Camila de Moraes lança documentário e renova cinema brasileiro

Após 34 anos, o Brasil voltou a ter um filme dirgido por uma cineasta negra: o documentário “O Caso do Homem Errado”, de Camila de Moraes, entra em cartaz

 

O primeiro longa-metragem de uma cineasta brasileira negra a entrar em cartaz no circuito comercial foi “Amor Maldito”, de Adélia Sampaio, lançado em agosto de 1984- e que, na época, não teve notoriedade, sendo reconhecido apenas depois de algum tempo.

 

“O Caso do Homem Errado” veio para relembrar a diversidade daqueles que produzem bons filmes para o cinema no país. Estreou em Porto Alegre (cidade natal da diretora), passando em seguida para Salvador, Acaraju e Rio Branco; em São Paulo, entra em cartaz nessa semana.

 

Como conta a Folha de São Paulo, Moraes revive no longa um episódio trágico ocorrido em Porto Alegre em 1987, ano em que ela nasceu. O operário negro Júlio César de Melo Pinto foi confundido com ladrões pela polícia e, quando foi levado à viatura, tinha só um ferimento na boca. Minutos depois, chegando no hospital, estava morto: levou dois tiros no trajeto.

 

A polícia não quis participar do filme. Em 76 minutos, Moraes ouviu familiares, advogados e ativistas dos direitos humanos, que comentam o crime. A diretora disse à Folha que, apesar de já ter assistido ao longa dezenas de vezes, ainda se emociona nas sessões.

 

Camila de Moraes, diretora do longa “O Caso do Homem Errado”

 

O longa foi feito com um orçamento de 100 mil reais, valor modesto para um longa, mesmo que no geral documentários tenham custos mais baixos do que obras de ficção. O projeto foi possível graças a doações de representantes do movimento negro, e 20 pessoas participaram da equipe- todos voluntários.

 

“Eu era sempre a única pessoa negra nos festivais. Precisamos ocupar mais esses espaços”, disse Moraes à Folha. Segundo a diretora, há cada vez mais espectadores dispostos a refletir sobre as questões raciais. Ainda que lentamente, o cenário tem mudado.

 

Cerca de cinco longas de cineastas negras estão em produção no país. Um deles é “Um Dia de Jerusa”, de Viviane Ferreira, que deve ser lançado em 2019. O filme foi possível graças a um edital do Ministério da Cultura para longas de ficção voltados às ações afirmativas; Viviane crítica o fim do programa de apoio.

 

 

Do Portal Vermelho

 

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