Adeus a Ronald José Magalhães, artista de múltiplas vozes e alma generosa

 

Compositor, cantor, produtor e poeta, Ronald deixa um legado humano e cultural marcado pela sensibilidade, pela música e pelo amor à família.

 

Curitiba se despede de um de seus grandes nomes da sensibilidade artística. Morreu aos 78 anos, no Hospital Erasto Gaertner, Ronald José Magalhães — um criador completo que atravessou gerações com melodias, palavras e gestos de afeto. Nascido em 1948, no estado de São Paulo, Ronald construiu uma trajetória marcada pela pluralidade de talentos e pela profunda conexão com as pessoas.

Compositor, cantor, arranjador, produtor, poeta e escritor, ele fez da arte um espaço de encontro e resistência. Sua obra nunca esteve dissociada da vida: cada canção, verso ou projeto carregava escuta, empatia e compromisso humano. Ronald não criava apenas para ser ouvido, mas para tocar.

Na vida pessoal, foi um homem de vínculos intensos. Pai de Anaís e Bárbara, avô orgulhoso de Alice e Lucas, viveu a família como extensão natural de sua arte. Viúvo, transformou a saudade em delicadeza — sentimento que atravessa muitas de suas composições e textos, onde a dor aparece sublimada em beleza.

Libriano convicto, buscava equilíbrio nas relações e harmonia nos caminhos que escolhia. Corintiano apaixonado, via no futebol mais do que um esporte: um ritual de pertencimento, conversa e identidade popular. Sua caminhada passou por Londrina, Guarulhos e Curitiba, cidades que ajudaram a moldar sua visão de mundo e sua sensibilidade artística.

Um dos capítulos mais emblemáticos de sua trajetória foi o convite do amigo e compositor Cláudio Ribeiro para coordenar o projeto Fera da Melhor Idade, pela Paraná Esporte. Ali, Ronald uniu cultura, cidadania e inclusão social, reafirmando sua crença de que a criatividade não envelhece — apenas amadurece. O projeto tornou-se símbolo de sua fé no potencial humano e no poder transformador da arte.

O velório acontece nesta quinta-feira, 29 de janeiro, a partir das 9 horas, no Cemitério Parque Iguaçu, Capela 03, em Curitiba. Familiares, amigos e admiradores se reúnem para a despedida de um homem que deixou marcas profundas, ainda que muitas vezes silenciosas.

Ronald José Magalhães parte, mas sua presença permanece. Ficam as canções que continuam ecoando, os versos que ainda emocionam, os projetos que inspiram e, sobretudo, a memória de alguém que fez da própria vida uma obra sensível, generosa e verdadeira.

 

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