Teatro Dulcina sem Data para Reabrir

 

 

 

 

Um teatro de muitos. E de ninguém. De propriedade do Governo Federal e arrendado pela Prefeitura desde o ano passado, o Dulcina está fechado há seis meses. E não tem data para ser reaberto. Até porque, do jeito que está, aos escombros, não tem autorização do Corpo de Bombeiros para abrir as portas. E a verba necessária para realizar a reforma não foi disponibilizada pelo prefeito Cesar Maia.

 

Na Prefeitura, há quem veja com mais otimismo — e outros com menos — o futuro do Dulcina. Na opinião do gestor da Rede Municipal de Teatros, o ator Miguel Falabella, enquanto não sai o dinheiro necessário para que seja realizada a reforma, o melhor a fazer seria devolver o palco da Cinelândia ao Governo Federal.

 

— Só de condomínio gastamos mensalmente R$ 13 mil. Num ano em que há pouco dinheiro, esta não é uma verba a ser desprezada, não gosto de jogar dinheiro fora — analisa Falabella, que há uns meses mandou este parecer ao prefeito Cesar Maia. — É uma loucura não voltar a ser como antes, mas se não existe o R$ 1 milhão necessário para a obra, não vejo por que desperdiçar R$ 13 mil por mês. Ou reabre logo ou devolve.

 

Segundo prefeito, decisão é de secretário

 

Por e-mail, o prefeito respondeu apenas que o custo da reforma “ficou muito além do que estimava-se”, mas que a decisão sobre o futuro do Dulcina está nas mãos do secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira. Decisão que já foi tomada. E é definitiva.

 

— Não estamos pensando em devolver o Dulcina ao Governo Federal — argumentou o secretário. — Nossa política nunca foi devolver ou fechar teatros, pelo contrário, estamos sempre procurando outros palcos, que possamos alugar e, assim, aumentar a rede.

 

Segundo Macieira, a decisão está sendo tomada com bases sólidas. Há “nove dias úteis”, segundo o secretário, ele recebeu um orçamento da Rio-Urbe avaliando o custo da reforma do Dulcina em R$ 520 mil. O prefeito está disposto a bancar a reforma, mas tem em caixa apenas de R$ 400 mil.

 

— Pedi aos arquitetos que fizeram o projeto de reforma para reavaliar os custos e, assim, chegarmos no valor que temos — diz Macieira, que quer se reunir novamente com o prefeito para tratar do assunto ainda esta semana. — O Dulcina é uma pérola.

 

Segundo Macieira, feita a reunião e liberada a verba, será necessário apenas abrir as licitações de praxe.

 

— Vamos reinaugurar o Dulcina ainda este ano — promete o secretário.

 

Segundo ele, não há possibilidade de o Governo Federal pedir o teatro de volta.

 

— Se isso acontecer, a classe artística deve fazer um levante, porque com eles o teatro estava literalmente fechado — avalia Macieira. — Além de tudo, não acredito que tenham dinheiro para a reforma. Agora, você me deixou com a pulga atrás da orelha, será que eles estão esperando a gente reformar para pedir de volta?

 

Grassi quer se reunir com Macieira para falar de teatro

 

Boa pergunta. Certo é que Antonio Grassi, presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte), está querendo marcar para os próximos dias uma reunião com Macieira para saber quais são as intenções da Prefeitura, já que o contrato termina em dezembro.

 

— Estamos só querendo conversar — adianta o diretor de Artes Cênicas da Funarte, Antônio Gilberto. — Queremos tomar uma decisão em conjunto porque, para nós, o importante é que o Teatro Dulcina seja usado.

 

Para o público do Rio de Janeiro, também.

    Author: Redação

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