EXPOSIÇÃO “NAVEGAR É PRECISO…”

 

A Baía de Paranaguá nos Séculos XVIII e XIX

 

A exposição temporária do Museu Paranaense vem mostrar aspectos marcantes da navegação na Baía de Paranaguá, nos séculos XVIII e XIX, inclusive com vários objetos, mapas e documentos relacionados ao comércio marítimo e aos naufrágios ocorridos nesse período. A mostra está sendo realizada para evidenciar os principais personagens dessa história, e que utilizaram a Baía de Paranaguá para transportar pessoas e produtos. Índios, caboclos, comerciantes, piratas, soldados, escravos, imigrantes, viajantes, de diversos lugares, revelando culturas e línguas diferentes, tornando a Baía de Paranaguá uma importante referência na costa brasileira…

O acervo exposto foi reunido de coleções do Museu Paranaense, e de diversas instituições culturais do Paraná, além de colecionadores particulares, tentando trazer peças únicas que resgatem os séculos XVIII e XIX na Baía de Paranaguá.

A região de Paranaguá, povoada por grupos pré-históricos pescadores e coletores de moluscos desde oito mil anos atrás, sempre foi área de trânsito de pequenas embarcações. Canoas que, ao longo do tempo, aumentaram em quantidade, com a chegada de povos ceramistas e agricultores, como os ancestrais dos índios Kaingáng e Guarani, inclusive os Carijó.

No século XVI, com as grandes navegações, os europeus, para buscar novos produtos e mercados, iniciam grandes travessias marítimas, e há um rápido desenvolvimento tecnológico na construção naval e na cartografia. Em 1549, Hans Staden, navegando em embarcação espanhola, aporta em Superagui, atual litoral norte do Paraná, encontrando lá portugueses e índios tupiniquins. Dessa época, existem mapas e ilustrações retratando a costa paranaense.

Núcleos coloniais, formados por portugueses e bandeirantes paulistas, que capturavam índios no litoral do Paraná como mão-de-obra escrava, e a descoberta de minas de ouro, acabaram transformando esses arraiais em vilas, como Paranaguá, Antonina e Morretes, já indicadas em 1653, na “Planta da baía de Paranaguá e região contígua”. O ouro e a farinha de mandioca produzida na região era trocada por ferramentas, tecidos e outros utensílios em Santos, São Vicente e Cananéia. O primeiro atracadouro existente foi na Ilha da Cotinga.

No início do século XVIII, além da farinha, o comércio marítimo de Paranaguá incluía o envio de cestas, cordas, pescados, madeiras, cal de ostras, telhas, tijolos, entre outros, principalmente para Santos e Rio de Janeiro. Importava-se oficialmente vinho, aguardentes, vinagre, azeite e tecidos, entretanto já havia pirataria e contrabando na região, inclusive tráfico de escravos.

Em 1718, um navio francês, o “Le François”, atracou em Paranaguá, carregado com prata que vinha do Chile e seguiria para a França. Porém, quando iniciaria a retomada da viagem houve um ataque de piratas, franceses e ingleses, que estavam dentro da sumaca Louise, embarcação de dois mastros, muito rápida e que possuía muitos canhões. Devido a um temporal repentino, o navio pirata acabou naufragando, com o impacto numa laje de rocha submersa, junto a Ilha da Cotinga. Houve várias tentativas de recuperar os materiais do naufrágio, desde 1722, sendo que em 1963 e 1985 repetiram-se novas operações de resgate. Assim, vários colecionadores e algumas poucas instituições culturais acabaram de posse dos vestígios recuperados na sumaca Louise.

Devido a insegurança causada pela entrada de navios piratas, buscou-se a melhora do sistema de defesa do litoral, sendo inicialmente posicionados dois canhões na Ilha das Peças, e dois no continente, além de sentinelas na Ilha do Mel. Em 1766, visando reforçar a segurança na costa paranaense e prevenir ataques de navios espanhóis do Rio da Prata, foi iniciada a construção da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, na Ilha do Mel.

A construção do porto de Paranaguá é efetivamente iniciada em 1826, e em 1860 entram embarcações de grande porte, visando as exportações de erva-mate.

Em junho de 1850, ocorreu o incidente com o cruzador inglês “Cormorant”, que estava perseguindo navios negreiros no litoral paranaense. Como o porto de Paranaguá, na época, apesar da proibição do tráfico negreiro, era considerado um dos maiores pontos de contrabando de escravos na costa brasileira, o “Cormorant” aprisionou três embarcações, e uma delas, para fugir do flagrante, afundou o navio com todos os africanos a bordo. Alguns moradores de Paranaguá, inconformados com a situação, foram à Fortaleza da Ilha do Mel, e fizeram com que houvesse uma batalha através de tiros de canhão com o “Cormorant”, que acabou conseguindo ficar fora da linha de tiro. Esse incidente acabou fazendo com que o governo imperial brasileiro aprovasse a lei “Eusébio de Queiroz”, fazendo pesadas sanções aos traficantes de escravos.

Nesta mostra estão expostos vários componentes de embarcações, como também diferentes instrumentos de navegação astronômica, como os octantes, criados por ingleses em 1731, aperfeiçoados dos quadrantes, para localizar a posição do navio nos mapas a partir da observação das estrelas. Em 1757, foram melhorados, com o aumento da abertura do ângulo para 60º, e surgindo, assim, os sextantes.

Ainda poderão ser observadas várias espadas, espadins e sabres, de diversas nacionalidades, dos séculos XVIII e XIX, sendo que alguns pertenceram a capitães-mor de Paranaguá nesse período.

Pesquisadora e Curadora – Arqueóloga Claudia Inês Parellada (MP)

 

Museu Paranaense – Rua Kellers, 289 Curitiba – Paraná

Fone 304-3300 e-mail: museupr@pr.gov.br

Aberto : De 02 de fevereiro a 13 de março de 2005

3a a 6a feiras, das 10hs às 17hs

sábados e domingos, das 11hs às 15hs

          

    Author: Redação

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