O ADORÁVEL REVOLUCIONÁRIO MARIO PEDROSA

Mário Xavier de Andrade Pedrosa foi um escritor, jornalista, crítico de arte e ativista político brasileiro, iniciador das atividades da Oposição de Esquerda Internacional no Brasil, organização liderada por Leon Trótski, nos anos 1930, e da crítica de arte moderna brasileira, nos anos 1940.

Mário Pedrosa (Timbaúba PE 1900 – Rio de Janeiro RJ 1981). Crítico de arte, jornalista, professor. Realiza seus estudos no Institut Quinche, em Lausanne, Suíça, em 1913. Entre 1920 e 1922, vive em São Paulo e trabalha como redator de política internacional no jornal Diário da Noite e produz artigos de crítica literária. Em 1923, forma-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Filia-se ao Partido Comunista Brasileiro – PCB em 1926. Viaja para a Alemanha em 1927, e estuda filosofia, sociologia, economia e estética na Universidade de Berlim. Retorna ao Brasil em 1929. Por volta de 1930, com o jornalista Fúlvio Abramo (1909 – 1993) e outros, funda um grupo de posição trotskista e envolve-se no movimento político comunista internacional. Por sua militância política, é preso em 1932. Em 1933 realiza, no Clube dos Artistas Modernos – CAM, a conferência “As Tendências Sociais da Arte de Käthe Kollwitz”, sobre o trabalho da gravurista alemã.

 

Em 1937, com o golpe de Estado e a instauração do Estado Novo (1937-1945), Pedrosa é exilado e permanece em Paris entre 1937 e 1938. Nesse ano transfere-se para Nova York, trabalha no Museum of Modern Art – MoMA [Museu de Arte Moderna] e colabora ativamente em revistas de cultura, política e arte. Volta clandestinamente ao Brasil em 1940. É preso e novamente deportado para os Estados Unidos. Em 1942, por ocasião da inauguração dos painéis de Candido Portinari (1903 – 1962) na Biblioteca do Congresso em Washington D.C., publica um estudo sobre o pintor brasileiro. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, retorna ao Brasil, participa da luta pela derrubada da ditadura Vargas e torna-se colaborador do jornal Correio da Manhã, escrevendo na seção de artes plásticas até 1951. Funda e dirige o semanário Vanguarda Socialista, no Rio de Janeiro, no qual publica artigos difundindo uma orientação política democrática, anti-stalinista e não mais trotskista. Incorpora-se à Esquerda Democrática, fundada em agosto de 1945, que passa a se denominar Partido Socialista Brasileiro – PSB, em 1947.

 

Em 1949 presta concurso para a cátedra de história da arte e estética na Faculdade de Arquitetura do Rio de Janeiro, com a tese Da Natureza Afetiva da Forma na Obra de Arte. Colabora como crítico de arte no jornal carioca A Tribuna da Imprensa entre 1950 e 1954. Concorre em 1955 à cadeira de professor de história do Brasil do Colégio Pedro II, para a qual escreve o texto Da Missão Artística Francesa: Seus Obstáculos Políticos. Torna-se livre-docente desse colégio, defendendo a tese Evolução do Conceito de Ideologia: da Filosofia à Sociologia, em 1956. De 1957 a 1971, assina artigos sobre artes visuais no Jornal do Brasil. Colabora também no jornal Folha de S. Paulo.

 

Membro da Associação Internacional de Críticos de Arte – Aica desde sua fundação, em 1948, torna-se vice-presidente da entidade em 1957. Contemplado com bolsa da Unesco, passa quase dez meses no Japão, entre 1958 e 1959, quando escreve um estudo sobre as relações da arte japonesa com a arte contemporânea ocidental. Organiza o Congresso Internacional de Críticos de Arte, em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, em 1959. Com o título A Cidade Nova, Síntese das Artes, o congresso debate a criação de Brasília e reúne muitas personalidades de destaque internacional.

 

É membro das comissões organizadoras das Bienais Internacionais de São Paulo de 1953 e 1955, e diretor-geral da bienal de 1961. Dirige o Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP de 1961 até 1963. De 1961 a 1962, é secretário do Conselho Federal de Cultura, criado pelo governo Jânio Quadros. Em 1966 volta a colaborar com o Correio da Manhã.

 

Refugiado político durante a ditadura militar, exila-se em 1971. Dirige o Museu de la Solidariedad em Santiago, Chile, no início da década de 1970, e constitui um acervo com doações de artistas de vários países. Torna-se presidente do secretariado do Museo Internacional de la Resistencia Salvador Allende, em Cuba, e professor de história da arte Latino-Americana da Faculdade de Belas-Artes do Chile. Retorna ao Brasil em outubro de 1977.

 

Colaborador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ nas décadas de 1950 e 1960, faz parte do comitê para sua reconstrução após o incêndio de 1978, que propõe a criação do Museu das Origens. Entre 1979 e 1980 é consultor da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente. Um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores – PT, é o primeiro a assinar seu manifesto de criação, no Colégio Sion, em São Paulo, em 1980.

 Mario Pedrosa sempre esteve comprometido com um projeto de construção da identidade brasileira. Toda sua capacidade de ativista político e de crítico de arte estava voltada para a idéia de como o Brasil poderia ir ao encontro de si mesmo, sem ser tomado por um nacionalismo regional e sufocante, mas por uma busca de singularidade arejada que marcasse a diferença em meio a pluralidade das diferentes culturas do planeta.

MARIO PEDROSA E LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Mário Pedrosa foi entusiasta da formação de um partido dos trabalhadores de massas, criado de baixo pra cima, à imagem e semelhança dos despossuídos e explorados, e refletindo um momento histórico no qual a burguesia nada mais nada podia oferecer em termos de futuro. Em diversos artigos, cartas e textos do final da década de 1970 e início dos 1980, Pedrosa lançou, por assim dizer, as bases programáticas do Partido dos Trabalhadores (PT).

Sua biblioteca, com aproximadamente 8 mil livros, folhetos e periódicos sobre arte, filosofia, ciências sociais e política, além de 15 mil itens de seu arquivo, entre cartas, recortes de jornal e documentos iconográficos que registram seu trabalho como crítico de arte e ativista político, faz parte do acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Diversas de suas correspondências e artigos, reunidos pelo Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa – Cemap, estão sob os cuidados do Centro de Documentação e Memória da Universidade Estadual Paulista – Cedem/Unesp, em São Paulo.

Nome:

Mário Pedrosa

Nasceu:

Timbaúba, PE (25/04/1900)

Faleceu:

Rio de Janeiro, RJ (05/11/1981)

 

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