Movimento iniciado na noite de 31 de março se consolida em 1º de abril e marca início de mais de duas décadas de regime militar
Há 62 anos, o Brasil foi capturado pela mais longa, mais cruel e mais tacanha ditadura de sua história.
Meio século é mais que suficiente tanto para aprendermos quanto para esquecermos muitas coisas. É bom não esquecer.
Na noite de 31 de março de 1964, tropas militares começaram a se deslocar a partir de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro, dando início a um movimento que culminaria na deposição do presidente João Goulart. O episódio, que ficaria conhecido como o golpe militar de 1964, instaurou uma ditadura que duraria até 1985.
A mobilização foi liderada por setores das Forças Armadas com apoio de parte da elite política, empresarial e de segmentos da sociedade civil, que acusavam o governo de Goulart de promover instabilidade econômica e de se aproximar de ideias consideradas de esquerda em plena Guerra Fria.
No dia 1º de abril, diante do avanço das tropas e da perda de apoio político, João Goulart deixou Brasília e seguiu para o sul do país. Sem resistência militar significativa, o Congresso Nacional declarou vaga a presidência, mesmo com o presidente ainda em território brasileiro. Pouco depois, Goulart partiria para o exílio.
Os militares passaram a se referir ao episódio como “Revolução de 31 de março”, evitando a associação com o dia 1º de abril, conhecido como Dia da Mentira. Na prática, porém, historiadores apontam que a consolidação do golpe ocorreu no dia seguinte ao início das movimentações.
O novo regime instaurado suspendeu direitos políticos, cassou mandatos, censurou a imprensa e perseguiu opositores. Ao longo de 21 anos, o país viveria sob governos militares, marcados por repressão política e restrições às liberdades civis, até a redemocratização em 1985.
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