Hábitos culturais

habitosRevela a recente Pesquisa Nacional sobre Hábitos Culturais que a maioria das pessoas entrevistadas não frequenta atividades ligadas à cultura por falta de hábito ou, pura e simplesmente, por não gostar delas, o que configura uma realidade ainda mais lamentável dentro do nível de conhecimentos gerais da população nacional.

São vários os fatores responsáveis pela ausência de estímulo a um tipo de consumo tão enriquecedor e favorável ao desenvolvimento. Na realidade, a formação de público consumidor de cultura deve começar desde a infância e requer um amplo esforço conjunto de vários segmentos da sociedade, a principiar pelo estímulo à leitura, desde muito cedo, dentro do âmbito familiar.

Em uma fase seguinte, a escola precisa desempenhar importante papel nesse sentido, com aulas de arte, música e literatura, ministradas sem certa aspereza que por vezes reveste o material didático, sobretudo no tocante à característica da obrigatoriedade seletiva.

Na atualidade, o ensino brasileiro se preocupa mais em encaminhar os jovens para o vestibular e para o mercado convencional de trabalho, sem estabelecer diretrizes específicas no sentido de aproximá-los, também, dos hábitos ligados às atividades essencialmente artísticas e culturais. Esse processo de aproximação teria de ser lento e gradual, sem tentar métodos apressados de assimilação, com o objetivo de obter bases sólidas e capazes de influir na aquisição de futuros benefícios na idade adulta.

Mesmo uma análise superficial é suficiente para comprovar que a maioria do povo brasileiro foi historicamente excluído de processo cultural dotado de maior alcance e munido de uma visão política mais abrangente. Comprar livros, assistir a concertos musicais ou, até mesmo, ir ao teatro e ao cinema são ainda privilégio de uma minoria de maior poder aquisitivo, que recebeu no tempo adequado os imprescindíveis incentivos educacionais e familiares.

Também inexistem estímulos substanciais ao mercado produtor, para aumentar a oferta de bens culturais e possibilitar a facilidade de acesso a eles por parte da maioria da população, independentemente de sua condição financeira.

A ausência de medidas públicas e de movimentos sociais relevantes, que entendam a importância vital do acesso básico ao consumo cultural, torna-se um empecilho à universalização de um direito previsto por lei, representativo de um dos pilares essenciais do exercício pleno da cidadania.

É lamentável a constatação de que imenso número de pessoas nunca teve oportunidade de alcançar um patamar mais elevado na escala social pelo fato de não haver obtido chances de desenvolver seu acervo na área da cultura.

Experiências isoladas, geralmente partidas da iniciativa privada, têm contribuído com seu quinhão de esforço e persistência no sentido de minimizar tão sérias carências, em trabalhos de resultados habitualmente profícuos. Falta, ainda, o respaldo de firme decisão política do poder público, com o objetivo de somar pontos na formação de hábitos tão relevantes à imagem do País, mas até hoje injustamente relegados a graus insignificantes de omissão e desinteresse.

Author: Redação

Share This Post On

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *