O apagão das gravadoras

 


 

Nas últimas semanas, o mundo antigamente conhecido como “indústria fonográfica” vem experimentando diversos abalos. O “apagão das gravadoras” aponta para mudanças inexoráveis e definitivas: estão em derrocada os dias de glória e opulência das companhias; xeque-mate na existência do suporte físico da música (o CD); caiu em desuso a figura do diretor-artístico, antes poderoso criador de mitos e tendências; o sistema de comércio de música digital é a nova fronteira, e nela o direito do autor tem sido uma batalha dura e desigual.

Estão em queda os altos salários nas companhias de discos, e uma nova geração de executivos substitui os velhos ícones da indústria. Na Universal, caiu na semana passada o lendário executivo Max Pierre, diretor-artístico da gravadora, havia 30 anos no ramo. Baixas vendagens dos últimos discos de Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho, produções de alto custo, teriam culminado na sua demissão.

Na EMI Brasil, caiu Marcos Maynard e subiu Marcelo Castello Branco (que já passou pela Sony e Universal e a Ibero). A Warner demitiu Cláudio Condé e trouxe Sérgio Affonso, novo comandante da major a partir deste mês.

Essa luta pela sobrevivência das combalidas gravadoras é visível por diversos sintomas. Entra em cena a queima de estoques, a qualquer custo. Desde a semana passada, a Warner Music Brasil está oferecendo seu conteúdo, no formato digital, a preços promocionais. Mais de 140 mil músicas estarão disponíveis por R$ 1,89, incluídos acervos de jazz, música erudita, pop e rock.

A EMI Music também foi longe: anunciou esta semana que vai colocar canções à venda no iTunes, o comércio on line da poderosa Apple. Com um detalhe: sem o DRM (Digital Rights Management), a tecnologia que impedia a cópia. O acordo gerou reação ontem da União Européia, que acusa a Apple e as gravadoras de monopólio musical.

Contra a “sangria”, medidas drásticas. A Universal Music, por exemplo, estuda reduzir drasticamente seu catálogo, de 46 mil tapes análogos. O que é mais alarmante: o resto, o que não coubesse nessa seleção, teria de ser destruído. A empresa confirma. “Isso é feito regularmente em todas as companhias do mundo e aqui não deveria ser diferente”, informou a Assessoria de Imprensa da Universal.

“Com a chegada da música on line, esperava-se que o preço do CD caísse, o que nunca aconteceu. A pessoa que gastava todo seu dinheiro em CDs migrou para a internet, que é muito melhor. Mas eu acho que o formato físico, CD e DVD, vai sobreviver para coisas especiais, caixas e edições especiais”, disse ao Estado o guitarrista Joe Perry, do Aerosmith, a primeira grande banda a dispor música na rede, em 1994.

 

09/04/07

    Author: Redação

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