Francis Hime sente saudades da parceria com Chico Buarque

 

A dupla compôs clássicos da MPB como Trocando em Miúdos e Vai Passar

O cantor, compositor pianista, arranjador e maestro Francis Hime sente falta de um dos seus principais parceiros: Chico Buarque, com quem compôs nos anos 1970 e 1980 mais de quinze canções – quase todas clássicos da música popular brasileira como Atrás da PortaA Noiva da CidadeMeu Caro AmigoPiveteTrocando em Miúdos e Vai Passar.

“Parceria tem um tempo. Nós gravamos e fizemos parcerias durante quase 15 anos. Nem sempre dura. Infelizmente, né? Porque Chico é um grande amigo, adoro ele, gosto muito mesmo, tenho muitas saudades daquele tempo. Mas enfim, nem sempre a vida corre da mesma forma”, disse Francis Hime durante entrevista ao programa Roda de Samba que vai ao ar neste final de semana em diferentes horários nas emissoras de rádio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e já está disponível na internet.

Clique para ouvir: conheça o samba que navega e ilumina de Francis Hime

Os dois compositores seguem amigos. Chico gravou a faixa Laura no novo disco de Francis gravado em 2019. “A parceria é um pouco uma extensão da amizade. Naquela época a gente se via muito. A gente continuou muito amigo, mas se vê muito menos hoje em dia. Hoje em dia, a gente se comunica mais por internet. De vez em quando a gente se encontra”, contou o pianista durante o programa.

A última parceria foi o samba Vai Passar, em 1984. “Uma das explicações, talvez a mais próxima da realidade, é que nessa época [eu] estava sempre jogando futebol lá no Polytheama [campo de futebol de Chico no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro]. Então a gente estava sempre muito próximo. Além do que, eu fazia todo o trabalho de direção musical dos arranjos”, rememora Francis Hime.

Veto de Vinicius

Os dois se conhecem desde 1966, quando Chico ainda morava em São Paulo. Tentaram parceria logo, mas sofreram veto de peso. “Eu me lembro que eu tinha um tema, que tinha feito dois anos antes, mostrei para o Chico. Ele gostou da música, resolveu botar uma letra. Mas aí o Vinicius [de Moraes] soube da história, e o Vinicius era muito ciumento com seus parceiros, então ele disse ‘Não, esta não. Ninguém tasca, essa é minha’. Aí o Chico não fez essa letra”, descreve com graça Francis. Os compositores só foram ter a primeira música juntos em 1972, Atrás da Porta.

Francis Hime não atribui apenas ciúmes a Vinicius de Moraes. Segundo ele, o poeta, seu primeiro parceiro, “puxava muito pelo samba”. Os sambas de Francis Hime desfilam no programa. Além das parcerias com Chico e Vinicius, Francis conta histórias e cantarola muitos sambas que fez com Olivia Hime, cantora, compositora e sua esposa, Geraldo Carneiro, Paulinho da Viola e até Cartola, uma parceria póstuma de um poema que recebeu da família do mestre mangueirense para musicar.

Segundo Francis Hime, “o samba sempre correu forte nas veias” e a música que ouvia no rádio na infância ou ouvia em saraus com a participação de Dorival Caymmi tiveram tanta importância na sua formação musical quantos as aulas que fez no Conservatório de Música ou quando estudou música na Suíça e nos Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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