As mentiras que justificaram as invasões e intervenções dos Estados Unidos ou Quem Entende Geopolítica Não Engole Propaganda

 


As mentiras dos Estados Unidos por trás das invasões, sanções e golpes no Oriente Médio e na América Latina

 

Ao longo do século XX e início do século XXI, os Estados Unidos realizaram inúmeras intervenções militares, políticas e econômicas fora de seu território, quase sempre justificadas por discursos de defesa da democracia, combate ao terrorismo ou proteção dos direitos humanos. Entretanto, em muitos desses casos, tais justificativas revelaram-se falsas, exageradas ou seletivas, funcionando como instrumentos de propaganda para legitimar interesses geopolíticos, econômicos e estratégicos.

Um dos exemplos mais emblemáticos é a invasão do Iraque em 2003. O governo norte-americano afirmou que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa e mantinha vínculos com a Al-Qaeda. Ambas as alegações foram posteriormente desmentidas por inspeções da ONU e por investigações oficiais dos próprios EUA. Ainda assim, a guerra foi levada adiante, resultando na morte de centenas de milhares de civis, na destruição das instituições do país e na instabilidade regional que favoreceu o surgimento de grupos extremistas como o Estado Islâmico.

Na Líbia, em 2011, a intervenção liderada pela OTAN, com participação decisiva dos Estados Unidos, foi apresentada como uma missão humanitária para impedir um suposto massacre de civis por Muammar Kadafi. Posteriormente, análises independentes indicaram que as ameaças foram amplificadas ou manipuladas. A derrubada do governo líbio, sem qualquer plano de reconstrução, transformou o país em um Estado fragmentado, dominado por milícias, tráfico de armas e pessoas, e violência permanente.

Na Síria, os Estados Unidos justificaram sua intervenção alegando o combate ao terrorismo e a defesa da população civil. Contudo, o apoio a grupos armados ditos “moderados” frequentemente resultou no fortalecimento de facções extremistas. Além disso, ataques militares foram realizados com base em acusações de uso de armas químicas antes da conclusão de investigações independentes, levantando suspeitas sobre o uso político dessas denúncias para legitimar ações militares.

O Afeganistão, invadido em 2001, foi apresentado como resposta aos atentados de 11 de setembro. Com o passar dos anos, a guerra passou a ser justificada por narrativas de construção da democracia, combate à corrupção e libertação das mulheres. Após vinte anos de ocupação, milhares de mortos e bilhões de dólares gastos, os EUA retiraram-se do país, deixando-o novamente sob o controle do Talibã, evidenciando o fracasso dessas promessas.

No caso da Venezuela, embora não tenha ocorrido uma invasão militar direta em larga escala, os Estados Unidos adotaram uma estratégia de intervenção híbrida, baseada em sanções econômicas, tentativas de deslegitimação institucional, apoio a golpes de Estado e ameaça constante de ação militar. O discurso oficial afirma que essas medidas visam “restaurar a democracia” e “defender os direitos humanos”. No entanto, documentos e declarações de autoridades norte-americanas indicam interesses claros no controle das vastas reservas de petróleo venezuelanas e na eliminação de um governo que desafia a hegemonia dos EUA na América Latina.

As sanções impostas à Venezuela agravaram drasticamente a crise econômica e social do país, afetando principalmente a população civil, enquanto são apresentadas como medidas “humanitárias”. A autoproclamação de um presidente paralelo em 2019, com reconhecimento imediato de Washington, revelou o caráter intervencionista da política norte-americana, ignorando a soberania nacional e o direito dos povos à autodeterminação.

Esse padrão repete-se em diversas outras ações dos Estados Unidos, como no Vietnã, Panamá, Granada, Iêmen, Somália e América Latina durante a Guerra Fria, onde golpes, guerras e operações secretas foram justificados por mentiras sobre ameaças comunistas, segurança nacional ou estabilidade regional. Em muitos casos, documentos desclassificados comprovaram que os verdadeiros objetivos envolviam o controle de recursos naturais, rotas estratégicas e influência política.

A recorrência dessas mentiras demonstra que a manipulação da informação é um elemento central da política externa dos Estados Unidos. A criação de inimigos, a distorção de fatos e o uso seletivo do discurso humanitário servem para legitimar ações que deixam como saldo países destruídos, milhões de mortos, refugiados e instabilidade prolongada.

Analisar criticamente essas intervenções não significa negar os problemas internos de outros países, mas reconhecer que o discurso moral utilizado por Washington frequentemente encobre projetos de dominação. Sem essa leitura histórica, as mesmas mentiras continuam sendo recicladas para justificar novas formas de guerra e ingerência.

 

Cláudio Ribeiro

Jornalista com formação em Direito

E Pós Graduado em História do Brasil e

Ciências Políticas

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