PAULO TAPAJÓS –

 

PAULO TAPAJÓS

 

   20/10/1913  Rio de Janeiro, RJ

    29/12/1990  Rio de Janeiro,RJ

 

Cantor. Compositor. Radialista.

Filho do escritor, jornalista e poeta Manoel Tapajós Gomes. Fez o curso primário no Licée Français. Estudou depois no instituto Lafayette em Botafogo e posteriormente no Colégio Andrews no mesmo bairro. Ingressou depois na Escola Nacional de Belas Artes a fim de estudar Arquitetura.

Em 1926,começou a estudar piano ao mesmo tempo em que,sozinho, estudava violão. Posteriormente, estudou canto. Em 1936, ingressou como desenhista profissional no Departamento de Aeronáutica Civil, cargo que ocupou por seis anos.

Em 1974, aposentou-se da Rádio Nacional, onde ingressou no ano de 1942. Exerceu a função de vice-presidente social do Fluminense Futebol Clube, tendo sido benemérito e membro vitalício de seu Conselho Deliberativo. Fez parte do Conselho Superior de Música Popular do Museu da Imagem e do Som e da Associação Brasileira de Propaganda. Ocupou a cadeira de Roquette Pinto como membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro. Foi sócio fundador e secretário geral da Academia Brasileira de Música Popular, ocupando a cadeira de Eduardo das Neves. Foi contemplado com inúmeros diplomas, títulos, troféus e medalhas, como a Medalha de Prata do Centro Brasileiro de Rádio Educativo, pelos 55 anos de Rádio sem interrupção no microfone e a Placa de Prata pelos 62 anos de inestimáveis serviços em prol da preservação e divulgação da Música Popular Brasileira, conferida pelo Centro Austregésilo de Athayde, entre outras.

Pai dos músicos Paulinho Tapajós, Maurício Tapajós e Dorinha Tapajós.

Em 1927, editou sua primeira canção pela Editora Casa Vieira Machado, a modinha “Meu bem”, com letra de seu pai, que não chegou a ser gravada. Em 1928, iniciou a carreira artística apresentando-se juntamente com os irmãos Haroldo e Oswaldo, formando o trio Irmãos Tapajós, na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Pouco depois, Oswaldo desistiu da carreira e Paulo e Haroldo prosseguiram em dupla como Irmãos Tapajós. Em 1932, a dupla gravou seu primeiro disco, na Columbia, com o fox-canção “Loura ou morena” e o fox-blue “Doce ilusão”,o qual cantou sozinho, ambas composições de Haroldo Tapajós, a primeira em parceria com o então iniciante Vinícius de Moraes. Lançou ao todo 12 discos com o irmão pelas gravadoras Odeon, Victor e Columbia. Em 1933, os fox-canção “Canção da noite” e “Honolulu”, parcerias sua com Vinícius de Moraes foram gravados pelos Irmãos Tapajós na Columbia.

Em 1935, gravou na Victor o primeiro disco sem o irmão Haroldo, em dueto com Almirante, interpretando a moda “Prenda minha”, de motivo popular com arranjos de Radamés Gnatalli e a toada “Aquela China”, de Luiz Cosme e Vargas Neto. Nesse ano, teve gravado pelo Bando da Lua o samba “Vou-me embora levando”. A dupla com o irmão dissolveu-se em 1942 quando Haroldo desistiu da carreira artística. Nesse ano, passou a cantar sozinho, na Rádio Nacional além de atuar no Departamento Artístico da Rádio. Nessa décade, atuou como artista-cantor das primeiras “dublagens” de desenhos animados de Walt Disney, participando das dublagens dos desenhos “Pinocchio”, “Alice no País das Maravilhas”, “Dumbo”, “Branca de Neve e os sete anões” e “Melodias”.

Em 1943, os radialistas José Mauro e Haroldo Barbosa criaram o programa “Um milhão de melodias”, que deu impulso à Rádio Nacional. Atuou nesse programa juntamente com Albertinho Fortuna e Nuno Roland no Trio Melodia criado exclusivamente para o programa, que, em sua forma inovadora, “quebrava o tabu das interpretações exclusivas”, conforme informa Luiz Carlos Saroldi, com inovações nos arranjos que eram de Radamés Gnatalli.

Em 1946, foi contratado pela Rádio Tupi onde atuou como cantor e como diretor artístico. Em 1948, regressou como diretor artístico para a Rádio Nacional cargo no qual permaneceu até aposentar-se 26 anos depois. Na Rádio Nacional, atuou como artista, diretor da broadcasting e diretor musical. Na Rádio Nacional criou os programas “Quando os maestro se encontram”, “O assunto é música”, “A pausa que refresca” e “Quando canta o Brasil”, entre outros.

No começo da década de 1950, criou um dos mais famosos programas da Rádio Nacional, “A turma do sereno”, que segundo suas palavras: “ocupava apenas um cavaquinho, uma flauta, um clarinete, um clarone e um violino, além dos cantores e outros solistas convidados. A “turma do sereno” era o reencontro da música com a rua mal iluminada pelo lampião a gás, era o momento em que a gente imaginava que numa esquina de rua encontravam-se os velhos amigos para fazer choro, para cantar valsas e modinhas; era a oportunidade da gente tirar dos velhos baús alguns xotes, maxixes, polcas, já um tanto amarelados”. O grupo que tocava normalmente na “Turma do sereno” era composto por Abel Ferreira, Irany Pinto, João de Deus, Sandoval Dias, Carlos Lentini, Rubem Bergman e Valdemar de Melo. Em 1951, gravou com a “Turma do sereno” pela Continental a canção “Lua branca”, de Chiquinha Gonzaga. Nesse ano, gravou com Vero, pseudônimo de Radamés Ganatalli e Seu Conjunto, o samba-canção “Distância infinita”, de Alberto Ribeiro e Dermeval Fonseca.

Compôs com Nelson Gonçalves ainda em 1951 o fox-trot “Vem amor” e, com José Batista, o samba “Amor perfeito” gravadas por Nelson Gonçalves na RCA Victor. Também com Nelson Gonçalves compôs o samba “Escravo” gravado no mesmo ano por Ivete Garcia na Star. No ano seguinte, teve o samba “Morreu o Anacleto”, parceria com Valdemar de Abreu, o Dunga, gravado por Geraldo Pereira na RCA Victor. Ainda em 1952 ,teve a batucada “Nos braços dele”, com Nelson Gonçalves, gravada na Sinter pelo grupo As Moreninhas.

Gravou em dueto com Marlene na Continental em 1953 os baiões “Eu vou pro Ceará”, de Humberto Teixeira e “Baião no deserto”, de sua parceria com Abel Fereira e José Menezes. Nesse ano, seu fado “Segredo” foi gravado na Sinter por Ester de Abreu.

Em 1955, seu fox-canção “Canção da noite”, com Vinícius de Moraes, foi regravado na RCA Victor por Ivon Curi. Nesse ano, teve a valsa “Quero beijar-te ainda” gravada por Orlando Silva na Odeon. Em 1957, lançou pela Continental o LP “Paulo Tapajós recorda” no qual interpretou “Malandrinha”, de Freire Júnior; “Casa de caboclo”; de Luiz Peixoto e Hekel Tavares; “Na casa branca da serra”, de J. C. de Oliveira; “Chuá-chuá”, de Sá Pereira e A . Pavão; “Rancho funo”, e Ary Barroso e Lamartine Babo; “Casinha pequenina”, do folclore; “Guacira”, de Joracy Camargo e Hekel Tavares, e “Casinha da colina”, de Pedro de Sá Pereira e Luiz Peixoto.

Em 1958, assumiu o cargo de gerente da gravadora Continental. No mesmo ano, sua marcha “Adeus, São João”, com João de Barro, foi gravada na Continental por Nuno Roland. Também no mesmo ano, lançou pela Sinter os LPs “Última estrofe” e “Catulo o poeta do sertão”. Ainda em 1958, criou e dirigiu a série “Festivais de música popular brasileira”, que com a orquestra da Rádio Nacional, sob a direção do maestro Radamés Gnatalli e com a presença de astros da emissora, percorreu as cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo em 16 concertos.

Ainda na década de 1950, foi responsável pela produção, arranjos e regência da série de discos coloridos contendo cantigas de roda e histórias infantis lançados pela gravadora Carroussell, destacando-se “O peixe vivo/Frei Martinho”, “Ciranda cirandinha/Meu limão, meu limoeiro”, “Teresinha de Jesus/Capelinha de melão”, “Onde está a margarida?/Nesta rua tem um bosque”, “O cravo brigou com a rosa/Eu fui no tororó”, “Pirulito que bate bate/Atirei um pau no gato”, “Feliz aniversário/Prenda minha”, “Marré marré/Passa passa gavião”, “Meu barco é veleiro/Senhora viúva”, “O pobre peregrino/Os escravos de Jó”, “A mão direita tem uma roseira/Pai Francisco”, “Carneirinho carneirão/Mulher rendeira”, “O gato de botas”, “O urso e o sabiá”, “Porque o galo canta”, “Zé Carrancudo”, “Na Bahia tem/Samba le-le” “Garibaldi/Olha o boi”, “Chapeuzinho vermelho/O patinho feio”, “O boi barroso/Cachorrinho”, “Vamos maninha/Minha machadinha”, “Noite feliz/Feliz Natal”, “É natal (Jingle Bells)/Feliz ano novo”, “Pinheiro de Natal (O Tannenbaum)/Sapatinho na janela”, “A velha e o porco”, “Dorinha e seus sapatos de prata”, “O leão Golias”, “Lili/Sapo Cururu”, “O coelhinho/Marcha soldado”, “A canoa virou/Sinhá Aninha”. “A minha gatinha parda/Bela pastora”, “O meu boi morreu/Vem cá Bitu”, “A moda de tal anquinha/São João Dararão”, “A gaiola dourada”, “O casamento da raposa”, “Tinta Preta e Bola de Neve”, “Os três ursos”, “A raposa e a sacola”, “O macaco e o crocodilo”, “Caranguejo não é peixe/Rebola bola”, “Mais uma boneca/Você me chamou de feio”, “Vi sentada uma barata/Ai, eu entrei na roda”, “Roda pião/Pulga toca flauta”, “Oh, Suzana/O ba be bi bo bu”, “Passarás, não passarás/A linda rosa juvenil” e “Noite santa” e “Paulinho e a tuba”. Ainda na área dos discos infantis, produziu para a gravadora Mirim “Seguimos nosso guia/Você pode voar”, “Oh, mamãe/Porque o índio é assim”, “Ao clarão da lua (Au clair de la lune)/Ainda não comprei”, “Prenda minha/Senhora viúva”, “Atirei um pau no gato”, “São João Dararão”, “O peixe vivo/Garibaldi foi à missa”, “Rosa amarela/Eu choro, choro lá”, “Carneirinho carneirão/O cravo brigou com a rosa”, “Margarida vai à fonte/Escravos de Jó”, “Passa passa gavião/A mão direita tem uma roseira”, “O soldadinho de chumbo”, “O galo Luizinho”, “O pequeno carro de bombeiros”, “Newton, o bonde fora de moda”, “Trica e troca” e “O gato que queria viajar”. Em alguns desses discos, participou também como cantor.

Em 1966, fez parte da comissão executiva do Primeiro Festival Internacional da canção, permanecendo por quatro anos como diretor artístico do evento. Em1969,foi o representante brasileiro no juri do X Festival Internacional de la Canción de Viña del Mar, no Chile sendo escolhido por unanimidade como presidente do juri. Nesse ano, esteve como jurado no Festival de Música de Budapeste na Hungria. Em 1969, foi indicado para o Conselho Superior de Música Popular do Museu da Imagem e do Som.

Em 1971, saiu pela RCA Camden o LP “Os saraus de Jacob – Jacob do Bandolim recebe o modinheiro Paulo Tapajós” no qual interpretou os clássicos “Brejeiro”, de Ernesto Nazaré; “Faceira”, de Ary Barroso; “Noites cariocas”, de Jacob do Bandolim; “Os olhos dela”, de Irineu de Almeida e Catulo da Paixão Cearense; “Trocas”, de Adelmar Tavares e Marcelo Tupinambá; “Lágrimas”, de Cândido das Neves; “Cochicho”, de Pixinguinha e “Murmurando”, de Mário rossi e Fon-Fon. No ano seguinte, escreveu o capítulo “Música popular brasileira”, o livro didático “Brasil, uma história dinâmica”, que foi escolhido entre os cinco melhores livros didáticos brasileiros pela Unesco. Em 1973, ingressou na Rádio MEC na qual produziu os programas “Coisas da província”, “O assunto é Noel”, “Histórias de engabelar”, “Antologia do chorinho”, “MPB ao cair da tarde” e “O nosso domingo musical”, apresentado dentro do Projeto Minerva. Ajudou a planejar e a instalar rádios Curitiba, Londrina, Salvador, Ribeirão Preto e outras cidades.

Em 1975, auxiliou na criação da Associação Brasileira de Música Popular assumindo o cargo de vice-presidente. No ano seguinte, assumiu o cargo de presidente que exerceu durante seis anos. Ainda em 1976, atuou como cantor no programa “MPB – 100, ao vivo”, do projeto Minerva, lançado em LP, produzido e dirigido por Ricardo Cravo Albin. Estes discos acabaram resultando em alguns shows, o principal deles “Do chorinho ao samba”, escrito e apresentado por R. C. Albin, com o qual o cantor viajou a Curitiba, Vitória e Belo Horizonte, ao lado de Altamiro Carrilho. Sua atuação foi intensa também como produtor tendo sido responsável pelo lançamento dos discos LPs “Carlos Galhardo: Fascinação”, pela EMI/Odeon, “40 anos da Rádio Nacional”, pela Philips, “A modinha”, pela Companhia Internacional de Seguros, “80 anos de música carioca”, pela Companhia Nacional de Tecidos Nova América, “Garoto”, pelo Museu da Imagem e do Som, “Orlando Silva”, pelo Museu da Imagem e do Som, “Terezinha de Jesus”, pela Funarte e “Rosaly”, também pela Funarte, entre outros.

Na década de 1980 fez parte do júri de diversos festivais de música como “X Califórnia Canção Nativa do Rio Grande do Sul”, na cidade de Uruguaiana, RS, “Comunica-Som”, em Goiânia, GO e “Seara da Canção Gaúcha”, em Carazinho, RS, entre diversos outros. Em 1986 produziu um LP gravado pelos seresteiros da cidade de Conservatória. Dois anos depois, a Collector’s Editora Ltda. lançou o LP “Paulo Tapajós”, vol. XV da série “Os ídolos do rádio”, contendo, entre outras, as canções “Mimosa”, de Leopolo fróes; “Pregões”, de João de Barro e “Casa de caboclo”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto; a moinha “Margarida vai à fonte”, de motivo popular e a marcha-rancho “Só teu amor”, de Eduaro Souto. Nesse disco, interpretou seis músicas acompanhado por Pixinguinha e o Regional de Benedito Lacerda e outras seis com a Orquestra da Rádio Nacional ou a Turma do Sereno, seis cantadas na Tupi e seis na Rádio Nacional, destacando-se “Melodia do meu bairro”, samba de Dorival Caymmi.

Ao longo de sua vida, foi um estudioso da música popular brasileira. Acumulou um acervo de documentos, partituras, discos, livros, revistas, recortes, impressos e alguns manuscritos originais, em viagens realizadas por todo o Brasil, que até hoje vem sendo consultado por gravadoras, editoras, emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas, além de profissionais do meio artístico e do meio acadêmico.

Recebeu várias homenagens póstumas como as conferidas pela Rádio Nacional, Rádio MEC, Insituto Histórico e Geográficoo Rio de Janeiro, Assembléia Legislativa de São Paulo, União Brasileira de Compositores, Associação Brasileira de Imprensa, Museu da Imagem e do Som e Fluminense Futebol Clube, entre outras. Conservatória, cidade de seresteiros localizada no Rio de Janeiro, pela qual o cantor e pesquisador se apaixonou e para onde costumava viajar nos finais de semana, realizou várias homenagens à sua memória, como a inauguração do edifício Solar Paulo Tapajós, do monumento Paulo Tapajós,no Hotel Pousada, do Restaurante Tapajós, do Auditório Paulo Tapajós,da UBS e do Salão Nobre de Convenções Paulo Tapajós no Hotel Vilarejo. Em 20 de outubro de 2001, data em que o cantor e compositor faria 88 anos, foi inaugurada, no Rio de Janeiro, a Avenida Paulo Tapajós, antiga Avenida AW na Praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes. No dia seguinte, em emocionado depoimento, sua viúva recordou algumas passagens de sua vida durante homenagem prestada à sua memória pelo Espaço Cultural Toca do Vinícius, que também homenageava Vinícius de Moaraes, cuja data de nascimento era 19 de outubro de 1913. Os dois parceiros tinham, portanto, apenas um dia de diferença de idade.

 

Dicionário Ricardo Cravo Albin.

Author: Redação

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