Cineastas – Cadê o Meu?

 

 

Há quatro meses, eles foram definidos como “felizes contemplados pelo chamamento”. São 26 cineastas e produtores que tiveram projetos selecionados em dezembro pela Prefeitura de São Paulo para realizar documentários sobre bairros da capital. A iniciativa estava na pauta das comemorações dos 450 anos da cidade, e é parte do Programa de Fomento ao Cinema Paulistano. Estão na lista de bairros retratados Capão Redondo, Cidade Tiradentes, Freguesia do Ó, Jabaquara, Lapa, Mooca, Penha, Perus, entre outros.

Mas, passados quatro meses, a felicidade do “chamamento” começou a se transformar em desconfiança. O prazo estipulado para desembolso da primeira parcela da verba seria em fevereiro. Sem resposta quanto à liberação dos recursos – que sairiam da Secretaria Municipal de Educação e iriam para os cofres da Secretaria de Cultura -, os cineastas começaram a se inquietar.

A demora, se prosseguir, segundo o diretor André Klotzel, poderá inviabilizar o planejamento dos filmes. “O processo de realização, entre a pesquisa, filmagens, edição e finalização é de uns 5 ou 6 meses. As pessoas estão esperando até agora 4 meses para ter notícias de quando podem se engajar para valer, e terão de assumir compromissos futuros que podem encavalar com outros projetos. É complicado trabalhar assim”, diz Klotzel, que trabalha em projeto sobre o Bom Retiro.

“Houve muita demora para se estabelecer uma ponte entre a Cultura e a Educação, no momento da troca de comando na Educação”, avalia o diretor Daniel Solá Santiago, selecionado com o projeto para o bairro Brasilândia. O secretário municipal de Educação, José Aristodemo Pinotti, afastou-se para disputar eleições.

Daniel Santiago disse que o secretário adjunto da Cultura, Roberto Sadek, foi receptivo e elogiou a paciência dos diretores, mas sua esperança era mesmo que tudo se resolvesse o mais rápido possível. “Muitos dos contemplados já desembolsaram recursos próprios, como investimento a ser ressarcido quando da assinatura do contrato e, portanto, no recebimento da primeira parcela. E mesmo aqueles que não tenham feito gastos, suas produtoras comprometeram-se com profissionais qualificados para integrar a equipe de pesquisa e formatação do projeto”, lamenta o cineasta Aurélio Michiles, que dirigirá documentário sobre o bairro Higienópolis, com consultoria de Carlos Lemos.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Cultura, há boas notícias para os diretores: os recursos foram transferidos da Secretaria de Educação para a de Cultura na última quinta-feira, dia 13. A assessoria informou que a Cultura aguardava apenas essa liberação para iniciar as contratações. “Nossa expectativa é de que os selecionados sejam chamados o mais breve possível, entre abril e maio, para apresentar a documentação necessária à abertura e formalização dos processos”, disse a assessora Maria Eugênia Menezes.

Segundo a Prefeitura, os cineastas sabiam que a verba só sairia “quando a administração tivesse recursos disponíveis”. Se o dinheiro vier mesmo, sairão do compasso de espera cineastas como Kiko Goifman (Vila Maria), Ricardo Elias (Vila Matilde), Francisco César Filho (Jabaquara), Vinicius Mainardi (Luz), entre outros. Seus projetos, filmes de 26 minutos, foram selecionados entre 243 concorrentes.

    Author: Redação

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