O filme de Maria Augusta Ramos, já aclamado no Festival de Berlim, reconta a história dos 271 dias do processo do golpe do impeachment, transcorridos entre 2 de dezembro de 2015 e 31 de agosto de 2016, quando destituiu a primeira mulher eleita presidenta do Brasil e colocou em seu lugar aquele que viria a ser o primeiro ocupante do Palácio do Planalto denunciado oficialmente por crime de corrupção.
É também um relato de um país dividido, representado pelas cercas e grades na Esplanada dos Ministérios. De um lado, grupos pró-impeachment impulsionados pela imprensa comercial a uma tese de que se estaria combatendo a corrupção. De outro, os que afirmavam que tudo não passava de um golpe urdido pelo poder econômico, tingido de legalidade a partir de um processo jurídico-político inaugurado pelas mãos do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, hoje preso por corrupção.
Nesse processo, a presidenta Dilma Rousseff é Joseph K., personagem do escritor tcheco Franz Kafka, em livro que empresta o título ao documentário, avassalado pelo peso da burocracia estatal, envolvido em um longo processo em que ele não sabe de onde vem e do que é acusado.
Assim foi com Dilma. Acusada de cometer crime de responsabilidade fiscal, em decretos de crédito suplementar e as chamadas “pedaladas”, manobras fiscais que ocorreram anteriormente e depois de Dilma, e que ocorrem também em administrações estaduais, sem que houvesse o mesmo ímpeto criminalizador.
As câmeras acompanham então o vai e vem pelos corredores, comissões, plenários, de figuras centrais do processo, como o advogado de defesa da então presidenta, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, e da advogada Janaína Paschoal, do PSDB, que produziu com os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior a peça jurídica inicial do processo, acolhida por Cunha.
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São nessas conversas também que aparecem, já naquele momento, as preocupações com a perseguição políticaao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a tentativa de tirá-lo do processo eleitoral, que culminaria com a sua recente prisão.
Dada a continuidade do processo de golpe no país, que serviu para que o governo Temer impusesse, sem o aval das urnas, uma agenda de destruição de direitos, com o congelamento de gastos sociais por 20 anos, umareforma trabalhista que legalizou a precarização do trabalho e a entrega do pré-sal às petrolíferas estrangeiras, o filme, apesar das suas mais de duas horas de duração, ganha ares de trailer para o atual momento vivido pelo país, passados quase dois anos de governo Temer.
Exibido em mostras internacionais de cinema – escolhido pelo público como terceiro melhor documentário na mostra Panorama no Festival de Berlim –, o filme teve a sua estréia mundial em 21 de fevereiro, e agora chega ao Brasil no festival É Tudo Verdade. A estreia em circuito nacional será no dia 17 de maio.
O documentário acompanha a crise política que afeta o Brasil desde 2013 sem nenhum tipo de abordagem direta, como entrevistas ou intervenções nos acontecimentos. A diretora Maria Augusta Ramos passou meses no Planalto e no Congresso Nacional captando imagens sobre votações e discussões que culminaram com a destituição da presidenta Dilma Rousseff do cargo.
Data de lançamento 17 de maio de 2018 (2h 17min)
Direção: Maria Augusta Ramos
Elenco: Dilma Rousseff, Lula, Chico Buarque de Hollanda
Gênero Documentário
Nacionalidades Brasil, Alemanha

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