Artigo de Manoel de Souza Neto – Carta “Paraná”da… cultura!? Que movimento queremos?

No último século os movimentos culturais no Paraná mudaram profundamente, primeiro sendo formados por intelectuais ora poetas preocupados unicamente com a expressão de suas ideias e promoção de encontros agradáveis em grêmios literários, ora… conservadores com ações políticas, com claras intenções de educar, pelas perspectivas das elites e grupos sociais em conflito, afirmando suas vontades de grupo, perante os demais grupos artísticos, culturais e identidades.
O Templo das Musas e os festivais da primavera se destacam como encontros de intelectuais da cidade com um caráter cultural intelectual, realizados a mais de um século por Dario Velozzo (RODERJAN, 2004). Operetas, concertos e uma intensa vida cultural, como forma de afirmação social e etiqueta é o que foi visto no antigo teatro São Theodoro (posteriormente teatro Guaira) e na vida cultural do ínicio do século XX em Curitiba (JUSTUS, 2004).
Enquanto as identidades culturais, negra, indígena e sulista eram proibidas, lunduns, danças, trajes, cavalgadas e jogos (PEREIRA de MELLO, 1996), as elites reconstruíam uma nova cultura forjada, que diferenciasse Paraná de São Paulo de um lado, e do outro do Sul revolucionário e tropeiro, disso surge o Paranismo, que se apropria de tradições e simbologias que já estavam vivas em meio as comunidades tradicionais, como afirma a pesquisadora Adalice Araujo, mas reconfigurada, aproximando-se do modernismo. Se à 100 anos os intelectuais do velho Paraná fundaram a UFPR e o Centro de Letras do Paraná, Instituto Histórico e Geográfico, EMBAP, Centro Paranaense Feminino de letras nas décadas de 40 a 70, os novos grupos sociais e étnicos descendentes de povos germânicos e de lestes europeu fundaram grupos e organizações de artes, de alta cultura e grupos de agitação cultural Scabi, e Pró-Música (PROSSER, 2004) e a turma aliada a ala paulista que dominou a Academia de Letras do Paraná. Apesar dos conflitos de grupos sociais existentes, o resultado direito disso é a mesma coisa, foram anos de afirmativas culturais da visão das elites.
As elites da cultura alinhada ao golpe militar promovem no Paraná, participação através de Andrade Muricy, único membro paranaense no CNC-Conselho Nacional de Cultura, em 1966 (CALABRE, 2010), e através do ex-governador Ney Braga, que enquanto ministro da cultura e educação, promoveu a primeira Conferência Nacional de Cultura em 1976. Iniciativas do período ainda eram no sentido educar o povo, não dar voz, ou legitimar as diferentes identidades culturais. Portanto, controle social e imposição do poder do Estado.
No Paraná. Eventos como Festivais de Música e Oficina de Música, serviam a afirmativa de identidades Europeias e culturas de diferenciação no conceito de Boudieu, arte a serviço da burguesia.
As massas, os outros, ou “não Morigerados” como diria o professor Magnus Roberto Pereira de Mello ficaram na berlinda, tendo suas expressões em poucos momentos reproduzida ou legitimada em alguma festa popular (carnaval de rua em Curitiba na virada de 70 para 80), ou em caso como o sertanejo e gaucho eram expostos nos primórdios da rádio e TV no Estado (PINTO, entrevista ao autor 2003), onde regionais se apresentavam todos os dias nas emissoras nos anos 40 até 70, dando novos ares as identidades culturais, legitimando grupos e afirmando diferenças através da comunicação, (PETERS).
Com a chegada da industria cultural de massas e a dominação de campos como direito autoral e difusão, empresas de entretenimento multinacionais arrasaram com o espaços antes dividido com a cultura local. O jabá, o ECAD, as redes de rádio e TV, a dominação dos estúdios e do campo industrial fonográfico empurraram as culturas e identidades totalmente para fora da mídia dando força a Sociedade do Espetáculo e da monocultura das modas internacionais. Tanto as culturas das elites, como as populares foram renegadas, em favor de uma cultura cosmopolita internacional, e posteriormente uma cultura alienada a partir dos anos 80, aquilo que foi divulgado nas rádios e emissoras de TV e o produto banalizado e brutalizado pela industria. A cultura e identidades são substituídas em larga escala por uma cultura hedonista, consumista e alienada.
As culturas locais em todo território nacional viveram anos de perda sem precedentes desde os anos 70, as emissoras em redes com cabeças em Rio de Janeiro e São Paulo, reproduzindo enlatados americanos boa parte do tempo, eliminaram as identidades brasileiras dos processos de visibilidade, mas não mataram as manifestações.
Com a abertura política gradual, nos anos 70, movimentos como Mapa articulavam músicos populares, através a recém criada Fundação Cultural de Curitiba, que desde seus surgimento teve a pecha de ser uma mega-produtora cultural a serviço dos interesses dos gestores, uma fundação de artes, mas jamais uma secretaria de políticas públicas que respeita-se as identidades culturais. Ao contrário, o que vem sendo feito historicamente pela FCC é selecionar o presente, definir uma história das elites, ao mesmo tempo recriando o passado dentro da teoria do idealismo cultural.
Enquanto os movimentos tradicionais movimentavam a cidade, os festivais de música ostentavam o poderio da música europeia, na área de visuais ocorria a semana de arte moderna promovida pela pesquisadora Adalice Araujo no inicio dos anos 70. Já em 1979 os primeiros músicos independentes brasileiros promovem em Curitiba o encontro da música independente organizada pelo instrumentista Antônio Adolfo (RJ). Os outros, os novos, os descontentes, os independentes passam a emitir suas vozes entre o velho, o novo, o dominante local e as dominações internacionais.
Após a anistia e a redemocratização, novos movimentos sociais, reclamantes, detentores de direitos, em consonância com movimentos internacionais de direitos humanos que reconheciam as identidades culturais inspiraram os movimentos que passam se reorganizar.
No Paraná, movimento negro, passa a reivindicar parcela da sociedade, contrariando a sua invisibilidade histórica, reforçada pela obra de Wilson Martins, “Um Brasil Diferente” (1958) que promoveu ao seu tempo uma mentira histórica de que não existiam negros no Paraná. Movimentos indígenas, rurais, e comunidades tradicionais passam a ter maior reflexibilidade luta por direitos, visibilidade e legitimação.
As classes culturais e artísticas também passam a se mobilizar, mas não mais como a grande arte, mas a arte como direitos sociais. O grupo coordenador por Carlos Marés, promove em 1982/83 seminários e um carta de intenções para políticas públicas com intenções marcadamente sociais. A Fundação Cultural de Curitiba vive seu melhores anos, articulada com a educação, promove a criação e descentralização de ações, que chagam as escolas e bairros da cidade. Um tempo, como lembrou Aramis Milarch, em que os compositores de musicas de carnaval iam defender suas obras no coreto da praça em um concurso. 100 mil pessoas é o numero de foliões ao dia no final dos anos 70.
Em 1984, a cidade é novamente destaque nacional, ao receber o primeiro grande encontro das diretas já. Determinante para renovar os ânimos dos movimentos sociais.
No fim dos anos 90 com a criação da secretaria da cultura do Paraná, e o surgimento da TV e Rádio Educativas, novos movimentos começam a ser reconhecidos. Porem a luta pelas verbas anda em paralelo aos movimentos reclamantes de direitos. E nos anos 90, a visão neo-liberal internacional impõem seu modelo de fomento voltado ao mercado, criando leis de incentivo à cultura, que são regidas pelos interesses de banqueiros e departamentos de marketing das grandes empresas. O Estado do Paraná novamente sofre da falta de estrutura social, e se rende ao modelo, gerando novas opressões as identidades culturais, abafadas pelas “peças” publicitárias de cultura que são a maioria dos produtos que patrocinados pelas leis de incentivo.
Em 1997 surge para defender o modelo de fomento o Fórum das Entidades Culturais de Curitiba. Sediada junto ao SATED, dominado pelas cênicas e por produtores, tem sido, tanto um defensor de políticas públicas, como um orientador e manipulador das políticas, dos júris, regras e instrumentos, que geram programas, editais e resultados que instrumentalmente, muito mais que estrategicamente, acabam por favorecer os mesmos de sempre.
A Fundação Cultural de Curitiba (FCC) passa nos anos Lerner e Greca por um período fértil de publicações de livros, sobre bairros, grupos, etnias, e também sobre vultos históricos, novamente, nos anos 90 as políticas são ferramenta de recorte social e legitimação de grupos, em detrimento de outros. O carnaval de rua é jogado na berlinda. As ruas são fechadas para as manifestações. As “bandinhas” e culturas populares são negadas e excluídas das políticas. Acervos do velho Paraná, coleções de David Carneiro, Aramis Milarch, Templo das musas, e até a centenária fabrica de Pianos Essenfelder e outros são ignorados e colocados as traças, incêndios, sucateamento, por falta de apoio dos governos ao longo de 20 anos.
Em paralelo, a cidade ganha portais comemorativos em bairros com homenagens as etnias que são favorecidas pelo grupo político/étnico em ascensão desde os anos 70. O século começa com as festividades do Sesquicentenário da Emancipação Política. Na Missa dos 150 anos do Estado o Padre Marcelo Manzotti, profere belo sermão, porem deixando de lado negros, indígenas, ciganos, árabes, judeus, bem como os grupos fundadores descendentes de portugueses e espanhóis, todos presentes a muito, mas ignorados, como se a cidade e o estado, só existissem a partir de 1873, e em determinados bairros e grupos étnicos. O Mito da cidade modelo e sua fabricação cultural ficam cada vez mais evidentes, reforçando teses como a do professor Dennison de Oliveira.
Com os governos de Lula presidente e Requião governador, chega a política de diversidade iniciada pela valorização dos estudos culturalistas ingleses, e as visões de diversidade cultural ocorridas na França e Alemanha décadas antes. O Folk, o diferente, empurram, dando força aos movimentos de diversidade a afirmativos, como movimentos negro, de mulheres e de Glbtt. O Estado pulsa diferente. Eventos críticos como os Charlatões (SESC centro de Curitiba, 2002) e os Fóruns Permanentes de Cultura, são canalizadores de movimentos, responsáveis pela articulação de movimentos sociais, para proposição de políticas pública sociais para a cultura. As escadarias da igreja do Largo voltam a ser lavadas pelos afrodescendentes que a construíram. A Parada Gay se torna um marco pra cidade, levando dezenas de milhares de pessoas para as ruas atrás do trio-elétrico, Drags, DJs e musica eletrônica. A cidade tenta se abrir para o respeito a diferença. Em Paranaguá o fandango volta a ser batido.
Gilberto Gil assume o MINC e com isso implementa uma revolução cultural. Proporcionado aquilo que chamavam de Do In antropológico no MINC. E que chamamos de Consolidação das Leis da Cultura, tal qual a CLT para o trabalho. São recriados o Conselho Nacional de Cultura e a Conferência Nacional de Cultura. Aprovada a lei que cria o Sistema Nacional de Cultura e Plano Nacional de Cultura. E no campo da democracia participativa, além dos elementos relacionados a conselho e sistema, são dotadas de força os setoriais de cultura, bem como as identidades e culturas populares, regionais e urbanas.
Os “pontos de cultura” promovem tanto a cultura digital, como economia solidaria e valorização de identidades. Seminários de Culturas Populares, inclusão de moda, gastronomia, arquitetura e etnias ao debate, forçam a entrada dos verdadeiros detentores e beneficiários da cultura, o povo.
Em 2005 o Brasil e a França encampam a briga e conseguem aprovar a Convenção da Diversidade Cultural da Unesco, incorporada a constituição com a emenda 48 dos artigos 215 e 216. Garantindo as identidades culturais, a participação popular nas decisões e a finalidade pública e social ao garantir o acesso à cultura como direito.
Os movimentos saem as ruas, ganham força, promovem seminários. Surgem novos fóruns setoriais em dialogo com os respectivos setoriais nacionais ligados ao MINC. Primeiro a música como FPM-PR, depois Cultura Indigena, as culturas populares com o Fórum de Culturas Populares, e em seguida o Fórum de Dança. A lista de visuais e outras, somados aos movimentos anteriores, e novos como Soy Loco Por Ti e movimento pró conselho de cultura no Paraná, se aproximam para movimentações gerando a lista pró conselho e depois o Fórum de Cultura do Paraná. A ação contrariava a anterior, posto que a FEC (Fórum de Entidades Culturais) mantém foco exclusivo nas verbas. Enquanto na capital Curitiba a luta é pela verba das leis de incentivo. No âmbito federal, o Paraná ajuda na luta pelos direitos culturais. Romacil Gentil Cretã pelos povos indígenas e Manoel J De Souza Neto pela musica (este interlocutor) são alçados ao CNPC – Conselho Nacional de Políticas Culturais do MINC entre 2005 e 2012. Na sequencia Marila Velozzo pela dança (bisneta de Dário Velozzo) assume desde 2013. Mais de 10 membros do Paraná tiveram cadeiras neste período nos respectivos colegiados setoriais de cultura desde 2005. A discrepância entre as lutas dos movimentos sociais e das entidades de empresários da cultura revelam as incoerências entre a luta pelos direitos, identidade e voz e a luta vil, pela moeda, que é a lei de incentivo.
Com a Emenda 48 da CF88, 215 E 216, tanto FCC, SEEC, como a FEC vem agindo de forma a descumprir a nova determinação constitucional, ao não compreenderem o novo rumo social e jurídico escolhido pelo estado nacional, ao determinar novas cadeiras para o debate cultural, vindos da sociedade, e não apenas as 7 áres artísticas (ou grandes áreas do mundo da arte, determinadas nos tempos de Getúlio Vargas, ou artes de elites). As sete áreas culturais e a luta por apenas os “profissionais” escancarada em ao menos 10 artigos do regimento da FEC, revelam por quem lutam. Pelo mercado. A nova onda, que é velha, é a luta de classes. Os grupos sociais oprimidos, ganharam voz, e hoje a cultura requer novos atores no jogo, mas também novas funções das políticas públicas, que precisam ser sociais, atender a critérios de diferença, classe, etnia, território, manifestações. A garantia de acesso, esta intrinsecamente relacionada a outro, que é o fazer cultural, como pertencente a sociedade como todo, e não ao limitado mundo da arte. A cultura é portanto um dimensão maior e mais ampla. FEC esta ilegal, por continuar a “representar” a cultura da cidade perante o poder público, sendo na verdade uma instância de representação de mercado da arte. FCC e SEEC também andam “ilegais”, pois seus respectivos conselhos tem limitação a este universo, mas também por continuarem a promover recortes sociais, eventos, editais, programas, todos orientados as elites do fechado mundo das artes, e mais, estão ilegais por não cumprirem a determinação da CF88 de garantia de acesso à cultura a toda a população. E quando se afirma, como caráter social, ou de políticas redistributivas, estamos dizendo, garantir acesso a quem mais precisa de cultura, ou seja, quem não tem recursos. Viradas culturais “chiques” realizadas em bairros nobres com dinheiro público, não podem ser consideradas demandas da sociedade. Só se for demanda da alta sociedade. No campo das identidades culturais outra ilegalidade, promoção de determinadas manifestações e cortes injustificados a outras, demonstrando recorte de classe, etnia, e elites no poder, em oposição e violência simbólica aos demais.
Surgem (para não dizer que nada ocorreu) os enfraquecidos conselhos de cultura municipal de cultura de Curitiba e o Estadual. Surgem também, conferências municipais de cultura, instancias da nacional. A cidade de Curitiba ainda esta engatinhando no modelo democrático, sendo um grande engodo estas conferências em que se não se debatem as políticas e princípios de políticas públicas da cidade. Enquanto isso em Londrina, segue já na sétima edição de sua conferência, mostrando que no interior do Estado a sociedade começa a avançar. A Conferência Estadual, precisaria de um capitulo a parte, dada a manipulação histórica dos dois últimos secretários, não tendo garantidas a democracia nem a voz com a amplitude necessária. Gestores encaminhados como sociedade civil. Parca divulgação, dirigismo e nenhum debate de temática estadual.
Curitiba, revela-se ao final, (dos “três paranás” revelados pelo historiados Ruy Wachowicz) o problema cultural do Estado. Pois aqui as identidades são difusas, mais desrespeitadas, existindo maior peso do poder em intrumentalizar e dirigir a verdade histórica, recortar presente e passado e orientar os vitoriosos ao futuro. A cidade de Curitiba é também onde os efeitos da mídia de massas podem ser mais sentidos no gosto dos produtos culturais consumidos pela juventude. Se na mídia e na cultura isso fica evidente, é necessário incluir o elemento da burocracia estatal cristalizada em seus postos e seus efeitos transformadores e delimitadores dos vencedores e dos vencidos. Emblemáticos são os resultados da política orientada aos seus. Editais de valorização de urbanismo da cidade, onde o foco era dar destaque ao ex-governador e prefeito urbanista. Ou festival de teatro, realizado de forma privada, mas com todos benefícios públicos, inclusive receber gratuitamente salas públicas e relocar os auditórios as peças do Fringe. Exposições como “Curitiba-nós”, que revelavam os discursos de vitória de um grupo sobre os demais, usado como instrumento político de propaganda cidade que as elites amam. A Virada Cultural, e eventos aos moldes do velho Pão e Circo. E até livro de genealogia de membros do funcionalismo, lançados como livro de história da cidade. A verba pública, usada como instrumento político de grupo demonstra o patrimonialismo (FAORO), o coronelismo, e o compadril, como as únicas verdades do estamento burocrático da cultura da cidade de Curitiba. Muda a gestão da prefeitura e o PT leva a FCC, algo mudou? Deixemos tempo ao tempo… mas não muito. A sociedade que apoiou a esquerda, fez, esperando por mudanças na cultura, quer ver ação política, e não espetáculo, festas e mais festas, secretário lançando seus próprios livros, parceiros fazendo shows e festivais e funcionalismo cuidando de filho de celebridades. O corte do Paiol literário, é um exemplo de que as brigas na cultura seguem, como brigas de gangues. Querem ser levados a sério? Mais ação positiva e democrática e menos discursos e eventos.
A cultura, como direito cidadão, com planos e programas construídos junto a sociedade civil ainda esta longe de ocorrer por aqui, apesar das garantias legais existirem, posto que o Estado e a capital assinaram o pacto federativo com o MINC.
A cultura como instrumento de violência e de manutenção de identidades oprimidas é uma realidade, posto que leis de urbanismo atacam espaços alternativos, mas preservam as casas, clubes, bares e restaurantes dos filhos das elites. As manifestações de rua ainda são oprimidas pelo estado policialesco. O acesso não é garantido, posto que os equipamentos culturais são em grande maioria central e inacessível as camadas com rendimentos mais baixos da sociedade. A democracia participativa não é garantida, posto que de fato, quem tem acesso ao debate, são aqueles legitimados pelos gestores. E em especial, os grupos de empresários da cultura que dominam os editais e júris através do controle da FEC, que escolhe estes membros com aval da FCC. A diversidade cultural não é garantida, porque a mídia, os eventos, os espaços públicos, valorizam os interesses de grupos de elites e pequenas parcelas de classe que conquistaram voz e legitimação. E sobra beneficio e mídia para o produto banalizado da industria cultural externo que deve ocupar mais de 96% do espaço de mídia, jornais, rádio e TV no Paraná.
O Fórum de Cultura do Paraná (lista do facebook independente) chega na data em que este texto foi escrito, ao número de 2.000 associados em apenas 10 meses de lista, ação que revela as intenções do outro lado, nas reuniões de fóruns fechados com meia dúzia, pois como dizia Bourdieu, onde existe segredo, existem oligarquias. Aqui não, apenas uma lista que chegou agregando diversos movimentos que pretendem debater os rumos da cultura do Paraná e do Brasil. Um fórum que informa abertamente o ambiente político cultural de forma democrática e aberta a todos os movimentos.
O Fórum surge como canal para conectar as pontas entre os mais diversos movimentos, associações e fóruns de cultura setoriais do estado (tendo origem em movimentos anteriores, incluindo pró-conselho de cultura, Delegados dos Colegiados Setoriais e conferências de cultura, fóruns diversos como dança, música, populares e outros). Com objetivo de informar as classes culturais, promover debates, proposições e mobilização em prol de políticas públicas de cultura. O Fórum de Cultura do Paraná é no estado o guardião do pacto federativo e do Sistema Nacional de Cultura, Plano Nacional de Cultura, Conselhos de Cultura, Colegiados Setoriais, bem como de programas como Cultura Viva e Pontos de Cultura. Atuando dentro da perspectiva dos direitos humanos e da Convenção da Diversidade Cultural da UNESCO, portanto cultura como direito de acesso, proteção da diversidade dos povos, educação, economia solidária e desenvolvimento humano.
Se existe uma luta, se existe uma causa da cultura, se as vozes ainda se perguntam afinal que cultura queremos, é porque a democracia ainda não avançou. E ai a pergunta, não é que cultura pública, burocrática, institucional queremos? Mas que tantas outras culturas e identidades ainda precisam ser incorporadas ao debate público? A igualdade é uma ilusão, que favorece quem tem mais recursos, a justiça é outra coisa. Já a fraternidade, o respeito, são intenções humanitárias entre nós, que independem do poder público. Quem reclama do poder público e não interage com as diferenças da sociedade, luta por dinheiro. Quem luta pelo direito de voz, de cada um dos cidadãos, luta pela humanidade.
Que cultura queremos? Das verbas para poucos? Ou da reapropriação do espaço urbano e social para que exista respeito aos direitos humanos e a diversidade cultural?
A luta é de cada um com seus desejos e inconsciente, pelos benefícios, ou por uma sociedade mais justa. Isso é uma escolha de consciência e uma revolução individual.

*O Fórum de Cultura do Paraná é o único com moderadores de diversos movimentos e que não tem coordenação central. A força esta no meio.

Texto:
Manoel J de Souza Neto
É um crítico compulsivo observador das realidades ocultadas pelas relações de poder e cultura. Pesquisador, escritor e agitador cultural. Editor do Observatório da Cultura; Diretor do Musin – Museu do Som Independente. Autor/org do livro A [dês]construção da música na cultura paranaense. Membro do Conselho Nacional de Políticas Culturais/MINC (2010/12). Membro dos movimentos e fundador da lista do Fórum de Cultura do Paraná. Fã-page: https://www.facebook.com/manoel.j.de.souza.neto
Curitiba, 03 de junho de 2013
Por Manoel J de Souza Neto

    Author: Redação

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