Café, Porto, Cidade

Mostra desvenda relação entre os negócios do café, o porto e a cidade de Santos nos últimos 120 anos

A influência dos negócios do café no desenvolvimento do porto e da cidade de Santos nos últimos 120 anos. Esse é o tema da exposição “Café, Porto, Cidade – Uma relação muito mais que econômica”, parceria entre o Museu do Café – instituição da Secretaria de Estado da Cultura – e o Núcleo de Estudos Portuários, Marítimos e Territoriais (NEPOMT), da Universidade Santa Cecília. A mostra será inaugurada no dia 17 de novembro, às 19h, no edifício da Bolsa Oficial de Café, e permanece em cartaz até 25 de março de 2012.
“O café foi a mola propulsora do desenvolvimento econômico em diversas regiões do país e a cidade de Santos, especialmente, ainda tem preservados vários edifícios do período marcado pelo apogeu da cafeicultura”, ressalta Andrea Matarazzo, Secretário de Estado da Cultura.

A exposição revela como o tripé ferrovia, porto e café foi fundamental para o desenvolvimento da cidade. A expansão da produção cafeeira no oeste paulista e a crescente demanda internacional do produto impulsionaram a implantação da linha férrea que permitiu ao porto deixar sua posição de escassa importância para se tornar o “porto do café”. Para se ter uma idéia, em 1909 o porto registrou seu recorde, até então, na exportação do produto: pouco mais de 13 mil sacas de 60 quilos. No ano safra 2010/2011 o volume do porto santista superou a marca de 26 milhões de sacas. Por sua vez, em 1890 a população santista era de 13 mil habitantes, atualmente está na casa dos 420 mil.

Para apresentar ao público essa relação, a curadoria estruturou a mostra em dois grandes eixos: paisagem urbana e relações de trabalho. Passeando cronologicamente pelos principais fatos do período, a exposição utiliza ilustrações, fotografias, vídeos, cenografia e objetos para retratar essa história. O acervo traz imagens e peças do acervo do Museu do Café, Museu do Porto, e Fundação Arquivo e Memória de Santos (FAMS).

A referência à paisagem urbana da cidade oferece destaque a três dos símbolos maiores do ecletismo da “arquitetura do café” em Santos: o edifício da Prefeitura de Santos, o da Bolsa Oficial de Café, e o do prédio do Tráfego da Companhia das Docas de Santos. De acordo com Luiz Nunes, doutor em Arquitetura e Urbanismo pela USP, coordenador NEPOMT da Unisanta e um dos curadores da exposição, a “paisagem” da cidade pode ser comparada àquelas influenciadas por outros ciclos econômicos espalhados pelo Brasil, como no nordeste do país, Rio de Janeiro e Minas Gerais. “Diferentemente do interior de São Paulo, onde o patrimônio arquitetônico do ciclo cafeeiro está associado principalmente às ricas fazendas de café, a arquitetura de Santos expressa o trabalho e a imigração no meio urbano”, explica.

Em Santos, não ocorria apenas o embarque de café no porto, mas também a intermediação financeira, o processo de venda, armazenagem, mistura e ensacamento, além da logística de transporte até os navios. Toda essa cadeia formou o “complexo cafeeiro de Santos” e, nesse contexto, comissários, zangões (corretores), furadores (de sacas, para captação de amostras), catadoras, entre outras novas funções e profissões ganharam destaque. Na mostra, um documentário traz depoimentos de portuários sindicalizados, aposentados e na ativa, proporcionando uma visão da relação entre porto e café, sob o ponto de vista dos trabalhadores.

A exposição ainda destaca o processo contínuo de investimentos e inovações tecnológicas que permitiram ao porto sem relevância comercial do início do século XIX se tornar o mais importante da América Latina. O trabalho de pesquisa navega pelas diferentes fases do porto santista, revelando ao público, em imagens, vídeos e datas, sua trajetória de expansão territorial e de operações.
Por fim, a mostra se dedica ao panorama das perspectivas futuras dessa relação, com as novas possibilidades comerciais – como no segmento de petróleo e gás – e também turísticas, com a revitalização de áreas portuárias abandonadas. “A ideia desta exposição é transmitir como o processo de construção da identidade santista se deslocou do âmbito do ciclo econômico do café, passou pela atividade portuária e foi ampliada para todo o espaço urbano, transcendendo o tempo e mostrando o futuro, numa relação que vai muito além do nível econômico”, resume Luiz Nunes.
O Museu do Café fica à rua XV de Novembro, 95, no Centro Histórico de Santos. Seu horário de funcionamento é de terça-feira a sábado das 9h às 17h, e aos domingos entre 10h e 17h. Os ingressos para visitação custam R$ 5, estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam meia-entrada. Já a Cafeteria do Museu funciona de segunda-feira a sábado das 8h às 18h, e aos domingos entre 10h e 18h. Outras informações estão disponíveis em

www.museudocafe.org.br
Abertura da exposição “Café, Porto, Cidade – Uma relação muito mais que econômica”
Data: 17/11 (quinta-feira)

Horário: 19h

Local: Museu do Café

Endereço: Rua XV de Novembro, 95, Centro Histórico, Santos/SP

Preço: Grátis

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