23ª Oficina de Música de Curitiba. Formação e Aprimoramento.

 

 

 

23ª Oficina de Música de Curitiba reafirma proposta de formação e aprimoramento

 

 

Os cursos e concertos abrangeram manifestações da música erudita à popular, com passagem pela música antiga. A oferta de um corpo docente formado por músicos internacionais foi a principal razão da grande afluência de estudantes, que se dividiram entre as fases erudita e popular. Na etapa de música erudita e antiga, realizada de 05 a 15 de janeiro, 901 alunos participaram de 61 cursos, ministrados por 65 professores. Na fase popular, de 16 a 25 de janeiro, 27 professores estiveram à frente de 30 cursos que reuniram 512 alunos.

 

“A música desempenha papel vital no processo da educação. Por isso, o objetivo da Oficina de Música de Curitiba foi, mais uma vez, proporcionar o convívio de professores, alunos e o público, com aulas, ensaios e apresentações diárias”, afirma o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Paulino Viapiana.

 

A Oficina ofereceu espetáculos memoráveis, a começar pelo concerto da Orquestra Jovem das Américas, formada por músicos dos Estados Unidos, Canadá e de vários países latino-americanos, que abriu oficialmente a programação da 23ª Oficina de Música de Curitiba.

 

A orquestra apresentou três composições de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – o Sexteto para Sopros, o Divertimento Musical para Trompas e Cordas em Fá Maior e a Sinfonia nº 40. Como músicos convidados participaram os professores Michel Debost (flauta), Afonso Venturieri (fagote), Norberto Garcia e Betina Stegmann (violino), Marcelo Jaffé (viola), Milton Masciadri (contrabaixo) e Alexandre Klein (oboé), também diretor artístico da 23ª Oficina.

 

Com sede em Washington, a Orquestra Jovem das Américas tem feito apresentações nas salas de concertos de maior prestígio no continente, incluindo o Teatro Colón de Buenos Aires, o Palácio de Bellas Artes na Cidade do México e o Kennedy Center em Washington, assim como em solenidades com presidentes de diversos países e líderes das Nações Unidas e da OEA (Organização dos Estados Americanos). Vários solistas e regentes como o violoncelista YO YO Ma, o clarinetista Paquito D´Rivera e maestros convidados, entre os quais Leonard Slatkin, Benjamin Zander e Carlos Miguel Prieto, têm se apresentado com a orquestra.

 

O encerramento da fase de música popular brasileira – e conseqüente término da 23ª Oficina de Música de Curitiba – aconteceu com espetáculo da Banda Mantiqueira. Um dos maiores sucessos da música instrumental brasileira da atualidade, indicada ao Prêmio Grammy em 1998, a banda reúne basicamente instrumentos de sopro e percussão, sendo que todos os músicos desfrutam de um talento individual incontestável. Dos 14 integrantes, três atuaram como professores da Oficina de MPB: o clarinetista Nailor Azevedo, o Proveta, líder da banda, que comandou aulas de clarinete e prática de orquestra; Guello, que orientou o curso de percussão; e François de Lima, que respondeu por aulas de técnica e improvisação em trombones.

 

Do universo dos compositores de música popular, Proveta selecionou para o show alguns dos mais notáveis. Juntou a esse repertório composições próprias e arranjou-as para a formação de big-band. No show, a Banda Mantiqueira apresentou composições como “Vovô Manoel”, de sua autoria, e “Santos-Jundiaí”, de Edson Alves, ao lado dos sucessos de Pixinguinha (Naquele Tempo, Um a Zero e Carinhoso), João Bosco (Linha de Passe), Dorival Caymmi (Samba da Minha Terra e Saudade da Bahia), Joyce (Feminina) e Jacob do Bandolim (Vôo da Mosca). Outra atração foi a participação especial dos irmãos Izaías e Israel de Almeida Bueno, em dois chorinhos de Valdir Azevedo (Pedacinhos do Céu) e Ernesto Nazareth (Escorregando).

 

Aperfeiçoamento

 

Nessa edição da Oficina de Música de Curitiba, os alunos tiveram a oportunidade de aperfeiçoar suas técnicas com renomados músicos, entre eles o violinista Gregory Fulkerson e os violistas Richard Young e Norman Fischer, que vieram dos Estados Unidos; o trompetista Paul Merkelo, do Canadá; o violinista Yuriy Rakevich, da Rússia; Dolores Costoyas (especialista em instrumentos barrocos), da Argentina; o oboísta brasileiro Washington Barella, que atua na Alemanha; o flautista francês Michel Debost, entre outros músicos que têm acompanhado a Oficina nos últimos anos, como a cantora lírica Denise Sartori.

 

A fase de música popular brasileira também abriu espaço para o jazz e a música instrumental. Os cursos foram ministrados por profissionais conhecidos nacionalmente, entre eles a cantora Mônica Salmaso, Daniel Sá (guitarra), Beto Lopes (violão), Ivan Vilela (viola caipira), os irmãos Izaías e Israel Bueno de Almeida (choro, bandolim, cavaquinho e violão), Jorginho do Trompete, Proveta (clarinete), Endrigo Bettega (bateria) e André Mehmari (piano), além de palestras com a dupla Kleiton e Kledir e o compositor José Mighel Wisnik. As raízes musicais brasileiras foram celebradas por meio dos grupos de Fandango e Boi de Mamão.

 

Novidades

 

A cada ano, a Oficina de Música proporciona novas oportunidades aos estudantes que vêm de todo o Brasil e de outros países, especialmente da Argentina, Paraguai e Uruguai. Uma das novidades da 23ª edição ficou por conta do Concurso Nacional de Composição para Flauta e Piano Michel Debost, organizado em parceria com o Departamento de Música da Universidade Federal do Paraná. Entre 66 inscritos, o vencedor foi o compositor paranaense Márcio Steuernagel, de 22 anos, com a obra “As a flower and its butterfly. Em segundo lugar ficou o gaúcho Januibe Tejera, com “Sonata”, e em terceiro, o compositor mineiro Maurício Ribeiro, autor de “Suite Brasileira”.

 

Pela primeira vez, a Oficina de Música recebeu a Orquestra Acordes para as Cordas, do Instituto Pão de Açúcar. Além da apresentação no Canal da Música, os seus integrantes também participaram dos cursos. Outro programa inédito foi o estudo Avançado de Quarteto de Cordas, para o qual foram eleitos três quartetos – um de Minas Gerais e os outros dois do Paraguai e Uruguai – que desenvolveram um esquema intensivo de estudos e ensaios, tutelados diretamente pelos professores.

 

As aulas aconteceram no Colégio Estadual do Paraná e os concertos ocuparam vários espaços – Canal da Música, Teatro Guaíra, Sesc da Esquina, Teatro do HSBC, Memorial de Curitiba, Teatro da Reitoria, Igreja Bom Jesus e Igreja Comunidade de Cristo.

 

Histórico

 

Realizada ininterruptamente pela Fundação Cultural de Curitiba, desde 1983, a Oficina de Música de Curitiba inspirou-se nos festivais e cursos internacionais de música, antes realizados pela Secretaria Estadual de Educação e Cultura. Anualmente, sempre no mês de janeiro, Curitiba abriga estudantes e professores de música de todo o Brasil e de outros países, numa confraternização musical que transforma a cidade em laboratório vivo para instrumentos e vozes.

 

O reconhecimento da importância da Oficina de Música de Curitiba é traduzido pelo crescimento do evento, que consta como um dos mais expressivos da agenda musical brasileira. Em sua primeira edição, em 1983, ofereceu oito cursos e reuniu 200 alunos. Com o passar do tempo, a iniciativa ampliou-se. À música erudita juntaram-se os cursos de Música Popular Brasileira, música antiga, encontros de professores e simpósios. Atualmente, a Oficina é o maior evento brasileiro voltado à formação, reciclagem e aperfeiçoamento de músicos.

 

A programação toma conta de diversos espaços culturais, abrindo ao público dezenas de recitais. Os cursos e concertos contemplam manifestações da música erudita à popular, com passagem pela música antiga, além do aprimoramento oferecido pelo Encontro de Professores de Piano.

 

Em 2002, a seriedade do trabalho desenvolvido pela Oficina de Música de Curitiba, ao longo de duas décadas, conquistou o aval de um Conselho de Mentores que, em 2005, foi formado por Antonio Meneses, Daniel Berenboim, Henriqueta Garcez Duarte, Hopkinson Smith, John Neschling, Jordi Savall, Lúcia Camargo e Salvatore Accardo. Nesta 23ª edição, a Oficina de Música contou com o apoio cultural da Fundação Vitae, dos consulados do Estados Unidos e França, British Council, Aliança Francesa, Instituto Goethe, secretarias de Estado da Educação e da Cultura, Fundação Teatro Guaíra, Paraná Educativa, Sesc da Esquina, Teatro HSBC, Siemens Ltda, The University of Geórgia, Theatro Municipal de São Paulo, Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Clube Concórdia e Pró Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal do Paraná.

 

Na edição encerrada na noite de terça-feira, também foi inaugurada a participação do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac) na gerência administrativa da Oficina.

 

“Tivemos uma das melhores edições de todos os tempos, e dedicamos este sucesso a todos que trabalharam e apoiaram o evento. Temos também que agradecer ao prefeito Beto Richa, que garantiu a realização da Oficina ainda antes de tomar posse, e ao Governo do Estado, que colaborou com materiais e cessão de importantes espaços como o Colégio Estadual do Paraná, o

Canal da Música e o Teatro Guaíra”, diz Paulino Viapiana.

Author: Redação

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