitiva globalmente.

Um setor estratégico para o futuro do Brasil

Com base em dados de mais de 200 países e 100 setores, a Oxford Economics projeta continuidade do crescimento do audiovisual brasileiro até 2028. O relatório destaca que políticas de estímulo, qualificação profissional e integração com plataformas globais tendem a ampliar ainda mais a contribuição econômica e cultural do setor nos próximos anos.

Com forte impacto econômico, cultural e social, a indústria audiovisual se consolida como um ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável do país. Seu potencial de geração de renda, emprego de alta qualidade, atração de investimentos estrangeiros e promoção da identidade brasileira no exterior coloca o setor no centro dos debates sobre inovação, soberania cultural e crescimento inclusivo.

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