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Curso investiga relação entre moda, processos revolucionários e ação política

A atividade, ministrada por Brunno Almeida Maia, pesquisador em filosofia, busca traçar a dialética da moda como dispositivo “a serviço da classe dominante”, mas, também, como possibilidade de subversão deste mesmo dispositivo

 

 

Por Maria Frô

Passados 50 anos da segunda Revolução Francesa – o Maio de 1968 – e da atual situação política do Brasil, o curso “O que será do amanhã? Moda, Revolução e Política” será realizado entre os dias 10, 11 e 12 de abril, no Instituto Zuzu Angel, no Rio de Janeiro.

 

O curso será ministrado por Brunno Almeida Maia, pesquisador em filosofia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele também é idealizador do projeto “A Literatura e a Moda” e vai investigar, durante o curso, a relação existente entre a moda, os processos revolucionários e a ação política ao longo dos séculos XVIII ao XXI, a partir do acervo da costureira e estilista Zuzu Angel.

 

Com um “guarda-roupa” de filósofos, sociólogos, historiadores e escritores, como Walter Benjamin, Gilles Lipovetsky, Peter Stallybrass, Michel Pastoreau, Karl Marx, Hannah Arendt, Roland Barthes, Georg Simmel, Marcel Proust, Virginia Woolf, Marina Colasanti, Stefan Zweig, Norbert Elias, Zygmunt Bauman, entre outros, as aulas entrelaçam a perspectiva filosófica e sociológica, com movimentos de vanguardas e acontecimentos no interior da história da Moda, que causaram, a partir da Modernidade, rupturas no próprio sistema – da moda – e na vida social, política e econômica.

 

A atividade busca traçar a dialética da moda como dispositivo “a serviço da classe dominante”, mas, também, como possibilidade de subversão deste mesmo dispositivo para a emancipação, para a resistência e para a ação política no curso do processo revolucionário, com a análise de acontecimentos históricos, como o declínio da Moda Aristocrática com Marie Antoinette e a depuração das vestimentas pelos jacobinos na Revolução Francesa; a estetização da existência e a roupa como contestação dos códigos burgueses pelo dandismo no século XIX; as revoluções do século XIX e a história do jeans como peça-chave da classe trabalhadora, e dos movimentos de contracultura dos anos 60; as coleções de Yves Saint Laurent, André Courrèges, Paco Rabanne e Pierre Cardin, influenciadas pelo Maio de 1968; a presença do historicismo no New Look de 1947 de Christian Dior; a ocupação nazista na França; “roupa de artista”: o surrealismo, o dadaísmo e futurismo como movimentos de vanguardas poéticos e políticos; as relações entre a moda e a música, a partir da construção dos ideais da juventude nos anos 50; diálogos entre a história da listra no ocidente, Primo Levi e o trabalho do artista plástico Christian Boltansky.

 

O destaque do curso fica por conta do acervo de coleções, de vestimentas e acessórios, fotografias e objetos de uma das primeiras e principais criadoras de moda brasileira, Zuzu Angel (1921-1976). Em meados dos anos 1960, Zuzu iniciou sua cruzada por uma moda com identidade brasileira, o que levou ao reconhecimento de seu trabalho no exterior numa época em que poucos canais possibilitavam a internacionalização de valores brasileiros, em coleções emblemáticas, como o desfile-protesto, apresentado em Nova Iorque, em 1971.

 

Seu histórico acervo de moda, que está reunido na Casa Zuzu Angel, envolve, também, iconografia e documentação de sua obra e sua luta de mãe obstinada na busca do filho, Stuart Angel Jones (1946-1971), desaparecido político durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985).

 

“Moda, Revolução e Política: O que será do amanhã?” busca responder uma questão urgente para o contemporâneo: se a moda é uma das expressões da individualidade, significa que a sua realização somente está assegurada pelo pleno desenvolvimento da democracia? Se a moda é dialética, uma vez que está “a serviço da classe dominante”, mas também “a serviço da revolução”, como diferenciar os acontecimentos históricos como repetições do passado daqueles que carregam em si a potência de rupturas no presente?”, questiona Brunno.

 

Currículo

 

Brunno Almeida Maia é pesquisador em filosofia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), foi pesquisador residente do NECMIS 2018 (Núcleo de Estudos Contemporâneos do MIS – Museu da Imagem e Som), docente da cadeira “Expressões Artísticas Contemporâneas”, no Técnico de Produção de Moda do SENAC Lapa, professor convidado do Departamento de Pós-Graduação, Extensão e Cursos Livres da FAAP – Fundação Armando Alvares Penteado e do Centro Universitário Belas Artes.

 

Ministrou aulas sobre a relação entre a literatura e a moda ao lado do estilista brasileiro Walter Rodrigues e do chapeleiro Eduardo Laurino, em espaços como Fundação Ema Klabin, ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo), Oficinas Culturais Oswald de Andrade, Oficina Cultural Casa Mário de Andrade, Sesc 24 de Maio, Sesc Consolação, Sesc Pompéia, Sesc Ipiranga, CPF – Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, Sesc Jundiaí, Casa da Palavra Mário Quintana, em Santo André (SP), Oficina Cultural Hilda Hilst, em Campinas (SP), Galera AMDO, em Belo Horizonte (MG), Biblioteca Mário de Andrade, Fábricas de Cultura, Biblioteca Pública Pedro Nava, Escola São Paulo.

 

É autor do livro “O Teatro de Brunno Almeida Maia” (Editora Giostri, 2014), assina capítulo sobre a relação entre a literatura e a moda no romance “Lucíola” (1862), de José de Alencar, no livro “Moda Vestimenta Corpo” (Editora Estação das Letras e Cores, 2015), um dos autores da antologia “São Paulo em Palavras” (Editora Aquarela Brasileira, 2017), e “Tempos de exceção: ensaios sobre o contemporâneo” (Editora Cosmos, no prelo).

 

Instituto Zuzu Angel

A Casa Zuzu Angel sintetiza a identidade do Rio de Janeiro. A começar pela sua localização, no início da subida para o Alto da Boa Vista, onde em tempos remotos havia a curva dos bondes e, em tempos ainda mais remotos, a muda de burros da Tijuca.

 

Espaço que serve de cenário e conteúdo ao projeto “Memória da Moda do Brasil – Acervo, Restauração e Conservação de Têxteis”, missão arduamente defendida pelo Instituto Zuzu Angel de Moda da Cidade do Rio de Janeiro desde seu advento, em 1993, quando deu início a diversas atividades visando manter viva a memória da moda do Brasil e despertar a consciência de sua importância como expressão da nossa identidade.

 

Foi em meados dos anos 1960 que Zuzu iniciou sua cruzada por uma moda com identidade brasileira, o que levou ao reconhecimento de seu trabalho no exterior, numa época em que poucos canais possibilitavam a internacionalização de valores brasileiros.

 

Seu histórico acervo de moda está reunido na Casa Zuzu Angel, a iconografia e toda a documentação que envolve sua obra.

 

Outras coleções de moda formam o Acervo da Casa. Entre elas, Coleção Carmen Therezinha Solbiati Mayrink Veiga, de alta costura, Coleção Casa Canadá, de Mena Fiala, Coleção Isabela Capeto, com 200 protótipos, Coleção Perla Mattison, Coleção Bonita, protótipos de moda infantil, Coleção Glorinha Paranaguá, de acessórios, e inúmeras outras de mesma expressão.

 

A forte liderança cultural, empresarial e política do Rio de Janeiro é retratada através da moda na Coleção Mosaico da Vida Brasileira, séculos 20 e 21. Ela reúne roupas, acessórios, objetos de personagens de vários setores da vida brasileira – da Elite dos salões aos Uniformes dos Ofícios, dos Líderes Sindicais, aos Intelectuais, Políticos, Personalidades da Cultura, Celebridades em geral.

 

Serviço

 

Curso: “Moda, Revolução e Política: O que será do amanhã?”, com Brunno Almeida Maia

 

Data: 10, 11 e 12 de abril, quarta, quinta e sexta-feira.

 

Horário: das 13h às 17h.

 

Local: Instituto Zuzu Angel – Rio de Janeiro – RJ.

 

Endereço: Rua Rocha Miranda, 53 – Usina, Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20530-450.

 

Telefone: (21) 2238-8479

 

R$ 300,00.

 

FONTE

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Author: Brasil Cultura

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