Efeito do “O Código Da Vinci”

 

 

 

Os produtores brasileiros quebram a cabeça para tentar salvar o cinema nacional de um naufrágio. Este é um ano muito complicado, quando a Copa e o efeito O Código Da Vinci se somam aos problemas crônicos da nossa produção. O resultado é que há, hoje, quase 80 filmes nacionais prontos esperando uma vaga para estrear no circuito – metade deles nem sequer tem distribuidora.

Um deles é Um Lobisomem na Amazônia, de Ivan Cardoso. Com o filme prontinho, depois de 13 anos sem filmar, mas sem distribuidora, o “mestre do terrir” encontrou uma saída original. “Já que não conseguimos estrear o filme, estreamos o trailer”, diz o produtor do longa-metragem, Diler Trindade, da Diler & Associados, que não se conforma com a resistência dos distribuidores em abraçar a causa do filme.

Enquanto isso, o trailer está lá no site do terrir (www.terrir.com.br), fazendo trincheira na esperança de que o filme comece a ganhar fãs no boca-a-boca. É muito engraçado e adianta que Cardoso mantém o ritmo incrível de As Sete Vampiras que fez muito sucesso em 1986- muita mulher bonita, vários seios à mostra e situações além do absurdo. “Totalmente filmado na Amazônia… E na Floresta da Tijuca”, alardeia o solene locutor.

“Recebemos um aceno de uma distribuidora de que poderemos entrar em cartaz no Halloween, em outubro, mas ainda não está fechado”, antecipa Diler. O que o tipicamente brasileiro terrir tem a ver com o dia das bruxas americano? Bem, é muito estranha a lógica do mercado cinematográfico no Brasil – talvez nem tenha lógica. O tema foi debatido recentemente entre algumas das principais figuras do nosso cinema, num seminário na Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Na tenda do Cine Tela Brasil, montada no campus, passaram nomes como Carlos Eduardo Rodrigues (Globo Filmes), Diler Trindade, os cineastas Domingos Oliveira e Sandra Werneck,além de representantes dos diversos setores da cadeia cinematográfica.

Para a platéia de estudantes de cinema, falou-se muito que os produtores procuram um tal “filme bom”, conceito volátil, que ninguém sabe bem definir. Mas se é assim, o que dizer da carreira de um filme como A Máquina, de João Falcão? Não foi considerado um filme ruim. Mas não é exagero dizer que teve bilheteria desastrosa: foram 52 mil espectadores, com 70 cópias. Para se ter uma idéia, foram mais ou menos 740 bilhetes por cópia, quando o razoável é vender 2 mil ingressos por cópia.

Ao mesmo tempo, Se Eu Fosse Você, de Daniel Filho, injetou otimismo no mercado, quando abriu o ano com mais de 3 milhões de espectadores. “Nossa taxa de acerto é maior do que a de fora”, acredita Rodrigues. Neste ano, até agora só Se Eu Fosse Você foi bem, mas mesmo assim ele compara: “No Brasil, de cada 10 títulos, 3 ou 4 dão boa bilheteria. Lá fora, em cada 10, 1 ou 2 dão certo”, diz ele, responsável por 20 milhões dos 21 milhões de ingressos vendidos pelas 10 maiores bilheterias brasileiras dos últimos anos.

    Author: Redação

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