Reflexão de Criadores

 

 

 

Definitivamente o teatro paulistano decidiu aliar à sua evidente vitalidade cênica uma boa dose de reflexão. Fóruns, seminários, palestras, debates – muitos têm sido os espaços abertos pela classe artística para encontro e reflexão. Com a participação de nomes de peso no panorama teatral brasileiro, começa hoje, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, o 2º Fórum Artístico da Cooperativa Paulista de Teatro. Em sua primeira edição, em dezembro, o tema foi o teatro infantil. Agora, entra na berlinda o chamado teatro de rua.

 

Os debates vão contar com artistas de longa experiência nessa democrática prática. Entre os debatedores estão, por exemplo, o sergipano Lindolfo Amaral, diretor e ator do grupo Imbuaça; o mineiro Chico Pelúcio, ator fundador do Galpão, atualmente presidente da Fundação Cultural Clóvis Salgado, em Belo Horizonte; a gaúcha Tânia Farias, atriz, encenadora e produtora do grupo Ói Nóiz aqui Traveiz; a diretora paulistana Tiche Viana, fundadora do Barracão Teatro em Campinas, e César Vieira, fundador do Teatro Popular União e Olho Vivo, um dos mais longevos grupos de São Paulo.

 

A reflexão em torno dessa modalidade teatral não começa com esse fórum. Há três anos, alguns artistas começaram a se organizar em torno do chamado Movimento do Teatro de Rua de São Paulo. Atualmente, cerca de 40 companhias fazem reuniões semanais para debater especificidades dessa arte, tanto no que diz respeito à ética e estética, quanto à produção. Um resultado importante dessa prática estará literalmente diante dos olhos dos participantes desse novo Fórum – o livro Teatro de Rua em Movimento. Trata-se de um volume de 153 páginas, que reúne na íntegra os discursos dos participantes de um seminário sobre o tema realizado entre os dias 3 e 6 de maio de 2004, no Tusp, por iniciativa do grupo Tablado de Arruar. A publicação faz parte de um projeto aprovado do Tablado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro e, por isso, o livro tem distribuição gratuita, e está disponível na Cooperativa Paulista de Teatro (www.cooperativadeteatro.com.br).

 

“Esse fórum dá continuidade à essa reflexão”, diz Carlos Biagiolli, diretor da Cooperativa. Claro que esses artistas continuam tentando reverter uma velha imagem de que teatro de rua é falta de opção. “Mas queremos mesmo ir além nas discussões, queremos novas dúvidas, novas questões.”

 

 

 

 

    Author: Redação

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