MON recebe exposição de fotografias de Martín Chambi

monChambi faleceu em 1973 e deixou obras que são verdadeiras pinturas fotográficas, inspiradas no jogo de luz de pintores como Rembrandt e Caravaggio. Seu trabalho tem caráter etnológico e impressiona pela genialidade com a qual interpretava a luz. Suas imagens estão em sintonia com o trabalho dos principais fotógrafos do mundo.

A exposição é trazida pela Planeta Brasil e tem curadoria da argentina Leila Makarius e será lançada no dia 29 de abril com um coquetel para convidados no MON. Na abertura oficial, o neto do artista, Teo Allain Chambi fará uma palestra aberta ao público intitulada A Herança de um Arquivo.

O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Paulino Viapiana, comenta que, mais que um fotógrafo, Chambi era um poeta. “Ao apreciar esta exposição, podemos imaginar que palavras teriam passado por sua mente ao captar, de forma tão sensível, as imagens retratadas em suas fotos. Elas estão ali, refletidas nas obras do mago da luz. Podemos vê-las. Podemos sentir e entender. Como um poema que se sussurra num momento de encantamento, que se declama em voz baixa”, completa.

Para o fotógrafo Orlando Azevedo, as imagens de Chambi falam de sua própria história. “Narram a intimidade com o fotografado num ato de fraternidade e identidade, num comovente e verdadeiro espelho de si mesmo. A lente dentro de si. Chambi nunca escondeu e sempre afirmou que suas raízes indígenas falam em suas imagens”.

Sobre Martín Chambi

Martín Chambi (1891-1973), nasceu na pequena vila de Coaza, no Peru, vindo de uma família de agricultores. Seu interesse pela fotografia começou quando seus pais mudaram-se para  Carabaya,  acompanhando o ciclo do ouro e começaram a trabalhar para a mineradora inglesa Santo Domingo. Foi lá que, pela primeira vez, Chambi viu uma câmera. Ainda jovem conseguiu um lugar como auxiliar do fotógrafo oficial da empresa e começou, então, seu trabalho de documentação da vida cotidiana de seu povo. Chambi passou por Arequipa e aprendeu sobre a fotografia no estúdio de Max. T. Vargas, que fotografava as ricas famílias brancas da cidade e também assimilou as técnicas.  Mas, a maior parte do seu trabalho foi produzida na cidade de Cuzco, onde chegou em 1920 e trabalhou até 1950, quando sua produção começou a diminuir.

Chambi retratou a diversidade e a riqueza cultural de seu povo, registrando a paisagem andina, os monumentos incas e as tradições indígenas. Ele foi o primeiro a registrar, por exemplo, a cidade de Macchu Picchu, descoberta em 1911 por Hiram Bingham. Fotografou os rostos tristes, com a força da expressão dos povos quechuas e aymaras, suas roupas típicas, suas llamas e toda a magia das montanhas, a luz e a riqueza deixada pela civilização Inca.  Nas suas paisagens estão construções misteriosas de Macchu Picchu, e o vale do rio Vilcanota.

Chambi também fez retratos posados e fotos oficiais das ilustres famílias dos conquistadores onde se notam nos ricos detalhes, a arquitetura e os costumes da burguesia da época.

Em 1977, o fotógrafo americano Edward Ranney descobriu a obra de Chambi e conseguiu catalogar cerca de seis mil placas de vidro do fotógrafo peruano, junto com Víctor Chambi – filho mais velho do artista. Esse trabalho resultou em uma grande exposição no Museu de Arte Moderna (MoMa), em Nova Iorque, em outubro de 1979, onde tornou-se mundialmente conhecida.

Serviço

Exposição de Fotografias de Martín Chambi – O Poeta da Luz
Local: Museu Oscar Niemeyer (Rua Mal. Hermes, 999. Centro Cívico – Curitiba)
Quando: de 30 de abril a 26 de junho, de terça à domingo, das 10h às 18h
Preço: R$ 4 inteira e R$ 2 meia.

    Author: Redação

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