João Cândido, da Revolta da Chibata, herói da pátria
A Revolta da Chibata ocorreu em unidades da Marinha de Guerra brasileira baseadas no Rio de Janeiro, em novembro de 1910. Os marinheiros tomaram os principais navios da Armada, em protesto contra suas condições de trabalho, os alimentos estragados que lhes eram oferecidos, os trabalhos pesados que lhes eram impostos e principalmente o costume degradante da do castigo da chibata, herança da escravidão.
“Na época, a Marinha brasileira estava dentre as mais fortes do mundo. Já o tratamento dos marinheiros repetia as piores tradições. João Cândido, filho de escravos, liderou a revolta pela dignidade humana em nossa Marinha e em nosso país”, argumentou Damasceno.
“O Almirante Negro”
Os marinheiros tinham contato com o movimento operário e os partidos marxistas da Europa, onde iam acompanhar as fases finais de construção dos navios adquiridos pela Marinha de Guerra. O próprio João Cândido, como marinheiro de 1ª classe, seguiu para a Europa, onde assistiu ao final da construção do encouraçado Minas Gerais. Assim, a rebelião foi cuidadosamente preparada, inclusive com comitês clandestinos em cadabelonave.
A revolta teve início na madrugada de 23 de novembro de 1910, em resposta ao castigo de 250 chibatadas sofrido pelo marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes. Sob o comando de João Cândido, amotinaram-se as tripulações dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo e também dos cruzadores Barroso e Bahia, reunindo mais de dois mil revoltosos.
A cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, foi mantida por cinco dias sob a mira de canhões. João Cândido recebeu então o apelido de “o Almirante Negro”, pela maestria com que comandou a frota em evoluções depa Baía da Guanabara.
O então presidente da República, Hermes da Fonseca, não encontrou saída que não fosse ceder às exigências dos marinheiros. “No dia 25 de novembro, o Congresso, apressadamente, aprovou as reivindicações dos marujos, incluindo a anistia. João Cândido, confiando nessa decisão, resolveu encerrar a rebelião, recolhendo as bandeiras vermelhas dos mastros”, conta o autor da proposta.
A revanche da reação
Três dias depois, porém, veio a traição. O então ministro da Marinha determinou a expulsão dos líderes do movimento. Os marinheiros tentaram reagir, mas o governo lançou violenta repressão que culminou com dezenas de mortes, centenas de deportações e a prisão de João Cândido. “O Almirante Negro” foi colocado numa masmorra da Ilha das Cobras de onde foi o único a sair vivo, de 18 marinheiros.
Solto anos depois, João Cândido passou a viver como vendedor de peixes na Praça Quinze, Rio de Janeiro. “Morreu em 1969, sem patente e na miséria. Agora é hora de a nação honrá-lo, inscrevendo seu nome no livro dos heróis da pátria”.





Parabéns por divulgar o episódio histórico da Revotla da Chibata, que em 2010 faz 100 anos.
É preciso, entretanto, informar alguns erros no texto acima para que os leitores não perpetuem, ao copiá-lo e retransmiti-lo:
1) Não há menção sobre alimentos estragados nos livros dos pesquisadores e historiadores da Revolta da Chibata. Esta reclamação era dos marinheiros do Encouraçado Potemkin, em revolta no porto de Odessa, Rússia, em 1905.
2) “argumentou Damasceno”. Quem argumentou? Qual Damasceno? O juiz João Batista Damasceno, o deputado Elimar Máximo Damasceno, ambos citados no Wikipedia como conhecedores do assunto, ou outro Damasceno?
3) A Revolta da Chibata iniciou-se em 22 de novembro de 1910, data comemorada em várias partes do país. No texto diz que teve início em 23 de novembro. Está errado.
4) “conta o autor da proposta”, fala o texto. Qual autor, de que proposta?
5) João Cândido não foi o único a sair vivo. Saiu vivo também mais um marinheiro. O texto está errado.
Há outros erros, inclusive ortográficos, mas o mais importante é saber: qual a fonte desta matéria? Daonde o texto foi tirado? Se não dá fonte, e comete erros, melhor não estar disponível nos mecanismos de busca da internet, pois só confunde aqueles que estão tomando contato com o tema pela primeria vez.
Quem quiser saber mais deve ir atrás de bibliotecas, onde os livros mais importantes sobre a revolta são os de duas correntes diferentes: o do jornalista de esquerda Edmar Morel, “A Revolta da Chibata”, e o do almirante de direita Hélio Leôncio Martins, “A Revolta dos Marinheiros-1910″. Na internet é preciso ter muito cuidado com o que se lê, principalmente se está sem a fonte, a página do livro ou do nome do entrevistado de onde foi retirada a informação.
Esperando ter ajudado.
Abraços
PS: “partidos marxistas ingleses antes de 1910?”
Em tempo: o Wikipedia contém muitos erros também, porque qualquer um pode alterar os textos lá. É preciso atenção e desconfiômetro nas pesquisas feitas na internet. E até mesmo nas bibliotecas. Há pontos de divergências, por exemplo, entre os dois autores dos livros acima mencionados. Boa sorte.