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	<title>Brasil Cultura &#187; pcdob</title>
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		<title>Revolução cultural à brasileira</title>
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		<pubDate>Sat, 18 May 2013 23:32:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na década de 1950, o Brasil se modernizava e partidos e movimentos de esquerda, bem como movimentos artísticos, acreditavam na possibilidade de uma revolução brasileira, nacional-democrática ou socialista. “Artistas e intelectuais tiveram um papel expressivo na construção da utopia de uma ‘brasilidade revolucionária’, que permitiria realizar as potencialidades de um povo e de uma nação”,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_19324" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/aaarevo.jpg"><img class="size-full wp-image-19324" title="aaarevo" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/aaarevo.jpg" alt="" width="200" height="128" /></a><p class="wp-caption-text">Nelson Pereira dos Santos filmando &quot;Como era gostoso o meu francês&quot; (1971)</p></div>
<p>Na década de 1950, o Brasil se modernizava e partidos e movimentos de esquerda, bem como<br />
movimentos artísticos, acreditavam na possibilidade de uma revolução brasileira, nacional-democrática ou socialista. “Artistas e intelectuais tiveram um papel expressivo na construção da utopia de uma ‘brasilidade revolucionária’, que permitiria realizar as potencialidades de um povo e de uma nação”, diz Marcelo Ridenti, professor de sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mas até hoje a compreensão dessa relação, entre política e cultura,<br />
é complexa e inclui nomes de peso do panteão cultural que foram comunistas, como: Jorge Amado, Nelson Pereira dos Santos, Caio Prado Jr., Nora Ney, Dias Gomes, Jorge Goulart e Di Cavalcanti, entre outros. “É um problema que não cabe numa equação simples que supõe a militância comunista de artistas e intelectuais como parte de um desejo de transformar seu saber em poder.<br />
Tampouco se pode supor que houvesse mera manipulação dos intelectuais pelos dirigentes do Partido Comunista Brasileiro [PCB]”, explica o professor, que analisou a questão no projeto Artistas e intelectuais comunistas na consolidação do campo intelectual e da indústria cultural no Brasil. (<a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/03/aristas-e-intelectuais-comunistas-na-industria-cultural-no-brasil/" target="_blank">Veja aqui</a> )</p>
<p>“Num momento como o atual, em que as pesquisas evitam a politização dos temas, é importante recuperar como cultura e política se aproximaram num períodoturbulento como aquele, entre os anos 1950 e 1970”, observa o pesquisador.<br />
Segundo Ridenti, vários campos artísticos e intelectuais consolidados a partir da década de 1950 só são pensáveis a partir das lutas em seu interior, em que os comunistas desempenharam um papel importante, por vezes levando os integrantes do PCB ou ex-militantes às posições de maior reconhecimento ou prestígio. Muitos mudaram de convicção política ao longo do tempo. A maioria fez uma autocrítica sobre a sua atuação naquele período, mesmo os que<br />
continuaram se identificando como de esquerda ou sendo comunistas. Houve também muita reclamação posterior de que o partido mantinha com eles uma relação “ornamental” ou “instrumental”, ou seja, apenas para angariar prestígio ou divulgar uma linha política, sem falar nas críticas sobre o despotismo da direção, pronta a vigiar o imaginário dos militantes. “Só em parte isso é verdade. Esses artistas só puderam conquistar posições a partir do histórico de<br />
militância organizada, que, assim, esteve longe de significar mera manipulação de seus artistas e intelectuais. Era uma relação de mão dupla”, observa o autor.</p>
<div id="attachment_19325" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/cenapagador.jpg"><img class="size-full wp-image-19325" title="cenapagador" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/cenapagador.jpg" alt="" width="290" height="258" /></a><p class="wp-caption-text">Cena de O pagador de promessas, de Dias Gomes, em 1960</p></div>
<p>“De fato, o partido tinha uma linha política estreita e dogmática, dava pouco espaço a seus intelectuais, quase não contribuía para pensar a especificidade da sociedade brasileira, era marcado pelo centralismo e por relações autoritárias. Mas havia contrapartidas que mantiveram os artistas e intelectuais no partido apesar de tudo isso”, fala Ridenti. Para ele, não se deve caricaturar a ação cultural do PCB nos anos 1950, um elemento expressivo constituinte da cultura brasileira. “A indústria cultural ainda não estava de todo estabelecida no país. Com a modernização, muitos artistas e intelectuais estavam em busca de um espaço que não fosse a Igreja ou o Estado, então as principais instituições organizadas nos tempos em que a universidade ainda estava em crescimento”, lembra. Na maioria vindos da classe média que se<br />
expandia com a modernização do país, esses intelectuais não cabiam em nenhum<br />
dos dois espaços. “O PCB foi uma chance de organização, um fórum de debate cultural e político, que permitia ter acesso a uma rede de revistas pelo Brasil e de contatos no exterior.”</p>
<p><strong></p>
<p>Legitimidade</strong></p>
<p>A organização no partido dava legitimidade a certos grupos e indivíduos que buscavam marcar posição (ou evitar perder prestígio) em suas atividades. “O grande exemplo foi Jorge Amado, que teve seu talento potencializado pela ligação com o PCB, cuja rede de contatos internacionais facilitou a publicação de seus romances em vários países. Por sua vez, ele emprestava o seu prestígio de escritor ao partido e acabou sendo eleito deputado pelo PCB na Constituinte<br />
de 1946”, conta Ridenti. No exílio na França, a partir de 1948, aderiu ao movimento internacional pela paz e ganhou notoriedade mundial. “Sem desmerecer o talento de Amado, isso não teria acontecido se ele não fosse ligado ao partido. Foi por meio dessa relação que ele teve acesso a uma rede de contatos em diversos países da Europa e viu seus romances traduzidos em vários idiomas em razão disso. O mesmo aconteceu com Nelson Pereira dos Santos, que foi para a França e outros países com apoio do PCB e pôde conhecer vários cineastas”, diz<br />
o pesquisador.</p>
<div id="attachment_19326" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/acantora.jpg"><img class="size-full wp-image-19326" title="acantora" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/05/acantora.jpg" alt="" width="290" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">A cantora Nora Ney no aeroporto do Galeão em 1969</p></div>
<p>Amado se transformou em divulgador do realismo socialista no Brasil e mesmo quando se afastou do PCB nunca rompeu oficialmente com os comunistas. “Ele saiu à francesa. Só ganhou autonomia como autor depois de <em>Gabriela, cravo e canela </em>(1958)”, fala Ridenti. As recompensas, porém, colocavam dilemas para os artistas, que testemunhavam as perseguições aos militantes dissidentes em escala internacional. “Eles também se inseriam nas redes comunistas como reprodutores do pensamento e da política produzida no centro, não como<br />
formuladores originais”, nota o autor. “Realmente, entre os anos 1940 e 1950, durante o realismo socialista, houve um grande controle do partido sobre os artistas e intelectuais brasileiros ligados ao PCB. Mas, no geral, essa relação foi flexível, porque o partido não se interessava muito pela cultura, o que explica por que, nos anos 1970, os artistas tentaram construir uma política cultural para o PCB, que não tinha uma”, lembra o historiador Marcos<br />
Napolitano, da Universidade de São Paulo (USP), autor do estudo <em>Políticas culturais e resistência democrática no Brasil nos anos 1970</em>.</p>
<p>“Houve um entusiasmado movimento em que os intelectuais e o partido convergiram para pensar um projeto revolucionário de nação. O partido e os intelectuais de esquerda foram as grandes referências, por exemplo, para os cineastas dispostos a fazer uma arte política e, em tese, politizadora. Infelizmente, o partido poderia ter usado mais e melhor os diagnósticos feitos pelos artistas”, observa a socióloga Célia Tolentino, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Marília, que estuda o tema em <em>O pensamento social na literatura e no cinema</em>,<br />
com apoio da FAPESP. “Os artistas não eram inocentes úteis para o PCB, também ganhavam com essa relação”, nota Ridenti.</p>
<p><strong></p>
<p>Autonomia</strong></p>
<p>A maior ou menor autonomia do partido dependia da carreira paralela à política. Figuras como Dias Gomes ou Oscar Niemeyer, para citar dois exemplos, lembra o pesquisador, não sofreram nenhuma ingerência do PCB em sua vida e obra. Essa influência atingia mais (embora de forma desorganizada) os menos conhecidos.<br />
“Assim, se há casos em que o partido foi autoritário com os artistas, fica a pergunta: por que muitos deles seguiram na militância ainda assim? Havia o sentimento de pertencer a uma comunidade que se imaginava na vanguarda mundial e podia dar apoio e organização a artistas e intelectuais em luta por prestígio e poder, distinção e consagração em seus campos de atuação, para si e para o partido”, diz o autor. Com esse movimento, os artistas comunistas prepararam o<br />
terreno para a renovação futura. “O Cinema Novo, dos anos 1960, não seria possível sem a história anterior de disputas no campo do cinema fomentada pelos cineastas comunistas”, nota Ridenti.</p>
<p>“O mesmo vale para o desenvolvimento das novelas e da TV brasileira como um todo. Após o golpe de 64, a hegemonia do PCB entre intelectuais e artistas foi cortada e a partir de 1968 eles acabam abrigados na Rede Globo, apesar de a emissora ser partidária da ditadura. Figuras como Dias Gomes, Ferreira Gullar, Gianfrancesco Guarnieri, entre outros, além de encontrarem proteção, viram a TV como uma continuidade programática, acreditavam que era uma forma de falar com<br />
o povo. Por isso chegaram a ser rotulados de ‘vendidos’, quando estavam continuando a sua política cultural”, diz o historiador Francisco Alambert, da USP, autor, entre outros, do artigo <em>Mario Pedrosa: art and revolution</em>.<br />
“Aos poucos, com o desenvolvimento da sociedade civil e da indústria cultural, as classes populares vão assumindo sua voz, não precisando mais de intelectuais falando em nome delas. A produção cultural vai se ligar ao mercado e ao espaço universitário, esvaziando os partidos e a ideia de revolução, rompendo a aproximação entre cultura e política”, diz Ridenti.</p>
<p>“Não se pode, porém, esquecer o que houve no passado. É preciso compreender os dilemas e contradições das figuras humanas daquele tempo que não raro aparecem mitificadas nos escritos sobre elas”, finaliza o pesquisador.</p>
<p><strong>Por Carlos Haag</strong></p>
<p>Fonte: Revista Pesquisa Fapesp</p>
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		<title>Dez anos: Lei que obriga ensino afro-brasileiro não é aplicada</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Apr 2013 15:17:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/04/dezanos-lei.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-19256" title="dezanos lei" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/04/dezanos-lei.jpg" alt="" width="200" height="144" /></a>Aprovada pelo Congresso e sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda em 2003, a Lei 10.639 – que prevê a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” no currículo das escolas do país – é aplicada apenas de forma mínima, mesmo dez anos depois. A situação da lei voltou a ser discutida nesta semana no Rio Grande do Sul, com a audiência pública solicitada pelo movimento negro que provocou declarações no governo do<br />
estado e entre deputados estaduais.</p>
<p>A audiência ocorreu na última terça-feira (23), na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. A reivindicação principal, de cobrar maior rigor no cumprimento da lei e na fiscalização do que é realizado, fez com que deputados e representantes do governo buscassem encaminhamentos para um panorama que, segundo os movimentos sociais, se alterou pouco ou nada mesmo<br />
após uma década de implementação.</p>
<p>Para a assessora de Diversidade Étnico-Racial da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul,<br />
Marielda Medeiros, em entrevista para o Sul21, “o poder público tem responsabilidade na questão, que é importante no combate ao racismo e ao desconhecimento”. Para Marielda, o grande número de escolas, a fragilidade da formação de parte dos professores e o desafio cultural que é discutir o racismo podem atrasar a aplicação da lei – mas não o desconhecimento do tema. “Depois de dez anos (da aprovação da lei), ninguém pode dizer que não a conhece, e nem quais são os conteúdos necessários”, diz.<br />
Quanto à formação dos professores nas universidades, processo intimamente relacionado ao sucesso das medidas, a assessora afirma que “o governo do estado tem parceria com<br />
universidades públicas e privadas para que o professor receba a formação necessária. Ainda assim, o currículo de muitas universidades permanece frágil e professores saem com deficiência nos temas relacionados à cultura e história afro-brasileira”.</p>
<p>Presidenta da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa, a deputada Ana Affonso (PT) tampouco nega a deficiência nos resultados até agora visíveis da Lei 10.639.<br />
Para a deputada, “é difícil para o educador romper com a formação que recebeu durante os anos de estudo, mas não é motivo para que não estejam aptos”. Ana Affonso acredita que a discussão permanente sobre o tema pode provocar transformações no que hoje se observa nas escolas: “o debate sobre o assunto pode vencer a dificuldade ou a má vontade de quem quer que seja”.</p>
<p>Para a deputada do Partido dos Trabalhadores, apesar da necessidade de buscar uma melhor aplicação do que diz a lei, não se pode deixar de lado o esforço já existente. “Precisamos de divulgação do que vem sendo feito nas escolas, porque há avanços também, até para mostrarmos ao movimento negro que o discurso de que nada está acontecendo não é correto”, defende.</p>
<p>A audiência pública da última terça-feira pode render encaminhamentos em breve sobre a questão, como a criação de um pólo de formação acadêmica de formação continuada, a fiscalização de conselhos estaduais e municipais sobre o que é feito nas escolas e o agendamento de uma reunião de movimentos sociais com o secretário de Educação do Rio Grande do Sul, José Clóvis de Azevedo.</p>
<p>Onir Araújo, advogado e membro do Movimento Negro Unificado (MNU), problematiza o não cumprimento da lei de outra forma: para ele, trata-se de uma reação previsível de quem busca manter a ordem dominante. “A não aplicação da lei sinaliza o quão farto é o conteúdo racista da sociedade, e demonstra uma inabilidade política enquanto sujeitos históricos”, opina. Para o<br />
advogado, a presença de conteúdos relacionados à história e à cultura afro-brasileira é uma demanda antiga do movimento negro.</p>
<p>A origem desses anseios no Brasil, inclusive, remontaria a oitenta anos atrás: “para o movimento negro, desde a Frente Negra, nos anos 1930, a questão da história do nosso povo ser contada no ensino é essencial para a integração do negro”. A aprovação de uma lei como a 10.639 seria, no entanto, o “desaguadouro institucional” do problema – que estaria muito longe de uma resolução definitiva mesmo com o cumprimento ideal, já que transcende a presença do tema no currículo escolar.</p>
<p>Para Onir Araújo, “a lei é importante e necessária, mas é limitada, precisa ser vista dentro de um contexto político e ideológico. Por exemplo, nunca foi organizado um orçamento que garantisse que ela fosse cumprida. Assim, os governos podem alegar que falta dinheiro, que não há<br />
verba”. Na mesma linha, ele acredita que verdadeiros avanços no combate ao racismo no Brasil não podem depender apenas da esfera institucional, e sim de efetiva mobilização popular.</p>
<p>O militante do MNU acredita que “quando se tenta abrir uma cunha nesta estrutura que é patriarcal, burguesa e racista”, ocorre a reação dos que buscam manter “um status de 513 anos de história”. O descumprimento da lei, que ocorre “em todos os estados do Brasil”, seria tecnicamente um caso típico de mandado de injunção – no caso, quando a Justiça ordena a aplicação de uma lei. Entretanto, tampouco haveria boa vontade do Judiciário. “Apenas com o<br />
bloco na rua isso não vai ser um diálogo de surdos”, resume Araújo.</p>
<p>O exemplo utilizado pelo advogado para demonstrar que a lei, ainda que bem executada, permanece sendo insuficiente, relaciona a não aplicação com um histórico de violência constante: “a prova de que a lei não basta é que 30 mil jovens negros são vítimas de homicídio por ano no Brasil, e esse é um massacre invisível para muita gente. Não é só uma lei que vai<br />
adiantar”. Está previsto ainda para o primeiro semestre de 2013, segundo a deputada Ana Affonso, um seminário que busca mapear a aplicação da lei 10.639 no Rio Grande do Sul.<br />
<strong>Fonte: Brasil de Fato</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Luciana Santos é a nova presidente da Frente de Cultura da Câmara</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Apr 2013 14:06:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_19252" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/04/frente-cultura.jpg"><img class="size-full wp-image-19252" title="frente cultura" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/04/frente-cultura.jpg" alt="" width="200" height="112" /></a><p class="wp-caption-text">Sob a presidência da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), foi decisiva para aprovação de projetos importantes como o Sistema Nacional de Cultura, o Vale-Cultura e a PEC da Música.</p></div>
<p>A deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), assumiu a presidência da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura. “Queremos continuar estimulando o diálogo entre a sociedade, os artistas e os poderes legislativo, executivo e continuar contribuindo para a tramitação e aprovação de projetos prioritários para o fomento à arte e à cultura”, comentou Luciana.</p>
<p>A militância na temática de cultura não é estranha à deputada Luciana Santos. Ela atuou como coordenadora da Frente para Pernambuco e, como líder da bancada do PCdoB, participou de articulações e debates sobre projetos estruturantes para a política nacional de cultura.</p>
<p>Luciana também tem em seu currículo o fato de ter sido a prefeita de Olinda (PE), cidade com forte intervenção de políticas públicas voltadas à cultura e com intensa atuação nos Pontos de Cultura.</p>
<p>A deputada disse que é preciso fazer valer o esforço da população brasileira em preservar sua identidade cultural que é bastante diversa. “Temos muitos desafios para que de fato a cultura seja consolidada como política pública de estado. Como ações da Frente destaco o debate sobre<br />
direitos autorais e sobre os pontos de cultura”, ressaltou a deputada, acrescentando que “não vai faltar dedicação e abertura para trabalhar de forma coletiva”.</p>
<p>A Frente Parlamentar Mista da Cultura foi reinstalada em 22 de Março e lançada em 6 de Abril de 2011. É uma dos mais importantes colegiados do Congresso Nacional e reúne mais de 300 congressistas, que pretendem debater temas estruturantes para a consolidação das políticas públicas culturais no país.</p>
<p><strong>Atuação decisiva</strong></p>
<p>Em 2012 sua atuação, sob a presidência da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), foi decisiva para aprovação de projetos importantes como o Sistema Nacional de Cultura, o Vale-Cultura e a PEC da Música.</p>
<p>Para Jandira Feghali, que entregou o cargo a Luciana e hoje ocupa a presidência da Comissão de Cultura da Câmara, o apoio da comissão de cultura e o trabalho conjunto com a frente estão garantidos. “A Frente de Cultura se consolidou na casa. Fico feliz que Luciana assuma a presidência e tenho certeza que será realizado um trabalho de qualidade, que dará continuidade aos esforços que já foram feitos para a promoção da cultura”.</p>
<p>Além da diretoria, a Frente conta com o apoio de um Conselho Consultivo composto por 19 representantes da sociedade civil, gestores públicos, movimentos sociais e instituições ligadas às mais diversas linguagens artísticas e culturais.</p>
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		<title>Documentário traz bastidores da trama que levou ao golpe de 1964</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Mar 2013 18:12:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cerca de um ano antes que se completem os 50 anos do golpe de 1964, o documentário &#8220;O Dia que Durou 21 Anos&#8221;, de Camilo Tavares, traz à luz diversos documentos inéditos, sobre os quais por vários anos pesaram cláusulas de sigilo, que comprovam o decisivo envolvimento dos EUA na derrubada do presidente João Goulart...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li>
<div id="attachment_19116" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/golpe02.jpg"><img class="size-full wp-image-19116" title="golpe02" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/golpe02.jpg" alt="" width="200" height="104" /></a><p class="wp-caption-text">Cena do documentário &quot;O Dia Que Durou 21 Anos&quot;, de Camilo e Flávio Tavares. O longa analisa a influência dos Estados Unidos no golpe militar brasileiro, que deixou o país sob ditadura durante mais de duas décadas.</p></div>
<p>Cerca de um ano antes que se completem os 50 anos do golpe<br />
de 1964, o documentário &#8220;O Dia que Durou 21 Anos&#8221;, de Camilo Tavares,<br />
traz à luz diversos documentos inéditos, sobre os quais por vários anos pesaram<br />
cláusulas de sigilo, que comprovam o decisivo envolvimento dos EUA na derrubada<br />
do presidente João Goulart e na instalação da ditadura militar no Brasil. O<br />
filme estreia em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Curitiba,<br />
Florianópolis e Salvador.</li>
<li> O então embaixador norte-americano no Brasil Lincoln Gordon<br />
&#8211; que sempre negou esta participação dos EUA &#8212; é mostrado como um dos<br />
principais articuladores do golpe, por exemplo, em áudios da Casa Branca, em<br />
que é ouvido em conversas com o presidente John Kennedy e o subsecretário para<br />
Assuntos Interamericanos, Richard Goodwin. Uma destas conversas é de 30 de<br />
julho de 1962, evidenciando a longa gestação da desestabilização do governo<br />
Goulart.</li>
<li> Além de áudios como este, em poder de arquivos como o<br />
National Security Archives, também se revela o conteúdo de documentos secretos<br />
da CIA, que permitem reconstituir a variedade de ações mediante as quais se<br />
realizou esta desestabilização. Caso, por exemplo, da criação de supostos<br />
institutos de pesquisa, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática)<br />
e IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), que recebiam dinheiro dos<br />
EUA e estavam por trás do financiamento de filmes de propaganda, publicações de<br />
artigos na imprensa e também de campanhas de diversos deputados e governadores<br />
de oposição ao governo.</li>
<li>Além dos raros materiais de arquivo, diversas entrevistas realizadas pelo jornalista Flávio<br />
Tavares &#8211; pai do cineasta Camilo Tavares &#8211; completam o documentário. Uma delas,<br />
com o brasilianista Thomas Skidmore, que define Lincoln Gordon (que morreu em<br />
2009) como &#8220;um produto da Guerra Fria&#8221;.</li>
<li> <a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/golpe01.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-19117" title="golpe01" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/golpe01.jpg" alt="" width="615" height="300" /></a>Ele e outros pesquisadores assinalam que os EUA viam Goulart<br />
como &#8220;comunista&#8221; por sua defesa de reformas de base, como uma lei de<br />
remessas de lucro que contrariava interesses das multinacionais<br />
norte-americanas. O medo era que o Brasil repetisse o exemplo de Cuba, que<br />
fizera sua Revolução em 1959.</li>
<li> Não faltam entrevistas com participantes do regime de 1964,<br />
caso do general Newton Cruz &#8212; que, curiosamente, faz reparos ao movimento que<br />
integrou. Diz ele: &#8220;Quando a Revolução nasceu, era para fazer uma<br />
arrumação de casa. Ninguém leva 20 anos para arrumar a casa!&#8221;.</li>
<li> Em outra conversa, o entrevistador Flávio Tavares fica<br />
frente a frente com o coronel Jarbas Passarinho &#8211; responsável pela assinatura<br />
de sua extradição quando, como preso político, foi trocado, junto com outros<br />
prisioneiros, em 1969, pelo embaixador norte-americano Charles Elbrick,<br />
sequestrado por uma coligação de vários grupos da luta armada.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/CfJAnKUD3K0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>PCdoB de Curitiba comemorando: 91 anos com a mesma cara, mesma história, mesmo Partido!</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Mar 2013 14:10:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Ao longo da história do PCdoB sempre esteve do lado daqueles que sonhavam em construir um Brasil diferente. Completa 91 anos com a mesma cara, mesma história, mesmo Partido&#8221;. O PC do Brasil nasce, em 1922, com sua marca de classe: o programa revolucionário marxista-Ieninista, a recusa à colaboração entre o capital e o trabalho,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/logo-pcdob.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-19087" title="logo-pcdob" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/logo-pcdob.jpg" alt="" width="200" height="188" /></a>&#8220;Ao longo da história do PCdoB sempre esteve do lado daqueles que sonhavam em construir um Brasil diferente. Completa 91 anos com a mesma cara, mesma história, mesmo Partido&#8221;.</p>
<p>O PC do Brasil nasce, em 1922, com sua marca de classe: o programa revolucionário marxista-Ieninista, a recusa à colaboração entre o capital e o trabalho, e a compreensão de que as<br />
contradições do capitalismo só serão superadas pela revolução proletária e pelo início da construção de uma sociedade nova e avançada.</p>
<p>O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) é um partido político brasileiro, baseado ideologicamente nos princípios do marxismo-leninismo, com expressão nacional e forte penetração nos meios sindicais e estudantis. Fundado em 25 de março 1922, e publicado no Diário Oficial da União em 7 de abril de 1922, com o nome: Partido Comunista – Seção<br />
Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC); Sendo reorganizado em 18 de<br />
fevereiro de 1962 sob a sigla PCdoB.</p>
<p>Seu símbolo é uma foice e um martelo cruzados, em amarelo, sobre fundo vermelho. Seu código eleitoral é o 65.</p>
<p>Edita o jornal ‘A Classe Operária’ e a revista ‘Princípios’, e internacionalmente é membro do Foro de São Paulo. Seu braço juvenil é a União da Juventude Socialista (UJS) e Sindical e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).</p>
<p><strong>O I Congresso</strong></p>
<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/fundadoresPCdoB.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-19088" title="fundadoresPCdoB" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/fundadoresPCdoB.jpg" alt="" width="400" height="235" /></a>O primeiro Congresso do Partido Comunista do Brasil ocorreu nos dias 25, 26 e 27 de março de 1922, na cidade de Niterói – RJ na antiga capital, o Congresso de fundação do Partido Comunista do Brasil , teve a participação dos delegados dos grupos comunistas de Porto<br />
Alegre, Recife, São Paulo, Cruzeiro (SP), Niterói e Rio (Capital). Ausentes os<br />
representantes dos grupos comunistas de Santos e Juiz de Fora. Os vários grupos<br />
totalizaram 73 militantes. O Congresso, que contou com a presença de<br />
representantes do Birô Sul Americano da Internacional Comunista, aprovou as 21<br />
condições de admissão do Partido à Internacional Comunista, os Estatutos do<br />
Partido e elegeu a Comissão Central Executiva (CCE). A qual era composta de dez<br />
membros (cinco titulares e cinco suplentes), assim constituída: os efetivos<br />
Abílio de Nequete (secretário-geral), Astrojildo Pereira (imprensa e<br />
propaganda), Antônio Canellas (secretário internacional), Luís Peres (frações<br />
sindicais) e Cruz Júnior (tesoureiros); e os suplentes, Cristiano Cordeiro,<br />
Rodolfo Coutinho, Antônio de Carvalho, Joaquim Barbosa e Manuel Cendón.<br />
Decidiu, ainda, desenvolver esforços para ajudar os flagelados do Volga, na<br />
Rússia, demonstrando o espírito internacionalista proletário dos comunistas<br />
brasileiros. O Congresso encerrou-se com os delegados cantando a Internacional,<br />
hino do proletariado mundial. A revista Movimento Comunista, em sua edição de<br />
junho daquele ano, publicou as resoluções do I Congresso do PC-SBIC. E o mesmo<br />
foi publicado no Diário Oficial da União em 7 de abril de 1922 com o nome de<br />
Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC). No<br />
dia 22 de fevereiro 1925, foi realizada uma a Conferência do Partido Comunista<br />
do Brasil. Onde estiveram presentes, além dos dirigentes partidários, delegados<br />
do Rio e de Niterói. Foi discutida a organização de células de empresa e os<br />
critérios para o recrutamento de militantes. A Conferência decidiu editar A<br />
Classe Operária como órgão central do Partido. No dia 1º de maio de 1925<br />
circulou o primeiro número do A Classe Operária. Cinco mil exemplares, edição<br />
significativa para a época, foram festivamente recebidos pelos trabalhadores.<br />
O Partido Comunista do Brasil comemora,hoje, 91 anos de existência. É o mais antigo partido em atividade no País e conta, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, com mais de 300 mil filiados.</p>
<p>Para comemorar a data, os comunistas curitibanos farão uma “agitação”com som e panfletagem às 17 horas na Boca Maldita. Às 20h30 haverá uma confraternização no Bistrô FÁ Bar, na rua Brasílio Itiberê, 3443, no bairro Rebouças.</p>
<div><span style="color: #cc0000; font-family: comic sans ms, sans-serif; font-size: medium;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>SEGUNDA-FEIRA, 25 de Março</strong> (data do aniversário)</span></span></div>
<div><span style="font-family: comic sans ms, sans-serif; font-size: medium;">* <strong>17h00 -&gt; Agitação com som e panfletagem na Boca Maldita</strong></span></div>
<div><span style="font-family: comic sans ms, sans-serif; font-size: medium;">* 20h30 -&gt; Confraternização no Bistrô FÁ Bar (<a href="https://maps.google.com.br/maps?q=Rua+Bras%C3%ADlio+Itiber%C3%AA,+3443,+Curitiba+-+Paran%C3%A1&amp;hl=pt-BR&amp;ie=UTF8&amp;sll=-14.408749,-54.042208&amp;sspn=34.654076,56.513672&amp;oq=brasilio+itibere,+3443&amp;hnear=R.+Bras%C3%ADlio+Itiber%C3%AA,+3443+-+%C3%81gua+Verde,+Curitiba+-+Paran%C3%A1,+80250-160&amp;t=m&amp;z=16" target="_blank">R. Brasílio Itiberê, 3443 &#8211; Rebouças</a>)</span></div>
<div><span style="font-family: comic sans ms, sans-serif; font-size: medium;">[Evento no Facebook -&gt; <a href="http://www.facebook.com/events/230350103770320/" target="_blank">http://www.facebook.com/events/230350103770320/</a> ]</span></div>
<div><span style="font-size: medium;"><br />
</span></div>
<div><span style="font-size: medium;"><br />
</span></div>
<div><span style="color: #666666; font-size: medium;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>TERÇA-FEIRA, 26 de março</strong></span></span></div>
<div><span style="color: #666666; font-size: medium;">* 17h00 -&gt; Debate sobre Curitiba, com presença do ex-deputado federal Rafael Greca, e comemoração dos 91 anos do Partido, na sede do <a href="https://maps.google.com.br/maps?q=Rua+Jos%C3%A9+Alcides+de+lima,+2868+-+Cap%C3%A3o+Raso+-+Curitiba&amp;hl=pt-BR&amp;ie=UTF8&amp;sll=-25.450226,-49.277198&amp;sspn=0.008002,0.013797&amp;hnear=R.+Jos%C3%A9+Alcides+de+Lima,+2868+-+Cap%C3%A3o+Raso,+Curitiba+-+Paran%C3%A1,+81130-330&amp;t=m&amp;z=16" target="_blank">SINTRAFUCARB</a></span></div>
<div><span style="color: #666666; font-size: medium;">* Posteriormente, confraternização na sede do sindicato</span></div>
<p>&nbsp;</p>
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		</item>
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		<title>Graciliano Ramos: A entrega de Olga Prestes*</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Mar 2013 14:07:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma noite chegaram-nos gritos medonhos do pavilhão dos primários, informações confusas de vozes numerosas. Aplicando o ouvido, percebemos que Olga Prestes e Elisa Berger iam ser entregues à Gestapo: àquela hora tentavam arrancá-las da sala 4. As mulheres resistiam, e perto os homens se desmandavam em terrível barulho. Tinham recebido aviso, e daí o furioso...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/graciliano.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-19080" title="graciliano" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/03/graciliano.jpg" alt="" width="130" height="200" /></a>Uma noite chegaram-nos gritos medonhos do pavilhão dos primários, informações confusas de vozes numerosas. Aplicando o ouvido, percebemos que Olga Prestes e Elisa Berger iam ser entregues à Gestapo: àquela hora tentavam arrancá-las da sala 4. As mulheres resistiam, e perto os homens se desmandavam em terrível barulho. Tinham recebido aviso, e daí o furioso<br />
protesto, embora a polícia jurasse que haveria apenas mudança de prisão.</p>
<p>Graciliano Ramos<br />
Graciliano Ramos &#8211; Memórias do Cárcere.<br />
- Mudança de prisão para a Alemanha, bandidos.<br />
Frases incompletas erguiam-se no tumulto, suspenso às vezes com a transmissão de pormenores. Isso durou muito. Pancadas secas nos mostravam de longe homens fortes balançando varões de grades, tentando quebrar fechaduras. No dia seguinte vários cubículos estariam arrombados, imprestáveis algum tempo. Na sala da capela um rumor de cortiço zangado cresceu rápido, aumentou a algazarra. Apesar da manifestação ruidosa, inclinava-me a recusar a notícia: inadmissível. Sentado na cama, pensei com horror em campos de<br />
concentração, fornos crematórios, câmaras de gases. Iriam a semelhante miséria?<br />
A exaltação dominava os espíritos em redor de mim. Brados lamentosos, gestos desvairados, raiva impotente, desespero, rostos convulsos na indignação. Um pequeno tenente soluçava, em tremura espasmódica:<br />
- Vão levar Olga Prestes.<br />
A queixa lúgubre deixava-me em situação penosa; esforçava-me por extingui-la. Nenhuma verossimilhança: com certeza aquilo era boato, conseqüência de imaginações desregradas. Vivíamos num ambiente de fantasmagorias. Asserções imprevistas me deixavam zonzo, entre a realidade e o sonho, a perguntar a mim mesmo, considerando um homem que se transformava em duende: &#8211; “Estará doido? Ou serei doido eu?”<br />
Dias antes, ao apagaram-se as luzes, deixara-me ficar num banco, debruçado nas tábuas dos cavaletes, lendo sob o quebra-luz de papel. De repente, barulho no fundo escuro da sala. José Brasil se erguera excitado, acendera todas as lâmpadas: &#8211; “Acordem, abram os ouvidos. Há metralhadoras lá em baixo, assestadas contra nós. É estúpido morrer como carneiros. Não ouviram?<br />
Acordem, vamos preparar a defesa”. Várias pessoas roncavam; outras se moviam chateadas, esfregando os olhos; algumas se deixavam contagiar, admitiam perigos indeterminados. E José Brasil comandava, indicava posições – “Fiquem aqui, resguardem-se. Não passem diante das janelas”. Feitas indagações, descobrira-se enfim a origem das metralhadoras: os ratos, no altar, haviam roído uma estante, derrubado um missal, causado o enorme espalhafato. Devia agora existir uma ilusão dessa espécie: alguém se embrenhara em fantasia maluca, achara adeptos,<br />
e ao cabo de uma hora as duas casas estavam contaminadas pela estranha loucura.<br />
Em roda entraram a sacudir as persianas velhas, jogaram no pátio as moringas: privaram-nos de água. Os tamancos batiam firmes no chão movediço. Doía-me saber que essas rijas manifestações não teriam nenhum efeito no exterior. As duas mulheres sairiam do Brasil se a covardia nacional as quisesse entregar ao assassino estrangeiro. A idéia repelida voltava;<br />
enfraquecia o desejo de amortecê-la. Para que buscar a gente enganar-se? Eram capazes de tudo. O rumor crescia, as vozes aumentavam. Em ligeiras pausas nessa borrasca inútil, engarrafada, chegavam-nos informes que, para ser compreensíveis a tal distância, vinham, julguei, dos pulmões, poderosos como foles, do tremendo Lacerdão. Nesses hiatos visitava-me a esperança de que os bichos antipáticos se houvessem retirado. Meia dúzia de palavras aniquilava-me o otimismo.</p>
<p>Em duro silêncio, fumando sem descontinuar, sentia na alma um frio desalento. Mas por quê, na horrível ignomínia, haviam dado preferência a duas criaturas débeis? Elisa Berger, presa, era tão inofensiva quanto o marido, preso também. Contudo iam oferecê-la aos carrascos alemães, e Harry Berger permanecia aqui, ensandecido na tortura. O nazismo não exigia restos<br />
humanos, deixava que eles se acabassem devagar no cárcere úmido e estreito. À noite, na sala 4, Elisa despertava banhada num suor de agonia, os olhos espavoridos. A lembrança dos tormentos não a deixava; um relógio interior indicava o instante exato em que, meses atrás, a seviciavam na presença de Harry, imóvel, impotente. Olga Prestes, casada com brasileiro, estava grávida.<br />
Teria filho entre inimigos, numa cadeia. Ou talvez morresse antes do parto. A subserviência das autoridades reles a um despotismo longínquo enchia-me de tristeza e vergonha. Almas de escravos, infames; adulação torpe à ditadura ignóbil. Nasceria longe uma criança, envolta nas brumas do Norte; ventos gelados lhe magoariam a carne trêmula e roxa. Miséria – e nessa miséria abatimento profundo.</p>
<p>A cabeça entre as mãos, os olhos fixos no mosaico, tentava desviar-me dali, fugir ao pesadelo. Acendia um cigarro, jogava-o fora, acendia outro. Esse exercício, único, enervava-me. Não seria possível fazer outra coisa? A brasa do cigarro, a queimar-me os dedos, convencia-me de que não me achava adormecido. Era uma vigília, sem dúvida, infelizmente diversa de outras<br />
aparecidas meses antes, quando a polinevrite me lançava à espreguiçadeira, na saleta do café. Idéias fúnebres iam, vinham, engrossavam-me o coração.<br />
Miseráveis. O campo sórdido, o opróbrio, a dor. E depois os fornos crematórios, as câmaras de gases. Outras figuras em roda permaneciam inertes como eu, cabisbaixas, olhos no chão. Carlos Prestes, isolado, estaria assim, mas ignorava as ameaças à companheira. Chegar-lhe-ia aos ouvidos um som confuso do imenso clamor. De que se tratava? Pegaria um livro, mergulharia no estudo vagaroso e tenaz. A vozeria abafada não tinha para ele significação. E passaria meses sem poder inteirar-se da enorme desgraça. O tenente gemia, e as palavras invariáveis pareciam ter apagado as outras, escorregavam num soluço:</p>
<p>- Vão levar Olga Prestes.<br />
Era afinal um desafogo manifestar-se alguém, insurgir-se de qualquer forma. Os utensílios da marcenaria malhavam as portas, abafavam às vezes o lamento do rapaz. Havia uma suspensão, e as sílabas chorosas reapareciam. Os indivíduos expansivos imaginavam talvez estar sendo razoáveis:<br />
pancadas e gestos de indignação serviriam para alguma coisa. Horrível era o desânimo de muitos, a certeza de que a cidade se afastava de nós, indiferente.<br />
- Para que isso? perguntava a mim mesmo impacientando-me.<br />
Ignoravam tudo, e a imprensa, vendida, nos enegrece.</p>
<p>A lamúria do rapaz mexia-me os nervos. Lembrei-me da viagem à colônia correcional. Demorara-me diante dos cubículos, a despedir-me dos companheiros. No pavimento de baixo, ao transpor a larga porta, lembrara-me de ver as mulheres da sala 4: encaminhara-me à direita, subira a escada. No atordoamento, não me era possível examiná-las direito. Estavam à grade, em<br />
filas, umas no solo, outras suspensas, os tamancos pisando as traves, as saias<br />
entaladas, as pernas entre os varões de ferro, seguras a eles. – “Adeus”. –<br />
“Boa viagem”. Pedaços de rostos, mãos, coxas, tamancos, frases amáveis,<br />
sorrisos, misturavam-se, vagos, inconsistentes. Na ala inferior, branca e<br />
serena, Olga me atirara alguns sons guturais, provavelmente a expressão de bom<br />
desejo, difícil de perceber naquela situação. A pequena distância, os bugalhos<br />
de Nise e os lábios sangrentos de Valentina. Desviara-me zonzo, descera,<br />
levando fragmentos vivos, a grulhada imperceptível e, dominando tudo, a<br />
fisionomia tranqüila, a alvura de nata, algumas palavras lançadas com pronúncia<br />
exótica. Certa manhã, na enfermaria, Elisa Berger surgira de repente na entrada<br />
ao fundo. Havia ali duas grades, a limitar um vão diminuto, e pelo menos uma<br />
estava sempre fechada. Naquele dia as duas se achavam destrancadas, exatamente<br />
quando Elisa passava por elas, dirigindo-se ao gabinete do dentista. Rápida, a<br />
mulher entrara e, examinando cautelosa os arredores, estendera um envelope a<br />
Eneida, cochichara um instante e sumira-se, dando-me apenas o tempo necessário<br />
para notar que estava mais abatida e mais grisalha. Pouco depois as chaves<br />
tilintavam nas fechaduras. E sexta-feira à tarde os papéis fraudulentos haviam<br />
deixado a prisão, na bolsa de uma espanhola sonsa, que dizia ao velho Nunes<br />
quando obtinha visita extraordinária: &#8211; “Nossa Senhora é quem lhe há de pagar,<br />
seu major”.<br />
Agora, sentado na cama, esforçava-me por escapar ao<br />
charivari embalando-me num pensamento que várias vezes me havia ocorrido. Era<br />
estranho as duas grades, em geral trancadas, fiscalizadas, se abrirem à<br />
passagem de Elisa Berger, em seguida se fecharem como se nada irregular<br />
existisse. A coincidência trazia-me dúvida e espanto. Seria coincidência? Um<br />
minuto de abandono, suficiente para o contrabando; nenhum vigia no recinto<br />
circular. Finda a manobra, um guarda viera de supetão, rigoroso e desconfiado,<br />
metera as lingüetas nos encaixes. Mas por que se ausentara quando a ausência<br />
dele favorecia uma infração? Conivência. Esta idéia me assaltara e fixava-se,<br />
embora me apoiasse em meros indícios. Uma débil esperança animou-me: outros<br />
cúmplices tentariam salvar as infelizes. Abafei com desânimo a ilusão: se algum<br />
doido quisesse arriscar-se por elas, inutilizar-se-ia sem nada conseguir. Enfim<br />
não se tratava de obséquio miúdo: retirar-se uma pessoa, voltar ao cabo de um<br />
instante, com firmeza e energia, receosa de comprometer-se.<br />
As horas arrastavam-se, vagarosas, a balbúrdia aumentava um<br />
pouco, diminuía. Em frente à sala 4, a polícia jurava que as duas vítimas não<br />
sairiam do Brasil. A promessa nos era transmitida com hiatos, abafada e rouca.<br />
Espaçavam-se os gritos, as forças minguavam, não se prolongaria a resistência.</p>
<p>Tarde, a matilha sugeriu um acordo: Olga e Elisa seriam<br />
acompanhadas por amigos, nenhum mal lhes fariam. Aceita a proposta, arrumaram a<br />
bagagem, partiram juntas a Campos da Paz Filho e Maria Werneck. Ardil grosseiro.<br />
Apartaram-nos lá fora. Campos da Paz e Maria Werneck regressaram logo ao<br />
pavilhão dos primários. Olga Prestes e Elisa Berger nunca mais foram vistas.<br />
Soubemos depois que tinham sido assassinadas num campo de concentração na<br />
Alemanha.<br />
*Memórias do Cárcere (Capítulo 20 do 4º. volume, Livraria José Olympio Editora, 1953).</p>
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		<title>Ex-procurador quer revisão da história em livros didáticos</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Feb 2013 17:38:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Claudio-Fonteles.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18949" title="Claudio-Fonteles" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Claudio-Fonteles.jpg" alt="" width="200" height="131" /></a>O ex-procurador Geral da República Cláudio Fonteles, um dos integrantes da  Comissão Nacional da Verdade, quer que seja feita revisão da história do Brasil  durante o período do governo militar, iniciado em 1964, nos livros didáticos  usados em todas as escolas militares, assim como nas publicações usadas em  escolas civis. &#8220;Se você tem a lei que diz que o que aconteceu neste País foi um  Estado que violou gravemente os direitos da pessoa humana, e isso está no  ordenamento normativo deste País, como é que isso se concilia com você ensinar<br />
aos jovens, aos escolares e mesmo àqueles jovens que devem fazer a carreira  militar, que o papel deles é de interferir no processo político violentamente,  torturar e matar? Não pode. Isso é ilegal. Isso é uma afronta ao quadro  normativo&#8221;, disse Fonteles, no Programa <em>É Notícia</em>, da <em>Rede TV</em>,  gravado na sexta-feira e previsto para ir ao ar às 23 horas deste domingo.</p>
<p>Por isso, prosseguiu o ex-chefe do Ministério Público Federal, &#8220;há que haver  realmente uma reformulação e dizer que o que aconteceu foi um golpe, foi uma  ruptura do processo democrático&#8221;, afirmou. &#8220;Temos uma Constituição para ser  vivida e cumprida&#8221;, disse Fonteles, que também já coordenou a comissão. &#8220;Vamos  rever todo o ensinamento de História, stricto sensu, e de disciplinas  afins.&#8221;</p>
<p>As declarações de Fonteles revoltaram militares. O presidente do Clube Naval,  almirante Veiga Cabral, disse que com esta posição, a Comissão da Verdade levará  &#8220;distorções em relação à história do Brasil aos colégios&#8221;. O almirante  queixou-se de que o grupo está &#8220;trabalhando de forma parcial&#8221; porque &#8220;não está  ouvindo os militares&#8221;.</p>
<p>Apesar de a legislação prever análise dos fatos de 1946 a 1988, &#8220;os trabalhos  só focam nos fatos relativos a 64&#8243;. &#8220;Por que só os agentes do Estado estão sendo  inquiridos&#8221;, questionou. &#8220;Quando se quer reconstituir, de fato, a verdade, é  preciso ouvir os dois lados. Eles querem impor a sua história.&#8221;</p>
<p>Fonteles reiterou que todos os militares &#8220;convocados&#8221; à comparecer à comissão  são obrigados a dar o seu depoimento. Falando no caso da morte de Rubens Paiva,  ele foi ainda mais incisivo: &#8220;Se ela (a pessoa) não quiser depor, ela responde  ao crime de desobediência. E se ela não quiser ir depor, ela pode ser conduzida  coercitivamente. Não com violência, mas alguém a pegar pelo braço e a levar  lá&#8221;.<br />
<a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,ex-procurador-quer-revisao-da-historia-em-livros-didaticos,998123,0.htm">Fonte</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p><!--Template: politica--><!-- Page:1|Paragrafos:20|Pages:1|P/P:20 -->&nbsp;</p>
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		<title>Martinho da Vila relembra velhos tempos na comunidade dos Macacos</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Feb 2013 17:21:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Quando essa onda passar, vou te levar nas favelas, para que vejas do alto, como a cidade é bela”. O trecho acima da canção Quando essa onda passar, composta por Martinho da Vila em 2005 parecia adivinhar o que estava para acontecer 3 anos mais tarde nas comunidades cariocas, começando pelo Santa Marta em Botafogo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="HOTWordsTxt">
<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/02/aamartinho.png"><img class="alignleft size-full wp-image-18930" title="aamartinho" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/02/aamartinho.png" alt="" width="200" height="129" /></a>&#8220;Quando essa onda passar, vou te levar nas favelas, para que vejas do alto, como a cidade é bela”. O trecho acima da canção <strong>Quando essa onda passar</strong>, composta por Martinho da Vila em 2005 parecia adivinhar o que estava para acontecer 3 anos mais tarde nas comunidades cariocas, começando pelo Santa Marta em Botafogo</p>
<p>Com a pacificação das comunidades, a cidade pôde se integrar mais. Com o asfalto subindo o morro e o morro descendo ao asfalto. A boêmia Vila Isabel, na zona norte do Rio, sempre foi assim e o Morro dos Macacos faz parte da vida do bairro e da escola de samba homônima, atual campeã do Carnaval do Rio.</p>
<p>- Todo mundo se conhecia e o morro era uma coisa muito boa. A característica mais marcante de qualquer favela sempre foi a solidariedade. Um socorria o outro – lembra Martinho da Vila, que é uma espécie de símbolo do bairro e dos Macacos.</p>
<p>Mas, nas últimas décadas, a tranquilidade deu lugar lugar ao medo. O ápice dessa história de terror aconteceu no dia 17 de outubro de 2009, quando um helicóptero da Polícia Militar explodiu após pouso forçado durante operação no Morro dos Macacos. Na ocasião, dois policiais morreram.</p>
<p>- O morro ficou ruim numa fase quando foram criadas as grandes facções. Eles foram tomando conta das favelas. O Macacos sofreu muito com isso. O problema é que nos últimos anos se vivia lá sempre em tensão, esperando uma invasão. Ou de um inimigo de outro morro ou da polícia. Então a tensão era o tempo inteiro. Agora não. Agora está tudo mais tranquilo – reconhece Martinho.</p>
<p>Como disse Martinho, o quadro começou a mudar em novembro de 2010. Foi quando a comunidade dos Macacos se livrou da ditadura do fuzil e recuperou novamente o direito de viver em paz. No local, foi implantada mais uma Unidade de Polícia Pacificadora. Segundo o cantor, o projeto das UPPs deveria ser implantado há muito tempo nas comunidades cariocas.</p>
<p>- Não adianta a polícia ir ao morro, expulsar os marginais e ir embora. Aí o cara volta daqui a pouquinho. É pra ela ficar no morro e o governo tem que levar benefícios. Tem que tomar conta da favela como toma conta de um bairro. E é isso que está acontecendo agora &#8211; disse.</p>
<p>Reflexo de novos tempos. Uma nova fase que o Rio de Janeiro passa e carrega consigo a esperança e a possibilidade de um futuro melhor para quem tanto sofreu em locais abandonados durante décadas. A esperança de uma vida mais calma e simples, mas com todos os direitos de cidadania garantidos.</p>
<p><a href="http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2013/02/15/martinho-da-vila-relembra-velhos-tempos-na-comunidade-dos-macacos/"> Fonte</a></p>
</div>
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		<title>Ausência de negros nas esferas decisórias leva à falta de políticas públicas específicas</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jan 2013 13:39:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A baixa representatividade da população negra nas esferas de poder leva ao  círculo vicioso da falta de acesso a esses postos e também à dificuldade de  evolução na escala social. Para o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo  Paixão, coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e  Estatísticas das Relações...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/saogoncaco.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18735" title="saogoncaco" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/saogoncaco.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a>A baixa representatividade da população negra nas esferas de poder leva ao  círculo vicioso da falta de acesso a esses postos e também à dificuldade de  evolução na escala social.<br />
Para o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo  Paixão, coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e  Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) do Instituto de Economia (IE), quando  uma pessoa de pele escura evolui na escala social, mais barreiras ele tem para  desfrutar da condição conquistada.</p>
<p>Ele lembra que não se pode deixar de lado o fato de que as práticas sociais  existentes, independentemente das condições econômicas, não favorecem a mobilidade social ascendente da p opulação negra. “Porque no Brasil houve uma  espécie de consenso de que as melhores posições deveriam ser ocupadas por um  determinado grupo de cor e um determinado grupo de sexo. E que as outras funções  sociais de menor destaque, as mais precárias, essas sim, poderiam ser exercidas  por pessoas negras.</p>
<p>Na opinião do professor, não pode ser acaso que entre cantores e jogadores de<br />
futebol se encontrem tantos negros de destaque e em funções como na Confederação<br />
Nacional da Indústria e no Congresso Nacional não haja quase nenhum. “A abolição<br />
se deu há mais de 100 anos, já teria dado tempo de uma mudança ter se processado<br />
no país, se não existissem essas outras barreiras”.</p>
<p>A assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Eliana<br />
Graça, lembra que essa dificuldade de acesso dos negros à estrutura de poder<br />
leva à falta de discussão da pauta política racial.</p>
<p>Os direitos e os interesses da população negra não conseguem chegar na<br />
estrutura de poder. A crença nossa é que você tendo essas pessoas ocupando<br />
espaços de poder, elas têm condições de [atender] as necessidades dessa<br />
população. Não tem um olhar com esse corte específico, quer dizer, a pauta<br />
política, de uma maneira geral, não atende a população negra, porque você não<br />
tem pessoas que defendam essa pauta”. A deputada federal Benedita da Silva vai além. Para ela, a exclusão prejudica  o desenvolvimento de todo o país.</p>
<p>“Como você perde um segmento que tem uma cultura forte, expressiva no campo<br />
da economia, da política, da ciência, da tecnologia. Os negros que vieram [para<br />
o país durante a escravidão] não eram analfabetos, como tentam passar<br />
historicamente. Tinham conhecimento [e havia entre eles alguns que eram] até<br />
reis e rainhas nos seus países respectivos, com sua língua, suas tradições”.</p>
<p>Para Benedita, a representação racial na política tem melhorado, mas ainda<br />
esta muito longe do que seria ideal. Ela acredita que o negro está brigando mais<br />
para conquistar mais espaço, mas ainda está muito aquém dessa representação.</p>
<p>“Você ainda pode dizer: fulano está ali, sicrano está lá. É uma conquista,<br />
não deixa de ser, mas você ainda pode [contar essas pessoas] nos dedos das mãos.<br />
O que nós buscamos é que daqui a um pouco mais seja uma coisa tão natural que<br />
não dê para [contar].”</p>
<p>Para a secretária de políticas de ações afirmativas da Secretaria de<br />
Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Ângela Nascimento, a<br />
dificuldade começa com a falta de acesso a diversos mecanismos que facilitam a<br />
entrada no poder político, como o ensino superior.</p>
<p>“Na vida da população negra o acesso ao ensino superior foi mais difícil.<br />
Essa realidade começa a ser mudada com a política de cotas. O acesso a<br />
determinadas oportunidades de cargos públicos também foi mais difícil, tem sido<br />
ainda mais difícil para a população negra”.</p>
<p>Ângela diz que a expectativa com a lei de cotas, que passa a ser agora para<br />
todas as universidades e institutos federais, aumente mais a participação da<br />
juventude que está acessando a universidade a outros cargos, “inclusive ao poder<br />
político”.</p>
<p>Segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e<br />
Estatística (IBGE), a proporção de pretos que frequentavam o ensino superior<br />
subiu de 2,3% no ano 2000 para 8,4% em 2010. Entre os pardos, o número passou de<br />
2,2% para 6,7%.</p>
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		<title>História da Bienal da UNE aponta poder de mobilização de estudantes e artistas</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jan 2013 00:16:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Criar um espaço para o diálogo entre o movimento estudantil e o movimento cultural. Foi com esse intuito que a União Nacional dos Estudantes (UNE) fundou, em 1999, um evento que atraísse estudantes que não estavam articulados na rede formal do movimento estudantil, composta por Centros e Diretórios Acadêmicos (CAs, DAs e DCEs). A iniciativa...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/une.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18724" title="une" src="http://www.brasilcultura.com.br/wp-content/uploads/2013/01/une.jpg" alt="" width="200" height="136" /></a>Criar um espaço para o diálogo entre o movimento estudantil e o movimento cultural. Foi com esse intuito que a União Nacional dos Estudantes (UNE) fundou, em 1999, um evento que atraísse estudantes que não estavam articulados na rede<br />
formal do movimento estudantil, composta por Centros e Diretórios Acadêmicos (CAs, DAs e DCEs). A iniciativa não era nova e se inspirava no Centro Popular de Cultura (CPC), fundado pela UNE em 1961 e fechado pela ditadura militar três<br />
anos depois. Mesmo curta, a experiência deixou como legado um exemplo da força<br />
da mobilização conjunta de artistas e estudantes, fazendo correr pelo país os<br />
anseios por reformas estruturais.</p>
<p>&#8220;O CPC demontrou o poder da união entre as forças mobilizadoras que emanam da<br />
cultura e dos estudantes. Nessa época, vários artistas se aproximaram das<br />
demandas apresentadas pelo movimento estudantil&#8221;, aponta Maria das Neves,<br />
diretora de cultura da UNE. Pelo CPC, passaram figuras como o teatrólogo<br />
Gianfrancesco Guarnieri, que produziu a peça <em>Eles não usam black-tie</em>; o<br />
escritor Ferreira Gullar, autor de diversas poesias e crônicas; e os cineastas<br />
Joaquim Pedro de Andrade, de Marcos Faria, Cacá Diegues, Miguel Borges e Leon<br />
Hirszman, que produziram o filme <em>Cinco Vezes Favela</em>.</p>
<p>No espaço de tempo que separou o fim do CPC e a criação Bienal da UNE, o<br />
vínculo entre estudantes e artistas nunca foi totalmente suspenso, se vinculando<br />
através do apoio à cultura popular e das campanhas pelo direito à meia-entrada.<br />
Entretanto, é partir da Bienal que a UNE retoma seu objetivo de revelar ao<br />
Brasil manifestações artísticas inovadores e vinculadas com os processos<br />
políticos e sociais em curso no país. O evento é hoje um espaço propício para a<br />
iniciação artística. &#8220;Os artistas que se apresentam ganham experiência para se<br />
participarem em outros eventos deste porte e têm a oportunidade de estabelecer<br />
contatos promissores. Alguns seguem carreira, outros não. Há bandas<br />
universitárias que se apresentaram em outras edições e já fazem sucesso em seus<br />
estados&#8221;, diz Maria das Neves.</p>
<p><strong>Poder mobilizador</strong></p>
<p>A Bienal parte de um entendimento de que o movimento estudantil deve<br />
mobilizar um rede mais diversificada. &#8220;A falta de interesse em participar de uma<br />
passeata não significa falta de engajamento ou descompromisso político. Há<br />
muitos estudantes que não estão dispostos a participar de manifestações ou<br />
integrar os CAs, mas organizam periodicamente uma roda de samba que reúne um<br />
grupo fixo de pessoas. A linguagem cultural tem um poder contagiante. Muitas<br />
vezes, um discurso oral não choca tanto quanto uma música ou uma peça de<br />
teatro&#8221;, explica Maria das Neves.</p>
<p>A história do evento deixa em evidência o poder de mobilização da cultura.<br />
Chegando a sua 8ª edição, a Bienal já mobiliza um público maior que o Congresso<br />
da UNE. Estima-se que 10 mil pessoas circularão diariamente pelas atividades da<br />
programação.</p>
<p>Nesse processo de mobilização contínua, a Bienal contou com o reforço do<br />
Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA), fundado pela UNE em 2001.<br />
Segundo Maria das Neves, a iniciativa teve como objetivo proporcionar um fórum<br />
permanente para o debate cultural e um espaço para a criação artística dos<br />
estudantes. Em 2002, o CUCA foi contemplado no Programa Pontos de Cultura,<br />
lançado pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil. A partir de então, o<br />
circuto se desenvolve, criando ramificações em vários estados e promvendo um<br />
diálogo cultural entre estudantes e socidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Bienal da UNE já passou por lugares conhecidos pela sua efervescência<br />
cultural, tais como a Lapa e o Pelourinho. Ao todo, cinco cidades já sediaram o<br />
evento, algumas delas mais de uma vez: Salvador, Rio de Janeiro, Recife, Olinda<br />
e São Paulo. Nos seus 14 anos, a Bienal proporcionou o encontro de estudantes e<br />
novos artistas com renomados personagens do cenário artístico do Brasil.<br />
Gilberto Gil, Oscar Niemeyer, Ariano Suassuna, Augusto Boal, Ziraldo, Jorge<br />
Mautner, Alceu Valença, Marcelo D2, Martinho da Vila, Lenine e Naná Vasconcelos<br />
são alguns dos nomes que trocaram experiências com os participantes das edições<br />
passadas.</p>
<p>Ao longo de sua história, o evento buscou ainda aliar o debate cultural às<br />
questões sociais e políticas da formação do povo brasileiro e da identidade<br />
nacional. Enquanto neste ano está em foco os processos migratórios do povo<br />
nordestino, em outros momentos já foram discutidas, por exemplo, a relação entre<br />
o Brasil e a África e a integração latino-americana.</p>
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