Crônicas de um marxista: novo livro de Clóvis Moura chega às livrarias

Clóvis Moura Capa de Memórias de Sparkenbroke: Fora do Tempo, ao lado do retrato estilizado de Clóvis Moura
Clóvis Moura Capa de Memórias de Sparkenbroke: Fora do Tempo, ao lado do retrato estilizado de Clóvis Moura

Clóvis Steiger de Assis Moura (1925-2003) é conhecido como historiador e sociólogo. Intelectual marxista, deixou vasta obra e importantes contribuições aos estudos do negro brasileiro. Seu principal livro, o clássico Rebeliões da Senzala, contrapôs a sociologia e a historiografia, ao refutar as interpretações calcadas nas visões do Brasil “cordial” e da democracia racial. Mas o que a Editora Unesp recupera, com Memórias de Sparkenbroke: Fora do Tempo, é o lado cronista de Clóvis Moura.

Mais do que a dureza dos documentos, arquivos pessoais têm a capacidade de revelar as relações sentimentais e intelectuais que permearam a vida daquele que resolveu preservar sua história em formato de acervo. Com 368 páginas, o novo livro do sociólogo é um feliz exemplo. Memórias de Sparkenbroke teve cuidadosa organização de profissionais do Centro de Documentação e Memória da Unesp (Cedem) – a instituição que, após a morte de Moura, em 2003, recebeu seu acervo como doação da família.

 

Há uma grande variedade de documentos ali – e uma fatia considerável remete a originais de suas obras literárias. “Entre eles, encontra-se o motivador desta publicação: as crônicas Fora do Tempo, ‘assinadas’ por Sparkenbroke”, anota Sonia Troitiño, uma das organizadoras da obra. Sparkenbroke dá nome ao célebre romance de Charles Morgan, publicado originalmente em 1936.

 

As crônicas compilados têm mais de 45 anos. “Mesmo publicadas diariamente no jornal A Folha, de São Carlos, entre 1972 e 1973, no arquivo encontram-se compiladas por seu próprio autor, com apresentação inédita por ele escrita, sob o título ‘As confissões de um amigo’”. Surge, assim, o livro que, apesar de composto por textos publicados individualmente, pode ser considerado uma obra inédita quanto ao conjunto de textos articulados.

 

“De certa forma, Sparkenbroke foi a síntese de todas as facetas de sua personalidade – o Clóvis Moura que eu conheci”, escreve sua filha Soraya Moura. O intelectual marxista se revela aos leitores de forma sistemática e organizada por meio de suas crônicas. Ou melhor: das crônicas de seu amigo Sparkenbroke.

 

Com informações da Editora da Unesp

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