Morre Mestra Mide, referência do fandango caiçara e da cultura popular paranaense

Aos 88 anos, Cremildes Ferreira Bahr deixa um legado dedicado à preservação das tradições do litoral do Paraná, à música popular e à valorização da cultura caiçara.

A cultura paranaense perdeu, nesta terça-feira (2), uma de suas mais importantes guardiãs. Cremildes Ferreira Bahr, conhecida carinhosamente como Dona Mide ou Mestra Mide, faleceu aos 88 anos. Reconhecida como uma das maiores representantes e estudiosas do fandango caiçara — manifestação cultural tradicional do litoral paranaense —, ela dedicou sua vida à preservação e difusão da cultura popular.

Doutora Honoris Causa pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR), Mestra Mide tornou-se símbolo da valorização das tradições populares. “Lamentamos profundamente a partida da Dona Mide, mulher que dedicou sua vida à cultura popular”, destacou o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Júnior.

Em 1988, fundou o grupo Meu Paraná, iniciativa que levou o fandango paranaense a diferentes regiões do Brasil e também ao exterior, contribuindo para ampliar o reconhecimento dessa expressão cultural. Sua atuação foi além do fandango: Mestra Mide marcou presença nos carnavais de Curitiba, nas rodas de choro e nos grupos de samba, sempre promovendo a riqueza da cultura brasileira.

Herdeira de uma tradição artística que ajudou a construir a identidade cultural de Curitiba, era irmã do compositor Lápis (Palminor Rodrigues Ferreira). Com trajetória própria e singular, consolidou-se como uma das principais defensoras da memória, da música e das tradições populares do Paraná.

Seu legado permanece vivo na cultura caiçara, nos artistas que inspirou e nas gerações que ajudou a formar ao longo de décadas de dedicação à arte e à preservação do patrimônio cultural paranaense.

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