Emilinha Borba (1923 – 2005)

 

Eterna rainha do rádio

Sebastião Marinho Emilinha Borba em uma de suas últimas fotos

Emilinha Borba em uma de suas últimas fotos

As cantoras do rádio perderam mais uma de suas queridas rainhas. Morreu ontem em seu apartamento, em Copacabana, Emília Savana da Silva Borba, Emilinha Borba, aos 82 anos. Na hora da morte, ela estava acompanhada de sua secretária Zaira Peçanha e de sua sobrinha Elizabeth.

Emilinha esteve internada recentemente na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeiras, Zona Sul, por causa de uma queda na escada. Ela deu entrada no hospital no dia 16 de junho, com traumatismo craniano e hemorragia intracerebral. A cantora deixa um filho e três netos. O prefeito Cesar Maia decretou luto de três dias na cidade.

Uma das mais queridas e carismáticas cantoras que fizeram sucesso na década de 50, Emilinha Borba foi eleita Rainha do Rádio de 1953. Os programas de auditório eram transmitidos para todo o Rio de Janeiro e, o de maior sucesso, ao qual Emilinha comparecia semanalmente, era o do apresentador Cesar de Alencar. Nessa época ficaram famosas, também, suas fãs, as quais receberam o apelido de ”macacas de auditório”, e para as quais foi feita uma música de carnaval: ”Ela é fã da Emilinha/ Não sai do César de Alencar/Grita o nome do Caubi/ E depois de desmaiar/ Pega a Revista do Rádio/ E começa a se abanar”. A música foi um sucesso naquela época.

Famosa e personagem de inúmeras matérias da Revista do Rádio, principal revista de variedades da década de 50, Emilinha Borba participou de dezenas de filmes da Atlântida (estúdio com sede no Rio e responsável pela produção de filmes que se tornaram populares e foram chamados de chanchadas).

Emilinha nasceu no bairro da Mangueira em 31 de agosto de 1923, o que desde cedo criou nela um importante e carinhoso caso de amor com a escola de samba verde-e-rosa.

Ainda muito jovem, ela começou a se apresentar em programas de auditório e de calouros no rádio. Sua fama foi se consolidando aos poucos e logo formou a dupla As Moreninhas, ao lado de Bidu Reis. A parceria durou pouco mais de um ano.

A cantora só gravou seu primeiro disco solo em 1939, pela Columbia. Com a ajuda de Carmem Miranda conseguiu ser contratada como crooner pelo Cassino da Urca, o palco mais famoso da década de 40 no Rio. Logo depois, Emilinha assinou contrato com a Rádio Nacional, onde ficou por mais de 27 anos, como uma das principais cantoras da emissora, o que lhe permitiu que se tornasse uma das mais queridas e conhecidas estrelas do rádio.

Segundo o site da cantora, ela esteve afastada dos microfones de 1968 a 1972, por causa de um problema nas cordas vocais, o que a obrigou a fazer três cirurgias e um longo período de estudo para reeducar a voz e poder voltar a cantar.

Emilinha ganhou muitos títulos e prêmios nos anos 50 e seu fã-clube tem uma rixa eterna com o da cantora Marlene. As duas cantoras disputaram várias vezes o posto de Rainha do Rádio, mas mesmo assim gravaram algumas canções juntas.

Entre os grandes sucessos de Emilinha Borba estão Baião de Dois, Se Queres Saber, Escandalosa e Chiquita Bacana.

Em 2003, depois de 22 anos sem gravar um CD solo, ela lançou Emilinha Pinta e Borba, com participações de cantores como Cauby Peixoto, Marlene e Ney Matogrosso. Este ano, Emilinha lançou Na Banca da Folia, com participação do cantor Luiz Henrique e de MC Serginho.

De acordo com seu site, até 1995, Emilinha era a personalidade brasileira que mais tinha sido capa de revistas (350 vezes) no país.

Emilinha Borba foi velada na Câmara Municipal. Ela será enterrada hoje, às 17h, no Cemitério do Caju.

    Author: Redação

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