11ª Maré leva cinema ambiental ao Recife e homenageia Sérgio Oliveira

 

Mostra ocupa o Cinema São Luiz neste sábado (7) e domingo (8), com filmes sobre ancestralidade, resistência e defesa dos territórios; programação segue até 15 de novembro.

O Cinema São Luiz, no Recife, recebe, neste sábado (7) e domingo (8), a programação presencial da 11ª Maré – Mostra Ambiental de Cinema do Recife, com sete produções audiovisuais que abordam a ancestralidade, a defesa dos territórios e os desafios socioambientais contemporâneos. As sessões acontecem às 18h, no sábado, e às 16h, no domingo, com destaque para uma homenagem ao cineasta pernambucano Sérgio Oliveira, falecido em fevereiro deste ano.

Realizada pelo Instituto Toró e pela Bonsucesso Comunicação e Cultura, a mostra segue até 15 de novembro, com atividades também em Fernando de Noronha e programação virtual.

Neste sábado (7), o programa Futuro Ancestral reúne quatro produções que valorizam a memória, a identidade e a resistência de povos e comunidades. A sessão começa às 18h, com exibição de Tribunal dos Bichos, de Fykyá Pankararu; Dynamite Som – O futuro é Lamento Negro, de Pedro Severien e Lia Letícia; Replikka, de Piratá Waujá e Heloisa Passos; e Guerreiros Plantados, de José Carbonel e Rui Mendonça.

Já no domingo (8), às 16h, o programa Bem Viver Sob Ataque apresenta os documentários Pyka, do Coletivo Beture de Cinema (Kaiapó), e Liamba, um santo remédio, de Luara Schamó e Manoel Batista.

A sessão será encerrada com Amazônia Oktoberfesta (2025), de Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer, escolhido para homenagear a trajetória do cineasta caruaruense. O longa aborda as contradições da ocupação da Amazônia e os impactos culturais, políticos e ambientais dos processos de colonização da região.

Inteligência ancestral para pensar o futuro

Em sua 11ª edição, a Maré propõe uma reflexão sobre a chamada Inteligência Ancestral, valorizando os conhecimentos dos povos originários e das comunidades tradicionais diante das mudanças climáticas e do avanço das novas tecnologias.

Para Rafael Buda, coordenador-geral da mostra, o momento exige pensar caminhos para uma sociedade mais sustentável.

“Para esta edição, pensamos que a principal reflexão é a IA – Inteligência Ancestral, que valorize os povos originários, as comunidades tradicionais e uma sociedade comprometida com o bem viver e o bem comum”, destaca.

A curadoria, assinada por Amandine Goisbault, reúne diferentes olhares e formas de fazer cinema, valorizando o protagonismo de mulheres, pessoas negras, indígenas e comunidades tradicionais. A seleção contempla filmes de realizadores experientes, estudantes e coletivos, com narrativas construídas não apenas sobre os territórios, mas também com quem vive neles.

Essa relação entre natureza e ancestralidade também inspira a identidade visual da edição, que traz a obra A Visita do Setestrelo, da artista recifense ianah. A pintura foi produzida com pigmentos naturais de terra e nasceu de um sonho relacionado à memória ancestral da artista e ao povo indígena Tapuia Tarairiú, no Rio Grande do Norte.

Maré celebra quinta edição em Fernando de Noronha

Após as sessões no Cinema São Luiz, a MARÉ segue para Fernando de Noronha, de 11 a 14 de novembro, celebrando sua quinta edição no arquipélago. A programação reúne cinema, oficinas e atividades culturais, fortalecendo o diálogo sobre a preservação ambiental e a relação entre as comunidades e seus territórios.

Entre os destaques estão Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique, vencedor do prêmio de Melhor Curta-Metragem Brasileiro no 31º É Tudo Verdade e qualificado para disputar uma indicação ao Oscar 2027, e Quanta Reza Será Preciso Para Um Simples Banho de Mar, de Liliane Mutti.

Este último aborda as transformações sofridas pela Ilha da Conceição, em Niterói, e a perda de suas praias, provocando uma reflexão sobre a importância de preservar os territórios insulares.

A programação também inclui a oficina de geotinta e arte urbana ministrada por ianah. Já a Maré Play, plataforma virtual da mostra, segue com exibições de curtas-metragens até 15 de novembro.

Serviço

11ª Maré – Mostra Ambiental de Cinema do Recife

Local: Cinema São Luiz, Recife (PE)

Sábado (7/11), às 18h — Programa Futuro Ancestral

  • Tribunal dos Bichos | Videoclipe | 5 min | Fykyá Pankararu | PE | 2024
  • Dynamite Som – O futuro é Lamento Negro | Documentário | 20 min | Pedro Severien e Lia Letícia | PE | 2026
  • Replikka | Documentário | 16 min | Piratá Waujá e Heloisa Passos | MT | 2025
  • Guerreiros Plantados | Documentário | 52 min | José Carbonel e Rui Mendonça | PE | 2026

Domingo (8/11), às 16h — Programa Bem Viver Sob Ataque

  • Pyka | Documentário | 11 min | Coletivo Beture de Cinema (Kaiapó) | PA | 2026
  • Liamba, um santo remédio | Documentário | 20 min | Luara Schamó e Manoel Batista | RN | 2026
  • Amazônia Oktoberfesta | Documentário | 78 min | Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer | PE | 2025

Sessão em homenagem ao cineasta Sérgio Oliveira.

Demais atividades da 11ª MARÉ

  • Fernando de Noronha: 11 a 14 de novembro, com sessões na Praça São Miguel e oficinas no Centro Cultural Dona Nanete.
  • Maré Play: mostra virtual de curtas-metragens até 15 de novembro, em https://www.mare.rec.br/mareplay.
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