1ª Mostra de Cinema de Ouro Preto


 

A discussão sobre a memória, preservação e restauração do patrimônio cinematográfico brasileiro não poderia ocorrer em local mais apropriado. A 1ª Mostra de Cinema de Ouro Preto (Cineop), a 95 quilômetros de Belo Horizonte, que será aberta hoje, estabeleceu o tema de incipientes debates como seu principal foco. Na cidade histórica mineira, tombada como patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a reflexão terá como base a influência da tecnologia digital na recuperação de filmes e o papel do poder público e privado na conservação de acervos em risco da produção audiovisual brasileira. “Temos política de fomento, não temos política de preservação”, diz a coordenadora da mostra, Raquel Hallak, salientando que pretendia realizar um evento com a “cara de Ouro Preto.”

Simbolizando o enfoque na memória do cinema nacional, a mostra homenageará Joaquim Pedro de Andrade, cuja filmografia passa por processo de restauração, iniciado em 2001, com recursos captados por meio da Lei Rounet. Serão exibidos cinco filmes recuperados do cineasta morto em 1988, incluindo a obra-prima Macunaíma (1969), que abre a Cineop.

O debate sobre o patrimônio cinematográfico nacional se dará ao longo de três mesas-redondas do Seminário Cinema Brasileiro: Fatos e Memória, considerado o carro-chefe do evento, e reunirá pesquisadores, profissionais e responsáveis por projetos de restauro, especificamente das obras dos cineastas Glauber Rocha, Leon Hirszman, Rogério Sganzerla, além da de Andrade. “A preocupação é tratar o cinema como patrimônio, como obra de fato. A gente tem muito claro isso quando fala de um livro, um clássico da literatura que todas as gerações têm acesso, mas isso não acontece com o cinema”, observa a produtora cultural.

Dentro dessa perspectiva, outra questão a ser abordada é a visibilidade que os filmes recuperados alcançam. “Não queremos só um acervo, queremos ter acesso a esse acervo”, diz a coordenadora, concordando que a preservação da produção audiovisual brasileira ainda carece de uma referência institucional, a exemplo do que ocorre com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no campo dos bens materiais e imateriais.

Ao todo, sete filmes restaurados serão exibidos na antiga Vila Rica. Além de Macunaíma, Os Inconfidentes (1972), O Padre e a Moça (1965) e os curtas O Poeta do Castelo (1959) e O Alejadinho (1978), de Andrade; O Documentário (1966), de Sganzerla, e A Bolandeira (1967), de Vladimir Carvalho. Mas os títulos na nova safra do cinema nacional não ficarão de fora. O evento terá 24 sessões, com a exibição de 44 obras, sendo 17 longas-metragens, 15 curtas e 12 vídeos.

    Author: Redação

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