Após a polêmica na Arthur Bernardes, gestão volta a derrubar árvores sem transparência, enquanto vende uma experiência “encantada” às custas do patrimônio ambiental de Curitiba.
A Prefeitura de Curitiba parece não ter aprendido absolutamente nada com a polêmica e a multa decorrentes do corte de árvores na Arthur Bernardes. Agora, enquanto promove o chamado Inverno Encantado no Passeio Público, repete o mesmo roteiro: motosserras em ação, ausência de diálogo e total falta de transparência.
O corte aconteceu praticamente na surdina. Quando a população percebeu, as árvores já estavam no chão. Muitas aparentavam estar saudáveis e cumpriam um papel essencial, servindo de abrigo para aves e contribuindo para o equilíbrio ambiental do espaço. O impacto não se limita às árvores derrubadas. O barulho dos motosserras também afeta as aves dos aviários e os demais animais que vivem no Passeio Público, um dos espaços mais emblemáticos de Curitiba, que já abrigou o primeiro zoológico da cidade e representa um patrimônio histórico, cultural e ambiental.
A impressão é que o prefeito governa como se Curitiba fosse um episódio de Black Mirror, onde o espetáculo vale mais do que a realidade e a tecnologia importa mais do que a natureza. Derrubar árvores para montar uma experiência imersiva não é inovação. É marketing travestido de modernidade. É transformar um patrimônio centenário em cenário de evento, tratando árvores, animais e a própria memória da cidade como obstáculos descartáveis.
Se a cidade precisa sacrificar seu patrimônio ambiental para parecer moderna, então não há inovação alguma. Há apenas uma gestão que insiste em trocar sombra por iluminação cênica, biodiversidade por cenografia e interesse público por espetáculo.
Faça um comentário