Curitiba tem samba, sim — e dos bons!

 

Nos 333 anos da cidade, roda no Brasileirinho prova que a capital também bate no compasso do pandeiro

 

Curitiba completou 333 anos — e quem ainda insiste em dizer que por aqui não tem samba, definitivamente não foi convidado para a festa certa. Porque tem, sim. E tem daquele que não deixa malandro nenhum botar defeito.

 

Foi nesse clima de festa que o tradicional Brasileirinho, celebrou um ano de sua nova administração com uma programação especial, abriu as portas para uma tarde/noite daquelas: mesa garantida, cerveja no ponto, risada solta e, claro, samba da melhor qualidade. Sob o comando afetuoso de Batata e sua esposa Fran, a casa virou ponto de encontro de amigos, artistas e apaixonados pela cultura popular brasileira. A rua Mateus Leme, no centro histórico ficou lotada.

 

Léo Fé

Entre um refrão e outro, reencontros que aquecem o coração. Lá estava o parceiro Léo Fé, presidente do Bloco Boca Negra, que não só marcou presença como ainda concedeu um título daqueles que se leva no peito: Presidente da Ala de Compositores do bloco. Estou honrado e feliz. Um gesto que traduz respeito, parceria e história.

João Carlos – Batata – Cláudio Ribeiro

A roda seguiu firme, embalada também pela presença do escritor e cuiqueiro João Carlos de Freitas — daqueles que não apenas contam histórias, mas fazem o samba acontecer. Rimos, cantamos e celebramos como manda o ritual. E como se não bastasse, ainda teve o reencontro com o irmão e camarada e ex vereador pelo PCdoB, Carlos Ceni, irmão de Nereu Ceni e primo de Rogerio Ceni, depois de tanto tempo — emoção que só a música sabe costurar.

Cláudio e Carlos Ceni

Mas a noite guardava ainda mais brilho. Era tempo de aplaudir dois nomes de peso do samba: Marquinhos Diniz e Kiki Marcellos.

Cláudio Ribeiro – Marquinhos Diniz – João Carlos – Kiki Marcellos 

Marquinhos Diniz: herança, talento e mais de 100 sucessos

 

Filho de ninguém menos que Monarco, referência maior da Velha Guarda da Portela, Marquinhos Diniz carrega no sangue a tradição do samba. Irmão de Mauro Diniz e tio da cantora Juliana Diniz, ele construiu uma trajetória sólida, com passagens marcantes pelas alas de compositores de blocos como Unidos de Oswaldo Cruz e Rosa de Ouro — onde colecionou vitórias.

 

Com mais de 100 composições gravadas, seu repertório ecoa nas vozes de gigantes como Zeca Pagodinho — com sucessos como “Caviar”, “Dona Esponja”, “Conflito” e “Comunidade Carente” — além de nomes como Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Almir Guineto e Bezerra da Silva.

 

Marquinhos não apenas canta: ele representa uma linhagem, uma escola e uma forma de viver o samba.

 

Kiki Marcellos: a voz que atravessa mares e gerações

Kiki Marcellos é daqueles artistas que aprenderam o samba na fonte. Entre rodas históricas do Rio de Janeiro e palcos ao lado de mestres como Jorge Aragão, João Nogueira, Leci Brandão e Dona Ivone Lara, ele construiu uma trajetória marcada por vivência e autenticidade.

 

Formado em publicidade e mergulhado também na música acadêmica, Kiki levou o samba para o mundo — foram sete anos excursionando pela Europa em cruzeiros da MSC, apresentando ao público internacional a riqueza da música brasileira: samba, bossa nova, baião e MPB.

 

Idealizador do projeto “Beba do Samba” e participante do coletivo “Todo Dia é Dia de Samba”, ele também se destaca como compositor — com músicas gravadas por nomes como Zeca Pagodinho, Mariene de Castro e Originais do Samba.

 

Seu álbum mais recente, Infinitas Razões, produzido por Carlinhos 7 Cordas, reforça aquilo que já se sabe: Kiki tem uma voz única e uma assinatura que respeita a tradição enquanto dialoga com o presente.

 

No fim das contas, a tarde/ noite no Brasileirinho foi mais do que uma comemoração. Foi prova viva de que Curitiba pulsa, sim, no ritmo do samba — com história, talento e, acima de tudo, gente que mantém essa cultura acesa.

Cláudio Ribeiro

Jornalista – Escritor – Compositor

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