Curitiba e a privatização da cultura.

Hoje acordei e me olhei no espelho, nossa parece coisa do polaco Leminski: ” ainda a tempo de ver meu sonho virar pesadelo”.

Em artigo venho tornar pública a minha indignação, e a minha recusa ao tratamento que vem sendo dado à cultura em Curitiba. A arte é um elemento insubstituível para um país, estado ou cidade, por registrar, difundir e refletir o imaginário de seu povo.

Cultura é prioridade de Estado, por fundamentar o exercício crítico do ser-humano na construção de uma sociedade mais justa.

É preciso romper com a lógica privatista, onde o poder público procura se desvencilhar de sua função social.

O governo do prefeito Ducci, que criou uma licitação que pretende privatizar a Pedreira Paulo Leminski, a Ópera de Arame, prioriza o capital assim como o governo estadual, os dois, municipal e estadual, teimam em privatizar a cultura, a saúde e a educação. É esse discurso que confunde política para a agricultura com dinheiro para o agronegócio; educação pública com transferência de recursos públicos para faculdades privadas.

Uma Política Cultural Pública deve estimular a produção e possibilitar o acesso aos bens culturais sem privilégio de qualquer espécie e contribuir para a efetiva construção da cidadania, onde sujeitos críticos — verdadeiros fazedores da história — tomem em suas mãos o controle das práticas culturais.

Em tempos neoliberais, de endeusamento do mercado, de exacerbado culto ao individualismo, de selvagem competitividade e egoísmo nunca foi tão importante valorizar a cultura, como identidade genuína de um povo.

Cláudio Ribeiro

Jornalista-Compositor

Coordenador do MUSIPAR – Fórum de Música do Paraná

Author: Redação

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