Fórmula Não Muda

 

As gravadoras espanam o pó, tiram o cheiro de mofo e tentam dar um brilho em seus catálogos. Essa foi a principal estratégia da indústria fonográfica para movimentar as prateleiras de CDs no ano passado e, pela falta de inspiração do mercado, a fórmula não deve mudar neste Ano Novo.

Com poucos discos novos na linha blockbuster, o que se viu foi uma concentração em lançamentos que reciclam sucessos antigos e álbuns clássicos: as coletâneas e reedições. Acontece aqui e lá fora. Na última semana, por exemplo, entre os dez álbuns mais vendidos da parada britânica, sete eram coletâneas («Stop the Clocks», Oasis; «The Love Album», Westlife; «18 Singles», U2; «Love», Beatles; «The Sound of – The Greatest Hits», Girls Aloud; «Twenty Five», George Michael; «High Times: Singles 1992-2006», Jamiroquai).

Como se vê, a maior parte é tanto dos pacotões quanto de artistas veteranos _ o que significa que a gente nova perde espaço.

Em dezembro de 2005, havia apenas duas compilações no top 10 («Curtain Call», Eminem; «Never Forget Collection», Take That). Além desses, nos últimos meses saíram coletâneas de Sugababes, Los Hermanos, Paul Weller, Rod Stewart, Aerosmith… A maioria, bons velhinhos.

«Não sou fã de compilações. A coletânea tem que ter algum sentido, não pode pegar a Maria Bethânia e fazer uma compilação ao bel prazer», diz a cantora Olivia Hime, sócia da Biscoito Fino, que lançou há pouco a coleção «Duetos». «Antes de fazer esse disco, notamos que vários artistas na gravadora tinham feito canções em parceria com outros artistas daqui. São duetos singelos, interessantes, com sonoridades harmônicas. Não tivemos um grande disco que puxasse as vendas. Por isso, aparecem esses tipos de lançamentos», afirma Silvio Pellacani Jr., da Tratore, que colocou nas lojas «Novo Rock Brasil», com várias bandas independentes, e «Brasil sem Palavras», instrumental. «É mais barato de produzir, pois as canções já estão gravadas. Basta remasterizá-las».

Nem sempre foi tão barato assim. A obra do lendário grupo de rock inglês Led Zeppelin, por exemplo, mereceu raras reedições do gênero, e todas elas sob vigilância pesada do guitarrista Jimmi Page, que produziu e escolheu pessoalmente as faixas para reedição.

Arma antiga que vem sendo mais e mais utilizada pelas gravadoras, as coletâneas vêm ganhando munição com a realização de parceria com empresas. A imagem das coletâneas é muito ruim. Durante muitos anos nós da indústria banalizamos esse produto, lançando séries a preços muito baratos, e passou a noção de que as coletânea não são sérias. O que ajudou o mercado um pouco é que conseguimos trazer grande marcas pra montar essas compilações», afirma Marcelo Afonso, gerente da ST2. Nessa linha, houve lançamentos que ganharam o nome Skol Beats, Daslu, Chakras etc. «Cria-se uma identidade ao produto», justifica Afonso. «A indústria brasileira tem de começar a trabalhar melhor isso».

«Aqui no Brasil», observa Olivia Hime, «quase não existia esse tipo de lançamento. Hoje faz-se com intensidade». Como exemplos, houve reedições de álbuns clássicos de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Tim Maia, trilhas de novelas….

«Esse é um mercado rentável para as gravadoras, pois os discos já estão gravados. Mas há o lado positivo, que é o de dar oportunidade a um público jovem de entrar em contato com esses artistas», considera Olivia Hime

    Author: Redação

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